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Sem band-aids para as dores do crescimento.

※ 13 de janeiro de 2020 (3:37 PM) + comentários (2)
Foi a quatro anos que eu descobri o que era crescer, e aqui eu me refiro a crescer mesmo, não só aumentar os números que medem a altura. Tomar conhecimento do pequeno mundo que me rodeia e do mundo que eu sou. De lá para cá, crescer mais me machucou do que me ensinou, provavelmente era parte da minha rebeldia em querer inferiorizar a mim mesma, e odiar as pessoas que via ao meu redor. Eu não queria ver, não queria aprender, eu apenas desgostava de estar mudando. Desgostava e repudiava a ideia de crescer e me tornar dona de mim, de certa forma.

Pois até então eu não fazia ideia do que era de fato, crescer. Vivia uma vida tão tranquila e dormente, que quando perdi parte disso foi como perder o chão abaixo dos meus pés - afinal que filho não fica mal quando vê o relacionamento dos pais desmoronando?

A partir disso muitas coisas aconteceram, mudaram e mudaram mais uma vez, porque a partir disso, tudo parecia ser uma novidade.
















Os primeiros meses foram os piores, chorei mais do que meus olhos poderiam aguentar e ainda tinha de ser confidente do meu pai, pois pelo jeito eu era a única que ele tinha para conversar. Eu até mesmo senti uma pontinha de culpa no meio disso, por ser tão retraída a ponto de me afastar até mesmo dos meus familiares - e por não ter com o quê distrair minha cabeça, bem os meus pensamentos desnecessários pareceram ganhar força.

É um tanto curioso parar para pensar nisso agora, pois até mesmo antes da separação eu já não me sentia bem, me cobrava demais nos estudos e me sentia péssima por me relacionar tão mal com as pessoas, mas como tinha com o que me distrair o foco deles parecia ser precisamente esse. E depois, ele passou a aumentar esporadicamente.

Para resumir, eu me sentia uma total perda de espaço. O que eu falava não valia, o que eu fazia só causava comoção e com isso o poço parecia ficar mais fundo, enquanto criava várias e várias versões de mim, para ver se assim encontrava algo que não resultasse em tantas dores de cabeça.

Ninguém da família pareceu se importar com a separação, só a minha avó e tia. Foi tão estranho quando isso aconteceu, pareceu que de fato a gente não existia.
















E quando eu "ganhei" um emprego, no estado em que eu estava, foi como ser atirada aos lobos famintos. Eu tinha o defeito de não querer errar em momento algum. Esse foi o primeiro aprendizado que tive nesse tempo, aceitar errar e conviver bem com isso, afinal aquele era o meu primeiro emprego, era natural que eu errasse (e vamos dizer que eu dei umas deslizadas incríveis no meu primeiro ano). Levou um bom tempo até que eu entendesse e aprendesse o que era rir dos seus erros/equívocos/deslizes/falhas/insiralagoaqui, e até mesmo isso tinha o seu ponto positivo, pois só assim eu conseguia entender a satisfação que sentia sempre que fazia algo certo - eu tinha que aprender a colocar o meu ego em seu lugar e realmente querer aprender algo - dizer que normalmente eu não compreendia o emprego de certos adjetivos na realidade é uma mera alegoria aqui.

E foi uma experiência muito boa, conheci gente, aprendi a lidar com gente, a organizar estoques e trocar moedas e que muitas vezes, o balconista de uma loja tem que ser o ouvido amigo de alguém.

Eu era boa em ouvir, mas dar conselhos era outra história, principalmente quando o cliente era péssimo.

E assim passaram-se dois anos.

Eu conhecia todas as praias e ruas do centro da cidade, sabia onde conseguir livros, mangás e roupas pelo melhor preço, mas não conhecia o estresse. E no meu emprego, eu desempenhava bem mais que uma função, e não recebia por isso - céus eu nem registrada era!

Eu só era (e me sentia) idiota mesmo.
















Não demorou muito ao meu humor mudar mais rápido que o normal, a minha necessidade existencial virar poeira, e ao chegar em casa eu só querer desaparecer. Incrível como algo assim pode detonar mente e corpo completamente despreparados.

Eu me sentia capacho para quem quiser poder pisar, e isso era notável para qualquer um a minha volta. E por mais que aquilo tivesse seus bons momentos, eles não supriam os maus, onde eu realmente gostaria de virar fumaça.

Imaginem só, eu abria e fechava a loja. Eu tinha que atender cliente, cuidar do caixa, limpar a cozinha, arrumar o estoque, limpar a geladeira, o toldo, a porta de vidro, e não posso me esquecer de jogar o lixo fora (é claro que alguns desses items mudaram no meu segundo ano mas, ainda assim, era dose). Eu só não saía porque queria ajudar em casa de alguma, nem que fosse para mantimentos e contas.

Até meu pai dar o ultimato, ou eu saía da loja, ou eu saía de qualquer forma. O estopim sendo um evento onde o meu chefe duvidou da minha palavra, quando eu de fato estava certa e tinha como provar isso.

Em dezembro de 2018 eu saí, simplesmente saí. Não recebi nada por isso mas honestamente, sair de lá foi a melhor coisa.
















Porém, eu ainda não havia realmente mudado. Meu humor ainda era estável, e eu continuava com pensamentos nada saudáveis, então era como se a nuvem de chuva que existia em cima de mim ainda estivesse sobre mim, trovejando.

Ainda existiam inconsistências pela separação dos meus pais, ainda existiam coisas que eu não conseguia ver com clareza, ou que eu apenas me negava a ver.

Então algo fantasmagórico aconteceu e eu me toquei aonde errava, e era comigo mesma que eu estava falhando. Mesmo depois de tanto tempo, tantos eventos e aprendizados, eu ainda menosprezava a minha existência, ainda dava chances a algo ruim de me acontecer. Eu tive muitos pesadelos até aquele momento, o pior deles foi ter que acordar com uma voz destorcida nos meus ouvidos dizendo para me matar - e eu mesma não consegui levar a sério aquilo pois, por mais mal que eu me visse eu não tinha a menor coragem de sequer querer me cortar, dirá querer tirar a minha própria vida. Tenho que dizer que ter o meu pai por perto foi de grande ajuda, ele sempre me puxava a orelha quando via que algo não estava bem, mas me dava a chance de escolha.

E isso foi crucial para mim, ter noção do quão importante eram as minhas escolhas, os meus pensamentos, as minhas decisões e no quando elas poderiam reverberar - positiva e negativamente na minha trajetória (e ter de lidar com o meu corpo no meio disso me ajudou muito a me conhecer melhor, quem diria que uma cólica fazendo a sua pressão cair a ponto de te fazer vomitar seria uma janela para algo maior?).
















Digo com orgulho que o meu final de ciclo, em dois mil e dezenove terminou melhor do que eu sequer poderia imaginar! Olhando para os dez anos passados esse foi o mais produtivo e positivo de todos, como se reunisse tudo o que vi, e constatasse o que era bom manter e bom de se jogar fora. E eu joguei fora muita coisa, muita gente, muita tranqueira e caramba, estou ótima, pois nem vejo mais essa gente toda e quando vejo, sou o mais educada possível para não tornar a vê-las novamente.

É bom poder ajudar o próximo, mas é melhor ainda saber até onde você pode ir, pois ajudar alguém que não quer ser ajudado é o mesmo que se desgastar em uma corrida para pegar o ônibus e no final, ele ter saído sem você ter conseguido entrar nele.

Pois algumas batalhas não devem ser travadas por nós, mas pelas próprias pessoas, e por mais nova que eu seja, estou farta de querer lutar ao lado de pessoas que não me merecem ter por perto.

Não posso esconder que ainda tenho ressentimento quanto a ideia de trabalhar novamente, por mais que agora esteja ajudando em um sebo e me sinta muito bem em meio a livros, a ideia de entrar no mercado de trabalho novamente me trava um pouco - mas sinto que dessa vez vai ser diferente, eu me sinto diferente, e quem sabe até mesmo melhor do que as minha outras versões? Afinal, eu consegui falar com uma antiga paixonite minha na maior tranquilidade, isso tem que ser um sinal!
















Sabe, até o momento com os meus vinte e dois anos, com responsabilidades de gente grande, com pensamentos de gente grande, eu meio que não me sinto gente grande - mesmo com gente dizendo que sou uma mulher, eu não me sinto "mulher", honestamente eu nem sei que diabos é "ser mulher" - eu estou conseguindo descobrir quem eu sou de fato, o que eu gosto, desgosto e assim por diante. Estou criando a minha pessoa, quem eu quero ser para que no futuro, eu não tenha que fazer o caminho inverso porque esqueci de "aproveitar a vida" ou qualquer desculpa do tipo, eu não me arrependo um minuto sequer de não ter saído à noite para aproveitar a vida com meus amigos, eu não ligo para o que a juventude de hoje em dia faz, isso não tem nada a ver comigo. Eu não funciono assim. Prefiro mil vezes a minha companhia a de alguém, gosto de me reservar não por medo, só porque prefiro dessa forma, eu já tive medo mas isso ficou no seu devido lugar, no passado.

Mas penso que o melhor ensinamento que tive foi aprender em quem depositar a minha confiança, em quem eu chamaria de amigo sem medo de ser feliz.

E também a dar ao dinheiro o seu lugar de verdade, sem deixá-lo subir a cabeça.

Eu não imaginava que conseguiria escrever tudo isso. Arrematar o que passei nesses quatro anos e nos dez que se encerraram ano passado de uma forma tão concisa chega a me parecer grosseiro, mas isso só demonstra o quanto eu já superei essas situações, que eu chegava a reviver por semanas a fio - hoje eu me sinto melhor, maior do que já fui e ainda com um longo caminho a seguir.

O passado não me traz mais falta como antes, agora ele é só passado mesmo, algo para se sorrir ao invés de chorar por não ter feito algo de forma diferente - e eu sou positiva demais para o seu agrado? Bem, sobre isso eu não posso fazer muita coisa, me desculpe, não tenho culpa se não quero mais me sentir irritada sobre o que se passou.


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