Onde está o coração?
※ 6 de junho de 2020 (10:08 AM) + comentários (0)
o tempo está nublado, existe uma dor insistente na minha coluna vertebral bem atrás dos pulmões, meu peito se aperta, sai de casa mais uma vez com rumo aquele lugar, o lugar onde minha mãe nasceu e onde me acostumei a passar tantos natais, me acostumei a uma vida que nunca foi a minha, eu não voltei aquele lugar por anos e agora volto para ir em um dia e sair no outro.
a garganta aperta, chove muito lá fora, eu tento acalmar meu coração, tento apreciar a névoa sobre as colinas, o céu cinza, o carro indo rápido o verde ladeando a pista, os bananais mas por algum motivo, lágrimas caem dos meus olhos. já sinto saudade de casa.
placas de cidades vão passando, uma atrás da outra, letreiro atrás de letreiro e eu tento me lembrar de quando costumava fazer essa viagem de ônibus, com a minha tia e ela me dizia a contagem até chegarmos ao nosso destino, eu não me lembro mais da contagem.
há tanto verde, as pistas cortaram tanto verde para ligar uma cidade a outra, árvores densas, pequenos caminhos feitos na terra, as placas amarelas, tudo se reflete na pista molhada.
o aperto no coração cede, da espaço ao cansaço, meus olhos se fecham inúmeras vezes, a paisagem continua nublada, as outras pessoas conversam no pequeno carro, mas eu me sinto longe, em outro lugar.
- junk-yard dog
eu sei que estamos perto do destino quando algo me lembra da rodoviária de registro e essa parece ser a única coisa gravada na minha memória.

a estrada para o sítio é composta de barro e quase não existe sinal de vida pelo caminho, só barranco e mato. tem um lago também, mas hoje ele está coberto de verde, quase não o vi quando passamos por ele.
ainda estava claro quando chegamos, o sítio mudou, as casas se aproximaram e tudo parece menos colorido do que me lembrava, a árvore que trazia sombra no verão foi cortada, o cheiro que eu só sinto naquele lugar permanece e minha avó encolhida numa cama, a voz pequena, encolhida, não querendo nos ver.
ainda há vida, meus avós não estão sozinhos e ao menos estando aqui tenho certeza de que os dois estão em boas mãos, minhas tias, meus primos que mal me conhecem, todos estão aqui para eles.
eu me esqueci do quão barulhentos meninos podem ser, também não imaginava que encontraria alguém para conversar até altas horas da madrugada.

curioso, eu vim visitar uma avó doente quando a outra completa aniversário, meu coração fica dividido enquanto vejo uma desfalecer na cama e a outra me atende com um sorriso no rosto.
eu quero que as pessoas importantes melhorem, fiquem fortes mas isso não depende apenas de mim, depende delas.
crianças me irritam mas, tem algo irritante e adorável nas crianças daqui, esperneios e olhares tensos quando um pacote de marshmallows é aberto, uma tranquilidade enquanto um bolo de laranja é feito e um jogo de xadrez sem regras é disputado, as crianças daqui tem um senso diferente do das crianças da cidade.
no sítio o tempo passa devagar, parece que aqui onde a modernidade chega a passos lentos o tempo tem seu próprio ritmo, o seu próprio tempo e mesmo com um celular na mão, pouco tempo consigo passar nele.
no natal, toda a família se reunia, havia festa e o sítio ficava cheio de gente, a família se reunia e tudo ficava acolhedor, risos bebidas crianças inquietas até altas horas, ontem a família se reuniu mais uma vez, tias vieram nos ver, bebidas, brincadeiras, até mesmo minha avó se animou saindo mais vezes da cama e a lembrança que tinha quando nova retornou.
todas as tias e primas estavam reunidas em uma mesa, conversas e fotos eram tiradas para marcar aquele momento, números eram trocados e em álbuns de foto antigos encontrei a criança que ainda se lembrava dos velhos tempos e eu não quis chorar, apenas sorrir.

no dia de nossa partida, o sol raiou como quando eu vinha para cá no verão, tão quente e bonito, o verde das árvores iluminado tudo iluminado, já não havia toda aquela movimentação de gente mas a sensação era igual a das minhas lembranças, os abraços calorosos pedindo para que nós voltássemos rápido, o aperto de mão forte de minha avó na cama sendo a última sensação que necessitava para fazer aquela viagem valer a pena.
quando o carro passava pelo lago coberto, onde flores se destacavam em meio ao verde que o cobria, me lembro que uma toalhinha que havia trazido comigo ficou para trás, pendurada no varal.
são quase onze anos desde a última vez que coloquei meus pés naquele sítio, onde brinquei andei, corri, me machuquei, senti saudade de casa, torci o nariz para o jantar e tantas outras coisas das quais não me lembro completamente, onze anos é muito tempo e muita coisa mudou e não mudou também, a família da minha mãe é engraçada mas sinto que é mais unida do que imaginei, quando um adoece, todos sentem, quando um sorri, todos sorriem e quando todos estão juntos é só alegria e isso é tão bom, porque hoje eu sinto que entendo isso melhor do que quando era pequena.
sinto que entendo melhor minha mãe agora, sinto que muitos pontos agora são ligados com facilidade, poder conversar com adultos como adulta muda a cabeça da gente, conversar com crianças com certa maturidade também - e garotas são mais sensatas que garotos!
admito que fiquei contente em ver que minhas primas que tem uns oito anos de diferença comigo, estão da minha altura e gostam das mesmas coisas que eu, é bom ter com quem conversar sobre filmes e animes, e ainda sair de lá querendo voltar a ler nanatsu no taizai e começar kimetsu no yaiba.
- kimetsu no goiaba
vou embora gravando em meu corpo as sensações que tive e senti lá, para que elas se prolongassem pela eternidade de um dia.

dedico estes poemas a minha mãe, a mãe dela, as minhas primas queridas, as minhas tias e ao meu pai que me fez mudar de ideia, obrigada. mais fotos da viagem ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
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doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

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Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.