{ oneshot } Is there a ghost.
※ 23 de abril de 2020 (10:05 AM) + comentários (5)
Como não tenho lá muita coisa para colocar no começo desta postagem - meus pensamentos estão muito prosaicos para serem colocados aqui - por isso optei por colocar as notas finais aqui em cima - assim eu não me enrolo e não enrolo quem lê. A história por trás dessa oneshot é curiosa até, tinha recebido um comentário no NYAH +2703+ reclamando das poucas histórias destinadas a kirimina, e pensei em fazer algo a respeito. Mais tarde naquele dia, ouvi a música "Is There a Ghost" do Band of Horses e me lembrei de como tinha sido péssima a minha fase de sonhos ruins, aí pensei em usar o Kirishima para retratar esse momento e coloquei a Mina como um toque especial. Tadã!
[ is there a ghost - eijirou centred - boku no hero academia ]
Ele não sabia dizer se em algum lugar de sua memória, nos confins de seu subconsciente, tinha registrado com extrema exatidão como é a sensação de cair de um lugar alto. Como é estar indo em direção ao fundo obscuro, caindo em uma grande e profunda incerteza onde a única certeza é a do chão duro ao final e ainda assim, caindo, seguindo a uma velocidade impossível de se mensurar pelo cérebro, com a gravidade o levando cada vez mais para baixo, fazendo os membros do corpo virarem gelatina de tão pesados. Ele não sabia, mas tinha certeza de que nunca caíra mas não mudava a certeza de que ele sabia que estava caindo. Ele sentia a queda em todos os seus músculos, sabia que seu corpo já havia desistido, se colocando a mercê do que estava abaixo - mas não havia nada abaixo, ele não conseguia ver nada.
Mas sabia que estava caindo.
Seus olhos só viam escuridão com alguns pontos de luz vindos das frestas da janela, seu corpo estava rígido e demorou alguns segundos a acordar por completo, o formigamento consumindo seus membros inferiores.
Ele estava acordado.
A queda havia sido um sonho.
O relógio de cabeceira marcava o número quatro, acompanhado de dois zeros a direita e aquela já era a quinta noite em que ele acordava no meio de uma madrugada por conta de um sonho ruim. Seus cenários variavam, as vezes era uma caminhada íngreme, uma corrida infinita em um pântano, mergulhando no fundo do mar céus, ele já se imaginara flutuando sobre palmeiras!
Toda noite ele ia para cama implorando por uma noite tranquila de sono, para que acordasse ao som do despertador, mas sempre que seus olhos se abriam o breu ainda ocupava seu quarto e o relógio marcava o mesmo número quatro.
Eijirou estava cansado. Seu corpo doía em lugares impossíveis e o pescoço era o pior de todos, a tensão nos músculos se tornava pior a cada dia que passava e por mais que tentasse se alongar de maneiras diferentes, a dor não cessava de jeito algum. Naquela noite não fora diferente. Ele já estava exausto de procurar maneiras melhores, posições diferentes para voltar a dormir, seu estômago roncara e assim, como se esse fosse o melhor motivo, ele saiu do quarto.
A ideia de que ele tinha de mudar seus hábitos para que assim seus sonhos esquisitos talvez mudassem parecia tentadora e por mais a ideia de ser pego fora do quarto por Aizawa o incomodasse, ele já estava no meio do caminho em direção ao seu destino, para voltar por medo de um olhar reprovador de seu professor.
A cozinha estava escura, a luz vindo da geladeira sendo a única fonte de iluminação do lugar - seus dedos enrijecidos buscando pela caixa de leite que ele sabia estar pela metade - um copo cheio de leite e biscoitos de chocolate era tudo o que ele precisava naquele momento, assim o tempo não demoraria a passar até o horário das aulas começarem.
Essa era a pior parte.
As lembranças do sonho vinham a mente de forma quase instantânea e ter de lidar com isso era melhor com algo na boca.
Seus colegas de classe estavam começando a notar uma sutil mudança no comportamento dele - não eram só as olheiras e o rosto cansado todas as manhãs que denunciavam que algo não ia bem, toda a personalidade vibrante do garoto aos poucos, sumia - eles só não sabiam como abordar o assunto.
Eijirou desistira de tentar dormir. Isso fora decidido no oitavo dia, quando ainda persistia na esperança de conseguir dormir e acordar no horário certo mas acabava abrindo seus olhos para o breu completo de seu quarto. A partir daquele dia, ele decidira que não iria mais dormir, ficaria acordado até o esgotamento levá-lo ao sono, fosse estudando ou treinando, qualquer atividade que lhe tirasse a energia. Enquanto os alunos da classe 1-A de heróis iam para seus devidos aposentos, ele se encolhia no sofá, procurando por algo para assistir no televisor e esperando para que um evento além do óbvio tomasse seus sentidos. As primeiras tentativas surtiram um efeito desejável, seus olhos perdiam para o cansaço e tudo com o que ele tinha que se preocupar era acordar antes dos outros, para que ninguém notasse seus hábitos atípicos.
Mas alguém notara, digo, alguém pensara numa forma de entender o que realmente estava acontecendo com ele.
— Kiri, o que houve?
A sala de estar já perdera toda a sua movimentação quando ele se perguntava em que momento Ashido o deixaria enfim sozinho, até ela resolver perguntar algo que ele não queria responder, se é que ele sabia como responder.
— Sobre o quê você 'tá falando?
— Você tem agido estranho e não fuja da minha pergunta. O que houve Eijirou?
Para ela fazer uso do nome dele, significava que seria difícil simplesmente fugir daquela situação apenas com uma desculpa esfarrapada.
— E antes que pense em me enrolar, não sou só eu que notei a mudança em você. Eu fui a única que resolveu saber do motivo, por isso seja sincero comigo.
Eijirou suspirou. Ashido era alguém difícil de enrolar.
Mas ter que dizer em voz alta o motivo dele estar dormindo mal lhe era estranho. Até aquele momento, ele não se perguntara o porquê de estar passando por aquilo, nem se questionara do motivo. Ele apenas fugia, apenas evitava procurar o cerne daquilo que o cansava a cada dia que passava.
— Eu tenho tido pesadelos, não consigo dormir direito, já faz uma semana que isso tem acontecido.
— Que tipo de pesadelos?
— O quê?
— Que tipo de pesadelos são Kirishima? Existem vários tipos de sonho e a maioria deles são referentes a assuntos que você vive diariamente.
— Nunca tinha pensado dessa forma.
— Então pense. Vou pegar algo para comermos enquanto isso, e nem pense em fugir espertalhão.
Dito isso, Ashido saíra do cômodo a passos rápidos e no mesmo instante, Eijirou sentiu medo - um medo que ele não sentia a tempos - uma sensação amedrontadora que corroía seus sentidos o fazendo olhar freneticamente pelos móveis da larga sala de estar, onde algo sem forma esperava para atacá-lo sem dó. Esse medo o fazia se sentir como uma presa indefesa, tremendo de medo e pavor, quando tinha toda a capacidade de ataque para se defender.
— Voltei! Achei algumas maçãs dando sopa na geladeira, acho que ninguém vai notar. Você gosta de maçãs, Kiri?
Quando não teve uma resposta de pronto, Mina voltou sua atenção a Eijirou e percebeu que o corpo dele tremia.
— Kirishima!
Ele dera um pulo, a encarando assustado.
— Certo, parece que isso é mais sério do que imaginei- aqui, coma a maçã.
Sem seu topete marcante, Eijirou parecia um garoto comum - com sentimentos comuns, com medos comuns - encarando uma fruta vermelha como se fosse pela primeira vez.
— Desculpe.
— Tudo bem, só quero que me diga o porquê de estar assim.
Ele agarrou os cabelos, a maçã com apenas uma mordida esquecida no sofá.
— Eu não sei! Eu só fujo de algo que eu nem sei o que é, eu tenho medo de fechar os olhos e isso me perseguir! Eu não quero ser pego e eu nem sei como isso começou!
— Você está com medo.
— Eu sei disso Ashido!
— Não Eijirou, você tem medo. É por isso que não consegue dormir- me diga, do quê tem medo?
Se ele soubesse do que tinha medo nada disso teria acontecido, para começo de conversa entretanto, se esse era o motivo para ele ter tantos sonhos ruins então, qual seria seu maior medo? Pensar dessa forma o fazia se lembrar de antes de entrar para a Yuuei, de quando admirava a força que Ashido tinha para lidar com os problemas que surgiam a sua frente e de como ele nem sequer tentava enfrentar os que ele próprio criava.
— Tenho medo de falhar. Nos meus sonhos eu sempre estou fugindo, correndo ou caindo, indo por um túnel negro, fugindo de algo que não vejo por puro instinto, por puro medo. Isso ajuda?
Os olhos negros de Mina aumentaram de tamanho e um sorriso largo apareceu em seu rosto enquanto ela balançava a cabeça positivamente.
— Ajuda bastante mas Eiji, você não precisa mais se sentir assim sabe, não tem realmente um motivo para você temer a falha. Errar é algo necessário para nós, faz a gente saber onde precisa melhorar e como melhorar. Não é porquê temos quirks que somos invencíveis.
— Eu sei disso mas então, por que sonhei com isso?
— Porque você não aceita isso, é algo que te incomoda tanto que te fez ter sonhos sobre.
Eijirou suspirou. Era ótimo ter uma resposta mas ainda assim, ele não tinha a segurança necessária para dizer a si mesmo que isso não o incomodaria mais.
— Como eu faço isso parar Ashido?
— Aceitar que você não é imbatível seria um bom começo mas, te conhecendo do que jeito que conheço, isso não vai funcionar.
Era raro ver um semblante sério no rosto cor de rosa dela, Mina sempre pareceu vibrante e inquieta, era difícil sequer de imaginá-la desse jeito.
— Tive uma ideia! Fique quietinho aqui que eu já volto!
Eijirou mal teve tempo de dizer algo, ela já havia seguido por uma reta completamente diferente da que tomara da última vez, o fazendo se lembrar da maçã que havia deixado pela metade minutos atrás.
Ele pode ouvir sons não muito felizes vindo dos andares de cima, o que indicava algo que ele não esperava que fosse acontecer. Minutos mais tarde a sala de estar estava cheia novamente, todos os alunos que compunham a classe 1-A estavam acomodados em algum lugar do cômodo, em seus pijamas, estirando futons pelo chão, se preparando para algo enquanto olhavam Eijirou com simpatia.
— Certo pessoal, vamos lá! - disse Mina se sentando ao lado dele — Kirishima tem tido problemas para dormir, porque ele se recusa a falhar e como ninguém aqui se importou em saber disso além de mim, vocês vão ajudá-lo a lidar com a cabeça dura dele.
— E porquê eu vou querer ajudar ele? - Mineta não parecia nem um pouco feliz em ter sido acordado no meio da noite.
— Porque somos uma equipe e devemos nos ajudar em momento de necessidade, idiota.
— De todas as pessoas, você era a última de quem eu esperava um comentário desses, Bakugou - disse Ochako.
E assim, de repente todos falavam ao mesmo tempo, fazendo Eijirou rir como a alguns dias não o fazia como Mina ao seu lado, que também fora contagiada o cutucando enquanto ambos perdiam o fôlego em meio a risadas.
— É estranho pensar no Kirishima agindo dessa forma.
— Izuku!
— Mas é verdade, ele não parece ser alguém que se recusa a ver seus próprios erros. Eu imagino como deve ser ruim não dormir por causa disso.
— Eu costumava não dormir bem antes de um teste, é normal passar por isso quando estamos ansiosos por algo Kirishima - apontou Tsuyu.
— É verdade, se eu ia para cama sem ter feito tudo o que eu queria durante o dia, demorava muito para pegar no sono. As vezes eu varava a noite enquanto não fizesse o que me incomodava.
— Parece algo idiota.
— Alguém que não consegue lidar com o que sente dificilmente tem pesadelos?
— Não é isso, parece idiota você ser capaz e não reconhecer isso. É como dar uma rasteira em você mesmo. Idiota.
Todos ficaram quietos por um momento, até Mina soltar o óbvio.
— Isso foi muito sábio Bakugou.
— É realmente difícil de vê-lo como a voz da razão.
— Qualquer coisa que saia da boca dele além de palavrões é difícil de engolir.
— Ei! Não é por minha causa que estamos aqui!
— Nisso ele está certo. Eu adoro festas do pijama mas honestamente, será que podemos dormir agora? - dissera Toru — Se você acordar no meio da noite e precisar conversar com alguém Kirishima, todos estamos aqui dispostos a ajudá-lo.
Eijirou se sentia quente, ele tinha certeza de que não era apenas uma sensação de afeto, era quase certeza de que seu rosto estaria tão vermelho quanto seu cabelo.
— Obrigada pessoal.
— Agora vamos dormir!
Demorou um pouco até que ele conseguisse um lugar confortável para deitar e depois disso perdeu mais algum tempo observando seus colegas de sala adormecidos pelo cômodo notando de soslaio Ashido estando próxima a ele, em uma posição engraçada, dormindo tranquilamente. Algo dentro dele dizia que naquela noite ele não teria pesadelos, que ele poderia fechar os olhos e nada naquele prédio o ameaçaria. E quando menos percebeu, Eijirou havia adormecido.
Ele corria, corria muito, podia ver claramente uma calçada sem fim iluminada por um pôr do sol cor de laranja, como nunca havia se dado o tempo de observar e havia uma criança correndo ao seu lado, uma garotinha sorridente e olhando mais atentamente, aquela pequena figura tinha o cabelo e a pele rosada, com um par de chifres amarelos no topo da cabeça.
Ele imaginava se Ashido fora assim quando mais nova.
Obrigada por ler!
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doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

arquivos gerais
※ fanfictions e marcadores
Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

(atogaki) sotsugyousei
※ blogues singulares e os créditos
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and glenthemes (google fonts, sadthemes) background made with nichi and fotor, color palette in coolors (timely!! album cover anri) icons by b-aware, annicon, animeicons, sundry, recadreuse, trilies, vuvuzela, dulcinea, hawkeye, 1000dreamers. thank u ♥ |
quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.