Um paradoxo, uma brecha no tempo.
※ 20 de janeiro de 2020 (6:03 PM) + comentários (0)
Este é um conjunto de poemas que não pensava em publicar, estes foram os primeiros que escrevi de fato em muito tempo. São de vinte e sete de julho de dois mil e dezoito, todos os quatro. Lembro com certa facilidade estar olhando a loja vazia quando as palavras me vieram á cabeça, e só consegui apanhar uma caneta e algumas folhas usadas, depois passei a limpo e guardei. Não pensava em publicá-los, mas depois de ter feito algo a respeito de poesia aqui no clube, decidi arriscar - dada algumas postagens que vinha lendo de outras blogueiras, pensei ser algo sensato. Afinal esse é um grande marco do meu eu passado.Um passado que já não existe no agora. Não mais.
eu já não vejo
eu já não sinto
eu já não vivo
como antes
se é que vivi algo
nesses vinte e poucos anos
as cores vibrantes
se tornaram secas
a cada dia que passa
e já esqueci
como era caminhar
com algo vibrante no peito
eu inspiro e expiro
nada muda ao meu redor
aqui dentro tudo permanece
meu problema está em mim
dentro de mim
sobre mim
ao redor de mim
e não sei como resolvê-lo
eu inspiro
há uma pedra
no meu caminho
eu expiro
e fujo dela
não quero enfrentar
não quero ver
não quero ser
só quero perecer
e desaparecer
- murchar
os vitrais estão sujos
os móveis
perfeitamente organizados
porém cobertos
esta casa parece triste
quem a habita
deve estar mal
eu me sinto triste
não por alguém
não por uma amizade
não por um amor
triste por mim
como pude acabar assim
como me deixei cair
tão fundo
que nem a luz acima é visível
deixei tudo
se sobrepôr sobre mim
não estou fraca
só esqueci como é ter vontade de lutar
de novo
- uma bela pintura triste
dia após dia
acordar
comer
ler
água a escorrer
dia após dia
seja chuva
seja sol
acordar é preciso
comer é necessário
ler para imaginar
água a escorrer
palavras iguais em novas bocas
rostos e mais rostos
que devo me lembrar
tenho que sorrir
mesmo com este vazio por dentro
ter de afligir feições
e sentimentos
tem sido cada vez
mais difícil
e mesmo assim
nada muda
dia após dia
meses a fio
me sinto oca por dentro
tudo que faço é torcer para que acabe
que eu acabe
eu sequer dou atenção
a vida ganha tons ácidos
e eu não consigo me preocupar
- o estresse do trabalho
foram-se meses até revê-lo
meses remoendo
qualquer fosse a memória
que ainda se agarrava
a algo no meu peito
sabe
ele sempre brilhou
era incrível
ninguém sequer notava
eu via aquele ser reluzente
no fundo
eu sabia que ele seria grande
agora
eu vejo que estava certa
e que aquele lugar
que um dia ocupei
não é mais meu
o mundo mudou
o mundo se tornou adulto
e fez dele um homem
- distante
paradoxo (parádoksos)
(sub) raciocínio aparentemente bem fundamentado e coerente, embora esconda contradições decorrentes de uma análise insatisfatória de sua estrutura interna - coloquei "paradoxo" no título mais por conta dessa música, que me fez lembrar muito desse tempo.
Marcadores: poemas, rascunhos, script fairy, verão

doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

arquivos gerais
※ fanfictions e marcadores
Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

(atogaki) sotsugyousei
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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.