{ oneshot } Artificially flavored.
※ 14 de maio de 2019 (2:20 AM) + comentários (1)
Muito bom dia, caros leitores! Ainda é de madrugada por aqui, mas ocorreram coisas tão boas nesse finzinho de segunda (isso em vista do dia que tive) que me deram uma motivação mais do que necessária para fazer uma publicação. Então espero que aproveitem essa oneshot de aoex que eu venho guardando a tanto tempo (e revisando a tanto tempo), que nem sei mais se vale realmente de alguma coisa - mas ela existe então não posso descartá-la, 
[ artificially flavored - rin centred - ao no exorcist ]
Era inegável a aptidão que Rin Okumura tinha para a cozinha e não havia uma pessoa que o conhecesse capaz de negar o talento do rapaz. Alguns costumavam dizer que o bom humor e a personalidade cristalina dele eram as chaves de seu talento mas ele nada se importava com isso. Cozinhar era algo que gostava de fazer e poder ver o contentamento exposto no rosto daqueles que provavam de seus pratos era a melhor recompensa, se o orgulho que ele sentisse por isso não bastasse. Fazer as pessoas sorrirem e deixar seus estômagos estufados era a graça do negócio. Seu velho costumava caçoar dele, dizendo-o que nunca conseguiria ser um homem digno, porém sempre se rendia aos jantares que Rin preparava.
"Homem? Que homem, não vejo nenhum aqui", era o que ele costumava dizer ao garoto esquentado, sempre rindo dele.
Lembrar do velho padre trazia um sorriso triste ao rosto dele enquanto cuidava das panelas e cortava os legumes. Naquela noite ele jantaria sozinho, apenas a companhia de Kuro seria suficiente. Caso seu irmão não estivesse ocupado demais com o trabalho ele provavelmente também estaria junto á mesa entretanto, o mesmo cenário se repetia noites a fio assim como a preocupação dele, sua responsabilidade como irmão mais velho sempre tomando o melhor dele, seu único problema era Yukio querer ouvi-lo.
"Rin, vai demorar muito? Tô morrendo de fome", o gato reclamou pulando sobre o ombro do rapaz.
— Daqui a pouco Kuro. Daqui a pouco.
A companhia do gato era a única que tinha quando seus colegas de classe não poderiam estar por perto. Sem o velho ou Yukio, sem essas pessoas ele sempre se encontrava solitário. No fundo ele ansiava por dias felizes, por algo além de conversas mentais com seu faminto gato preto, as idas e voltas do curso, suas missões. Por mais que aproveitasse tudo ao máximo, algo criava raízes em seu peito e aquilo parecia um breu do qual ele não conseguiria sair.
Seu maior desejo era ter aqueles que lhe eram importantes por perto. Seu irmão. Seus amigos. Shiemi - se bem que ela já havia rejeitado os mais profundos sentimentos dele, não que isso o fosse preocupar, ao menos conseguira ser honesto com ela e consigo próprio. Guardar palavras para si nunca fora algo característico dele mesmo.
Aromas agradáveis e deliciosos tomavam conta do cômodo enquanto Rin apagava o fogo que mantinham as panelas aquecidas e considerava tudo como pronto, para a alegria de Kuro, isso até escutarem vozes do lado de fora do dormitório. De começo ele não conseguia distinguir quem poderia ser, até o gato abanar sua cauda dupla de uma forma agitada.
"É o Yukio, Rin! Ele veio jantar com a gente!"
Os olhos azuis brilharam com a declaração animada do gato - curiosamente ele era capaz de distinguir a presença de ambos os irmãos sem sombra de dúvida - mas antes que ele pudesse alcançar a porta, esta se abrira mostrando uma Shiemi completamente irritada junto de seu homem verde, arrastando um Yukio tão irritado quanto. Uma visão incomum, já que tanto o irmão quanto a especialista em plantas e suas diversas espécies eram grandes exemplos de serenidade.
As linhas estavam soltas e tudo o que ele conseguia distinguir era Yukio berrando várias vezes seguidas "me deixe voltar, Shiemi!" seguidos de "eu não deveria estar aqui!" enquanto que Shiemi respondia em alto e bom som "você não tem se alimentado direito Yukinho, acha mesmo que vou deixar você assim?", puxando os braços do exorcista, tendo como suporte seu demônio de muitas folhagens que o empurrava pelas costas e Rin estava realmente preocupado com seu irmão, mas perdera a conta de quantas vezes tentara conversar com o mais novo sobre o assunto, ou qualquer que fosse o assunto.
No final, Yukio não lhe dava ouvidos, escutando somente a si mesmo.
— Por favor Yukinho, não faça isso consigo. Eu sei que talvez você não perceba mas agindo dessa forma, você fere a todos que se preocupam com você. Principalmente o Rin!
Aquela era uma das raras vezes em que ele via uma expressão séria no rosto de Shiemi - ela parecia convencida de algo - tanto que suas bochechas estavam infladas, a deixando estranhamente adorável mas aquele não era o melhor momento para que ele a admirasse, era chegado a hora dele intervir de alguma forma. Os ânimos pareciam estar a flor da pele e caso alguém não mediasse a situação, algo maior poderia acontecer. Com sorte, Kuro acabara por saltar em frente a dupla, contente por vê-los.
"Yukio, Shiemi! Mais companhia para o jantar!", disse o gato indo em direção a Yukio.
Rin se entusiasmara com a agitação de seu amigo felino.
— Ei vocês dois, o que estão fazendo aqui?
Nesse momento que a bolha de ira que circundava os dois parecera estourar, os trazendo a realidade. Ambos observavam Rin atônitos, sem saber como agir.
E fora Shiemi que tomara a iniciativa.
— Rin, eu encontrei o Yukinho debruçado na sala de reuniões com várias latas de energético e como ele não quis me ouvir, trouxe ele para jantar com você.
O exorcista em treinamento sorrira. Vê-la irritada era algo raro e ainda conseguir pegar suas palavras apressadas no calor do momento era um bônus, mas aquele ainda não era o momento adequado para se admirar Shiemi Moriyama. Haviam outros assuntos a serem tratados ali.
— Eu imaginava que algo assim fosse acontecer mas não precisava forçar a barra Shiemi - ele suspirou — uma hora ou outra ele iria perceber o mal que estava fazendo para o próprio corpo.
Aquilo soava incrivelmente sábio vindo dele.
— Eu sei Rin, não queria que ele continuasse assim. Só não consegui pensar em outra alternativa.
— Eu percebi, até o Nii ajudou.
O demônio que ela tratava como um amigo fizera um som que parecia concordar com o que fora dito.
— É, ele também não gostou do que viu - disse a loira observando seu amigo verde, que não largava o Okumura mais novo por nada.
Era uma pena que Yukio - que em questão de idade se igualava aos dois mas aparentemente era o mais velho entre eles - estivesse se sentindo como uma criança que acabara de aprontar.
— Será que vocês podem parar de falar sobre mim como se eu não estivesse presente?
Mas vê-lo naquela situação fazia com que os dois rissem até não conseguirem respirar. Logo aquele que era o exemplo, o professor da turma, tomando bronca de uma aluna por se sobrecarregar no trabalho.
— Desculpa Yukio, mas isso não foi culpa minha - o mais velho dos irmãos dirigira sua atenção a loira — Shiemi, você pode pedir para o Nii soltar meu irmão? Assim a gente pode jantar de uma vez. O Kuro tá faminto.
Ao ter seu nome mencionado, Kuro saltou sobre o ombro de Rin, dizendo "finalmente jantar" numa voz que somente ele poderia ouvir.
A pequena mesa da cozinha que estava esperando por uma refeição individual, acabara ganhando mais pratos enquanto aqueles que iriam jantar se reuniam em torno dela. A tensão que antes pairava no ar se dissipara por completo, por mais que Yukio ainda se mostrasse relutante a dizer algo.
Não era algo fácil superar uma bronca daquelas.
Ao menos agora, Rin poderia aproveitar mais daquela sensação aconchegante que tomava-lhe o peito sempre que tinha companhia, era algo tão bom e reconfortante que o fazia se questionar o porquê de se isolar, ou o motivo dos outros fazerem isso com ele - o porquê de seu próprio irmão se afastar dele - aquilo o incomodava tanto quanto machucava. Eles eram irmãos, deveriam apoiar um ao outro e não permanecerem naquela situação na qual estavam.
Mas aquilo com certeza não era culpa dele.
— Está uma delícia Rin!
— Obrigada Shiemi.
Uma pena o entusiasmo dela não preencher os vazios que se abriram dentro dele novamente, mal podendo aproveitar o momento no qual estava. O sorriso de Shiemi, que por vezes o animara agora não passava de uma sombra perto dos olhos opacos de Yukio, que até o momento nada esboçara sobre o que acontecera naquela noite.
— Obrigada por ter vindo Yukio, mesmo contra a sua vontade, é bom ter companhia 'pro jantar.
Ao menos o agradecimento surtira algum efeito nele.
— Desculpa mano, eu só- ele negara com a cabeça, sem encarar nenhum dos dois — eu não queria que corresse dessa forma, tenho tanta coisa na cabeça que eu-
— Então pare de pensar - cortara Rin — tente usar menos a sua cabeça para pensar em situações que não existem e se concentrar no agora.
— Isso mesmo! Você precisa descansar e trabalhar menos, Yukinho. Desse jeito você pode terminar pior do que da forma como eu te encontrei hoje.
Provavelmente era difícil para ele encarar o que fazia como sobrecarga.
— Eu sei, me desculpem. Não queria que vissem assim.
— Eu te vejo assim todo dia de manhã Yukio.
E de alguma forma, o bom humor retornara a forma taciturna e incomodada de Yukio, que acabara se juntando a dupla na risada que viera seguida daquele comentário. Por um breve momento, todos os problemas e vazios que tanto incomodavam Rin deixaram de existir, apenas para aproveitar aquele momento de descontração entre os três e bem que aquele momento poderia se repetir mais vezes, ele não negaria o quão bom seria poder ter a companhia dos dois mais vezes. Ao final, Shiemi e seu pequeno homem verde - que voltara a sua forma normal, se acomodando no ombro de sua domadora - se despediram dos irmãos, agradecendo pelo jantar e a noite poderia ter sido encerrada ali, com sorrisos e problemas resolvidos. Rin sabia que se acreditasse demais naquela pequena fagulha, o conflito que existia dentro de si se apaziguaria por um breve momento mas a quem ele poderia enganar?
Como ele poderia deixar de enxergar a muralha que outrora o separava de seus amigos, agora o separando de seu próprio irmão? Ele nem ao menos conseguia pensar em algo que pudesse distanciá-los, não era apenas o trabalho, havia algo que inquietava Yukio de uma forma que o desligava do resto do mundo e aquilo provavelmente era o motivo de uma das vinhas que cresciam dentro de Rin, incessantemente, o alertando de que algo não corria bem - por mais que ele não entendesse o que aquilo pudesse significar - até que, enquanto se preparavam para dormir, Rin decidira colocar algumas de suas dúvidas á prova, acendendo algo que o faria se arrepender de ter aberto a boca naquele momento.
Fazia tanto tempo que ele não pensava na mãe deles.
— Olha, eu sei que você sempre quis saber mais sobre nossas origens mas sabe, eu não entendo o porquê de tanta curiosidade Yukio. Eu estou muito contente com o que tenho agora, claro eu sinto falta do velho só que, ao menos eu tento viver o presente. Se tem algo que é certo é que o nosso passado pode não trazer coisas boas.
— Grandes palavras mano. Grandes palavras, mas isso é algo que tenho comigo a muito tempo, desde que entrei para a academia. São tantas as coisas que não sei e te ver tão relaxado desse jeito me irrita, como pode ficar assim mesmo sem saber sobre a nossa mãe, sobre como nascemos? Porque deixaram alguém como você viver!
— Yukio, se até agora ninguém quis nos contar, você acha que é realmente necessário correr atrás disso?
— É claro que é! É a nossa mãe!
— E ela não 'tá aqui agora e eu só tenho você de família! Você não acha que tem coisas maiores que isso para se preocupar?
— E agora você me vem falar de família? O que você fez até agora só foi causar problemas, irmão!
Tal comentário deixara um gosto amargo na boca de Rin, logo que a conversa se tornara uma discussão ele sabia que o rumo não seria bom e que ele sairia lesado e agora que suas dúvidas ganhavam luz, ele via aquilo não era algo bom. Seu coração parecia se comprimir a cada palavra proferida por Yukio e ver que ele parecia ser a fonte de problemas do irmão mais novo o magoava de uma forma tão grande. Parecia que suas chances de ter uma vida quase mundana estavam cada vez mais escassas e que dali em diante tudo tenderia a piorar. Em seu cerne, o que ele mais queria acreditar é que conseguiria dar a volta por cima. Mesmo sem o velho ao seu lado. Que ele conseguiria domar o destino e ter algo do que se orgulhar no final, ele não queria ter de encarar aquela verdade que sempre pareceu inexistente e que agora parecia cada vez mais concreta.
Era ele o culpado, todos os problemas, os vazios que tanto o incomodavam e se enraizavam cada vez mais fundo, tudo fora causado por ele mesmo, sem que pudesse perceber.
A sensação era a de perder a guerra antes mesmo de começá-la.
Amizade, união, cumplicidade.
Palavras que começavam a se perder ao vento, dando origem a novos novos sentimentos que ecoavam na noite.
Solidão e derrota.
Como em algumas fictions minhas, essa aqui começou com o nome e como é de se esperar, não tinha ideia do que fazer com isso. Depois de ver 'artificially favored' impresso em uma das caixinhas de chiclete da MARUKAWA (uma delícia, todos os sabores melão, laranja, morango, uva) pensei no quão bom as palavras soavam como um título e após de algum tempo decidi colocar a relação dos irmãos Okumura com Shiemi em ação. Gosto muito de como os três personagens interagem e de como a Shiemi se esforça para manter os irmãos com a cabeça no lugar - é sério, eu adoro muito ela! E ainda torço por riemi, podem falar mal o quanto quiserem dela e da Izumo, ambas personagens são in-crí-veis!Só não contava com a salada que iria fazer com essa ideia, misturando até um drama familiar no meio de algo que deveria ser um momento descontraído entre os três. Tenho sentimentos confusos com essa oneshot mas ela parece ser algo bom demais para descartar, a guardo desde de outubro do ano passado.
Obrigada por lerem!
Marcadores: aoex, oneshot, rascunhos

doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

arquivos gerais
※ fanfictions e marcadores
Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

(atogaki) sotsugyousei
※ blogues singulares e os créditos
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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.