01!
02!
03!
04!

{ oneshot } Sillage.

※ 9 de dezembro de 2019 (8:48 AM) + comentários (0)
Dezembro minha gente, dezembro finalmente chegou e sabe o que isso significa? QUE EU FINALMENTE VOU CONSEGUIR TERMINAR SONIC X!!! É ISSO AÍ, VOCÊ NÃO CONSEGUIU ME PARAR TV GLOBINHO!!! Depois de anos, o meu desejo de infância finalmente se concretizou graças a n que adicionou a série ao catálogo no primeiro dia do mês, e eu vou finalmente poder terminar esse desenho que é tão querido por mim a ponto de eu querer jogar tudo quanto é jogo do sonic lmao depois disso, só vem aquela vontade de poder acompanhar o nicktoons que sempre inventava de passar em horário de aula, me fazendo perder uns episódios bacanérrimos de Danny Phanton, e outros cartoons que eu assistia quando pirralha.

É. Eu realmente sou fissurada em cartoons, me julguem. Agora fiquem com a minha primeiríssima tentativa de ~universo alternativo~ resumida em uma oneshot, vou deixar com vocês a tarefa de descobrir o significado de "sillage".


[ sillage - leorioxkurapika - hunter x hunter ]

Aquele dia soava como resultado, o que parecia ser um tanto arrogante de se pensar, mas aquela sensação era boa demais para ser completamente ignorada. Ele simplesmente sabia, como se algo fosse sair exatamente como o planejado, e que qualquer coisa que ele fizesse estaria livre de erros - aquela era uma certeza estranhamente boa.

Boa demais.

O céu estava limpo, com nuvens brancas e pássaros cantando em algum lugar. Não parecia haver precipitação de chuva. Aquele seria um dia tranquilo para poder descansar, e logo mais um amigo apareceria para lhe fazer companhia.

Tudo ficaria bem. Tudo daria certo.

Isto é, até Killua resolver aparecer com um amigo que ele não conhecia, e esse dito amigo aparecera acompanhado de outra pessoa, que parecia ser seu irmão mais velho e esse ser estranhamente alto o encarar fixamente enquanto as devidas apresentações eram feitas.

O amigo de Killua se chamava Gon e aquele ser estranho não era parente do garoto, apenas um amigo. Seu nome sendo Leorio, e Killua não parecia conhecê-lo.

— Tudo bem Killua, foi minha tia que pediu que ele me acompanhasse. Leorio vai me dar carona no caminho de volta.

Leorio riu.

— Ela só não quer que você ande sozinho Gon, principalmente vindo para essas bandas.

Em seu íntimo, ele se sentiu meramente atingido pelo comentário do outro. Não que o bairro onde vivia fosse perigoso, quando procurara por um apartamento naquela área sua única intenção era tranquilidade e distância - e se isso vinha acompanhado de má fama era algo que pouco lhe importava.

Mas a opinião alheia parecera causar algum efeito.

Até Leorio lhe dirigir a palavra.

— Ei, eu não conheço você?

Um pequeno estalo fez com que seus olhos castanhos aumentassem de tamanho. Ele conseguia se lembrar vagamente daquela mesma voz gritando obscenidades, depois de algo ter lhe atingido a cabeça.

— Meu vaso.

E de um instante para o outro, apenas com aquelas pequenas palavras, a expressão de Leorio mudou drasticamente. Nem parecia o estranho descontraído que aparecera na companhia de Gon, a sua porta.

— Então era você! Porque diabos ficou me encarando e não fez nada para ajudar?

— Você queria que eu descesse para te dar um copo de água? Me desculpe, mas eu não empurrei o vaso de propósito.

— Até parece-

— Mas é a verdade, que mais eu poderia fazer do quinto andar, quando você se levantou sozinho no minuto seguinte?

Ainda era difícil de acreditar que alguém conseguisse se levantar tranquilamente, depois de ter sido atingido por um vaso de flores que caíra do quinto andar. E ali estava ele em carne e osso, querendo continuar com uma discussão que nem sequer havia começado propriamente.

Até mesmo os outros dois pareciam perdidos em meio aquela argumentação acalorada.

— Leorio, porque vocês estão discutindo?

— Esse idiota viu o vaso dele cair na minha cabeça e não fez nada para ajudar!

— Mas você até que parece bem, uma pena a queda não ter corrigido a sua voz, você fala alto demais.

— Killua, não diga isso do Leorio!

— É verdade, me esqueci de adicionar o babaca também.

— Olha aqui seu tampinha!

Pelo jeito aquele dia estava tomando um rumo completamente diferente do esperado.

— Chega. Já vi que você perde a paciência com facilidade e não quero os vizinhos reclamando comigo por algo que você fez, Leorio.

— Bom, eu estou reclamando por algo que você fez!

— Eu não fiz nada.

— Mas como o vaso caiu, então?

O amigo de Killua parecia ser o único a analisar a situação pelo ponto de vista mais simples.

— Eu não sei, talvez tenha sido um dos gatos da vizinha, ela não se importa em deixar as janelas abertas para eles.

— E você não reclamou disso para o sindico?

— Ele parece não se importar tanto com gatos andando pelas janelas alheias.

— Nossa Gon, eu não sabia que você era amigo de um tiozão.

— Killua!

— Seus pais não te deram educação, pirralho?

— Não exatamente, eles costumam ser bem relapsos quanto a minha educação. É por isso que prefiro ficar com o Kurapika aqui.

E tão rápido quanto surgira, o motivo das exclamações exaltadas entre os dois cessara. Ao menos para Kurapika, que não esperava tornar a ver aquele que levou um vaso na cabeça novamente, ele tão pouco se lembrava da aparência que ele tinha, mas a voz era facilmente reconhecível. Gon e Killua pareciam ter entrado em seu próprio universo paralelo, conversando entre si, enquanto Leorio o encarava como se fosse ele a estar com terra sobre seus cabelos louros.

— Seu nome é Kurapika?

— Sim, me desculpe por não me apresentado antes. Não esperava ter mais vistas hoje.

— Mas eu não vou ficar-

Kurapika balançou a cabeça, cortando qualquer que fosse o final daquela frase.

— Fique, vai ser melhor assim. Ao menos eu terei com quem conversar, já que a pessoa que eu tinha arranjou companhia.

— Desculpa! Você sabe como são os meus pais!

— Por isso mesmo que não gosto dessa sua ideia Killua.

— Só dessa vez Kurapika, só dessa vez.

— Espero que seja mesmo só dessa vez.

O garoto de cabelos alvos mostrou-lhe a língua, e Gon riu da situação.

— Seu amigo conhece mesmo você, Killua.

— Não começa Gon!

Um suspiro cansado saíra dos lábios de Kurapika, enquanto servia uma xícara de café para Leorio, sobre a mesa da cozinha. No outro cômodo, os garotos problema pareciam estar se divertindo com jogos de tabuleiro, que o louro sempre guardava esperando as visitas do amigo.

Leorio também parecia cansado, porém por outro motivo, mas conseguia disfarçar suas olheiras com curiosidade, enquanto admirava a mobília de Kurapika.

— Você não gosta só de plantas, não é?

— Eu trabalho em um antiquário, então sempre acabo trazendo alguma coisa para casa. Eu sei que não tem muito a ver com a pergunta, mas foi assim que conheci o Killua.

— O pirralho?

Kurapika riu.

— Sim, o pirralho. A família dele gosta de artefatos antigos, e sempre levavam ele quando iam até a loja. Acabou que nos tornamos amigos.

Fora a vez de Leorio rir.

— Então a família dele tem dinheiro? Não é de se espantar que ele seja assim. Gon por outro lado, só causa confusão.

— Que coisa.

— O quê?

Observando os dois garotos no outro cômodo, Kurapika bebeu de seu chá.

— Killua nunca teve muita liberdade para se divertir, então é curioso ele ter conhecido Gon e nem sequer me contado sobre isso - sua atenção se voltou para o outro — Foi por causa das confusões dele que vocês se conheceram?

— É pode-se dizer que sim, ele quase não saía do hospital onde trabalho. Sempre aparecia com um machucado novo.

— Então você é médico.

— Ainda não, mas logo mais sim, aí poderei ser chamado de médico.

Agora ele conseguia entender o porquê de Leorio parecer cansado - e ainda assim, ele se dispôs a acompanhar Gon até onde ele morava.

— Você é uma boa pessoa, Leorio.

══════════════════

Quando Kurapika pensou que não voltaria a ver o aspirante a médico, que sofrera grandes dores de cabeça devido a um de seus vasos de plantas, ele percebeu que se enganara. Sua intenção era continuar a viver seus dias de forma pacata e tranquila, sem grandes oscilações, mas tamanha não fora a sua surpresa quando Leorio voltara a aparecer em sua rotina.

Uma, duas, três vezes.

Eles se encontraram mais vezes através dos garotos - que inventavam de reunir todos os quatro - ou em uma loja de conveniências, uma livraria, até mesmo no antiquário onde ele trabalhava.

E em algumas dessas vezes, eles paravam em uma cafeteria para conversar.

Pouco a pouco, ambos passavam a conhecer o universo um do outro. Quantas noites que Leorio madrugava debruçado sobre livros, estudando. Todos os objetos e artefatos que Kurapika conhecia de cor - pouco a pouco, ambos deixavam de ser apenas estranhos um para o outro.

══════════════════

A impressão que tinha era a de que, assim que entrasse em uma floricultura seria esmurrado na cara por aromas diversos e adocicados mas em contrapartida, tudo o que conseguia sentir era o senso de surpresa, admirando todas as cores possíveis em caules verdes - haviam vasos laranjas, ursos de pelúcia - pequenos canários amarelos cantavam sobre vigas de madeira acima de sua cabeça e uma fonte de carpas ao fundo onde crianças jogavam moedas e faziam pedidos, coisa que ele considerou uma falta de respeito com os peixes.

As primeiras impressões não deixavam de surpreender Leorio. Aquele lugar era muito bonito. Se ele realmente soubesse o que estava procurando, sua memória sequer o ajudava a se lembrar de que espécie era a planta que caíra em sua cabeça.

Ele não desmaiara completamente, mas ainda assim era complicado se lembrar de certos detalhes daquele dia.

— Posso ajudá-lo, senhor? - gaguejou um homem, que parecia ser bem mais alto que Leorio, dada a sombra que ele fizera.

Era de assustar o tamanho da pessoa ao seu lado, de peso e com um afro enorme sobre a cabeça, mas o surpreendente mesmo era a timidez que ele transmitia.

— Eu nem sei o que estou procurando. Queria algo bonito para dar de presente, é que eu acabei estragando uma das plantas de uma pessoa e pensei em dar outra.

O homem parecia compreender a insegurança dele mas antes que pudesse sugerir algo, uma voz alta chamou por ele.

— Ginta! Já separou as amostras que a Gel havia nos pedido?

E por um breve momento, a faceta tímida do homem se dissipara para dar lugar a alguém completamente diferente, alguém muito irritado.

— Sim, Cluck! Só estou esperando que ela chegue!

Em meio a folhas verdes e grandes, surgia uma mulher completamente irada batendo o salto das sandálias.

— Então é melhor se preparar para fazer a entrega! Ela acabou de ligar, pela terceira vez, avisando que não poderá vir a tempo! - até que suas íris cor de rosa caíram sobre um Leorio completamente desconfortável, deixando de parecerem tão iradas — Deixe que eu cuido do cliente, ande e se apresse, não podemos atrasar os estudos dela.

Com um suspiro que ele não se deu conta de que prendia, Leorio viu o grande homem de cabelo afro - Ginta pelo que pudera entender - se despedir brevemente e sair menos irritado, de alguma forma, agora os ânimos pareciam estar mais calmos.

— E em que posso ajudá-lo? Ginta não consegue lidar tão bem com clientes, não fora a minha intenção deixá-lo sozinho, por isso peço desculpas.

Ela parecia frustrada pelo próprio erro.

— Tudo bem, não tem problema já que eu não sei exatamente o que procuro.

— Bom, eu só tenho flores e plantas de espécies variadas, algumas pelúcias para o dia dos namorados e os canários não estão á venda. É a única forma de manter Ginta calmo por aqui. Se procura algo fora isso, não poderei ajudá-lo.

— Eu queria uma planta, ou flor, é que por um acidente acabei estragando o vaso de uma pessoa e queria poder dar outro, mas nem sei de que espécie era.

Os olhos aguçados de Cluck pareciam ter pegado uma mensagem no ar.

— Já pensou em algum significado? Talvez seja mais fácil do que dar uma planta que é apenas bonita aos olhos. Tem algo muito marcante nessa pessoa?

— Algo marcante? Como personalidade, algo assim?

— Isso ajudaria, mas pense no que você quer representar com o seu presente.

Se ele fosse parar para pensar, ele queria ser alguém em quem Kurapika pudesse contar, uma pessoa que ele conseguisse ver como amigo - e não inimigo. Alguém que pudesse ser leal a pessoa que ele representava.

— Lealdade, mas também felicidade, algo que pudesse ser lembrado como bom.

— Certo, isso ajuda - Cluck acenara com a cabeça positivamente — Só peço que espere por um momento, verei o que posso fazer.

Enquanto via a mulher de temperamento volátil desaparecer em meio a tanto verde, o canto dos pássaros acima de sua cabeça fez com que o tempo corresse mais brevemente.

Quando Cluck voltou, tinha um vaso laranja que acolhia folhas verdes com flores roxas e brancas em seu topo, tudo bem arrumado com embrulho e um laço dourado que ela colocou sobre o balcão.

— Como não sei para quem você vai dar, fiz um embrulho simplista. Estas são violetas, representam bem o que você me disse e também, as brancas são para promessas sendo feitas, o que acha?

As flores eram lindas, provavelmente bem mais do que aquelas que caíram sobre sua cabeça, tinham um aroma suave e difícil de se notar. E pensar em entregar aquele singelo vaso a Kurapika fazia tudo parecer mais uma declaração do que um pedido de desculpas, mas valia a pena.

— É perfeito.

— Fico feliz por ter atendido ao seu pedido!


O vaso cheio de pompa e flores bonitas descansava no assento ao lado do motorista, e Leorio tivera que resistir a uma inocente vontade de colocar o cinto de segurança para impedir do presente balançar durante o caminho. Já era tarde, Kurapika provavelmente deveria estar em casa. Então por qual motivo ele estava hesitando do lado de fora, observando para ver se as luzes do andar dele estava acesas?

Por um momento, ele repensara a ideia de tentar reaver o vaso de plantas que Kurapika perdera, não fora ele que quebrara o objeto mesmo.

E por um motivo anterior a sua breve preocupação, ele se lembrara do porquê querer fazer esse gesto.

Kurapika sempre lhe parecera ser solitário. Independente dos clientes que atendia e cumprimentava sempre que os encontrava, das pessoas que conhecia, ou até mesmo de Killua - ele sempre parecia se resguardar de contato social.

E aquilo o fizera querer agir ou ao menos tentar algum movimento.

Por algum motivo, Leorio sentia a necessidade de orbitar o astro solitário que Kurapika era.

Tendo isso em mente Leorio tocou a campainha, que não precisou de duas badalas para que fosse atendida.

Kurapika certamente não esperava uma visita tão tarde da noite, muito menos que seria Leorio do outro lado da porta - com um vaso laranja decorado com flores roxas e brancas. Francamente, ele tinha alguma noção de tempo e espaço? Que o loiro se lembrasse, eles não tinham intimidade o suficiente para que ele aparecesse do nada em seu apartamento - mal o considerava como um amigo.

Mas não o impedira de passar pela porta.

O novo vaso fora colocado no mesmo lugar que o antigo outrora estivera, e enquanto Leorio explicava de qual espécie as flores eram - o que não pareceu surpreender Kurapika - ele perguntou o que tinha no vaso que caíra sobre sua cabeça.

O loiro suspirou.

— Eram jacintos, Leorio - e por mais que não fizesse parte da pergunta, adicionou — uma tradição de família, sempre que um ente querido falecia, se deixavam jacintos na janela como um meio deles serem lembrados.

Ele não parecia satisfeito com o que dissera, como se aquilo fosse recente.

— Alguém da sua família faleceu?

Kurapika assentiu.

E após um momento silencioso, prosseguiu, encarando qualquer ponto que não fosse os olhos de Leorio, ou ele próprio.

— A alguns anos, eu perdi toda a minha família e fiquei por conta própria.

Aquela não era a resposta que o aspirante a médico esperava. Ainda mais quando o outro parecia ter mudado seu humor rapidamente a partir daquele assunto.

E agora o peso de seu pedido de desculpas em forma de flores parecia pender em outro sentido.

Ele não esperava sentir seus pés entrando em um terreno pantanoso como aquele.

Então tentara aliviar o assunto, a sua maneira.

— Você não acha que é melhor começar uma outra tradição, agora que a planta já não-

— Não.

É, a tentativa de amenizar o tom que a visita ganhara não fora efetuado com sucesso.

Leorio maneou com a cabeça, encarando o vaso que trouxera. Ao menos ele aceitara seus, como Cluck bem colocara, sentimentos.

— Bom, o meu objetivo foi cumprido, você não detestou as flores. Eu vou indo então.

E antes que ele pedisse dar mais alguns passos em direção á porta, algo o impediu.

— Desculpe. Eu não fico muito bem quando falo disso.

Quando se virou, Kurapika esfregava ambos os braços como se sentisse frio, mas ao menos seus olhos se encontraram.

— Não tem problema, eu não sabia de qualquer forma.

Ele balançou a cabeça.

— Eu não esperava que alguém um dia fosse tocar no assunto, muito menos que você faria isso. Eu não estava preparado.

— E isso te ajudou? Sabe, falar sobre o assunto?

Ele parecia não parecia esperar por aquela pergunta.

— É, ajudou - respondeu, caminhando em direção a porta — Obrigado pelas violetas, Leorio.

Um grande nervosismo alimentado pelo caminho até ali, se dissolvera com aquelas palavras.

— Que bom que gostou, Kurapika.

Depois que Leorio sumira no corredor, o loiro se dera a chance de respirar, tentando acalmar seus pensamentos que iam de irados por ter o passado de volta e surpresos pelas flores que agora coloriam a janela.

Kurapika, por algum motivo, não precisara pesquisar muito para saber o que aquelas cores significavam - sua memória parecera se lembrar avidamente de algo do passado relacionado a elas.

Uma nova tradição é?

Talvez não fora a toa que o vaso de jacintos caíra.


Kurapika não havia conseguido um meio de contato com Leorio, mas queria muito poder encontrá-lo para fazer um convite.

E por acaso, eles se esbarraram em uma loja de conveniências, a única que parecia ter a geléia favorita do loiro.

A ideia de aceitar o passado como algo imutável voltara com força após a curta conversa que tivera com Leorio, mas fazê-lo sozinho agora parecia não ter o sentido completo. Ele precisava ultrapassar algo que guardara consigo a muito tempo e já que alguém parecia contente em ajudá-lo, Kurapika resolveu aceitar a oferta.

Tudo dependeria se o aspirante a médico aceitaria seu convite.

Leorio não parecera confuso, muito menos desconfortável quando, depois de passarem suas compras no caixa, Kurapika perguntou se ele gostaria de conhecer seus familiares.

Havia um brilho liquido nos olhos castanhos dele naquela tarde. Olhar para tantas lápides se tornara um hábito que fora perdendo as vezes consecutivas de visitas com o passar do tempo.

Era a primeira vez em que Leorio o via tão fragilizado.

— Eles são-

— Meus familiares - seus olhos não desgrudavam das pedras cinza fincadas no chão — Perdi todos eles. Todos que me eram importantes.

Normalmente ele sentaria e contemplaria inúmeras possibilidades, mesmo sabendo o quão falhas elas seriam, mas a vontade de contar mais do passado ao outro pareceu convidativa.

— Sabe, todos os culpados foram julgados e estão presos agora mas, não parece ser o suficiente. Minha família não está presa, ela está morta Leorio e eles eles estão vivos e encarcerados. Isso não é justo!

— E você queria poder matar eles.

Aquela não fora uma pergunta, ele estava afirmando algo que borbulhava em suas veias sempre que visitava o cemitério. Em meio a lembranças de um tempo ao qual ele ansiava retornar, uma ferida aberta pulsava viva, uma ânsia de querer poder devolver tudo o que sua família sofrera na mesma moeda.

Mas tudo o que ele conseguia fazer naquele momento era assentir positivamente.

— Kurapika, essa pode ser a sua única saída, mas ela não é a correta.

— Você por algum acaso entende o que eu sinto? Leorio, você consegue sentir a frustração de não poder ter estado lá, nem que fosse para ter o mesmo fim que eles?

Kura-

Não! Você não entende! Eu perdi tudo, eu fiquei sozinho e por um longo tempo eu quis morrer também! Eu só resisti até ver o final do caso e mesmo quando a justiça foi feita, eu não senti ela de verdade, aquilo não parecia real.

Por mais que a ira de anos reprimida estivesse em sua voz, tristeza banhava seus olhos e pela primeira vez desde que se conheceram, Kurapika conseguia ver compreensão nos olhos de Leorio mas diferente de qualquer outra, ele entendia exatamente o que ele sentia.

— Eu perdi meu melhor amigo. Foi péssimo porque eu não conseguiria me vingar de uma doença tão problemática. Não haviam médicos onde morávamos, então decidi que viraria um e impediria que mais pessoas tivessem o mesmo fim que ele. Foi a melhor forma que encontrei de superar.

Os membros do loiro tremiam, mas ele não conseguia desviar seus olhos dos dele.

— E você não está sozinho, ou então o quê aquele pirralho insolente significa para você?

E por mais que tentasse dizer algo, não conseguia, pois aquele a sua frente parecia resumir completamente o que ele poderia conseguir se deixasse o passado aonde ele deveria permanecer. Parecia ser tão fácil, tão simples.

Ele se esquecera da vida que conquistara e ainda assim, insistia em ofuscá-la por memórias ruins.

Quem diria que somente alguém de fora, um completo estranho a sua realidade, seria quem conseguiria fazê-lo entender realmente como era estar no presente.

O abraço parecera ser a melhor forma de dizer o que sentia - até que uma palavra conseguira sair.

— Obrigada, Leorio.


Desde que o queridíssimo Kurapika apareceu em cena, lá nos primórdios de hiatusxhiatus, com a bela ladainha de querer vingar a morte de seu clã eu pensava que iria dar errado - de verdade e deu. Porquê nos capítulos atuais, por mais que ele tenha conseguido cumprir com grande parte de seu objetivo, por outro lado ele se sente sozinho, já que nessa obsessão de vingança acabou se afastando daqueles que mais se importavam com ele, seus amigos. E por mais que não quisesse abordar esse fato na minha oneshot (afinal isso aqui era para ser um universo alternativo e tal) de última hora, uma conversa que tive com meu pai acabou me fazendo trazer esse assunto ao final, só modifiquei alguns fatores mas tentei abordar o que penso a respeito desse desejo de Kurapika.

Francamente, não é nada saudável alimentar pensamentos como esse, mas ele realmente estava sozinho e isso, era o que o mantinha vivo, então é, só quis que o Leorio fosse uma boa saída para ele (assim como ele esta sendo no mangá). Engraçado, não imaginava uma guinada dessa com a ideia inicial que tive, vendo vasos em uma janela e imaginando o que poderia acontecer, caso um deles caísse na cabeça de alguém (e também tô estupefata de ter escrito algo digno logo para leopika, antes do meu querido killugon!).

Ah! Cluck, Ginta e Gel também são cannon (espero que o Gon e o Killua estejam mais óbvios ah-haha) eles fazem parte dos zodíacos, um grupo que apareceu no arco atual do mangá - os meus queridos naquele bando de loucos a ponto de vestirem a carapuça para representarem seus 'signos'.


Obrigada por ler,
e nem precisa perder tempo acompanhando hxh na moral, só quem quer!

Marcadores: , ,





doukyuusei (bijutsubu)

※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★



arquivos gerais

※ fanfictions e marcadores

Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★



(atogaki) sotsugyousei

※ blogues singulares e os créditos
anageek antique faerie d-strawberrypie dama de ferro estranho peixe hishoku no sora into the next night porcelana la petit souris limerence litorais nasetet soshyu necropsist tsuki no shita yokuboumugendai

layout made by elle, with codes from symphony, sentimental, sad girl
and glenthemes (google fonts, sadthemes) background made with
nichi and fotor, color palette in coolors (timely!! album cover anri)
icons by b-aware, annicon, animeicons, sundry, recadreuse, trilies,
vuvuzela, dulcinea, hawkeye, 1000dreamers. thank u ♥
quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.