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{ oneshot } Killing me softly.

※ 25 de julho de 2020 (6:12 PM) + comentários (2)
Julho tem sido um mês muito bom e agradável para minha pessoinha, e eu nem consigo me sentir mal sobre isso pois eu não tenho um real motivo para tal. Mas não pensem vocês que ele foi cor de rosa em todos os seus dias até o presente momento, pois passei alguns deles remoendo sobre o quê e como escrever e em outros, me sentindo irritada com a minha irmã, e nada disso me abalou pois sempre acabava encontrando uma saída para essas inquietações. Um aditivo para essa maré agradável talvez seja meu pai finalmente ter tirado férias depois de muito tempo e, poder passar mais tempo com ele vendo filmes ou acompanhando séries me tem sido muito benéfico pois percebi que sentia falta disso - principalmente do tempo extra que ganhei para produção de texto enquanto ele esteve preparando o jantar!

No meio disso mudei o que tinha em mente para esse mês muitas vezes e, entre dois rascunhos de oneshot que tinha para publicar acabei criando um do zero e, se não bastasse isso, me inventei de usar um universo alternativo onde as pessoas podem morrer de amor através de uma doença chamada Hanahaki. E se quiserem saber mais sobre ela, vou deixar explicadinho nas notas finais.


[ killing me softly - lucyxatsushi - bungou stray dogs ]

Doía. Apenas doía. Era uma sensação incômoda bem no coração, uma sensação que não era apenas emocional mas física. Como se algo sólido e pesado crescesse dele a cada batida dada. A respiração falhava, não fluía como sempre pois essa solidez crescia e subia pela garganta - como uma erva daninha se espalha em um lugar indesejado - e tudo que Lucy sentia era dor.

As vezes ela gostaria de poder chorar dada a dor que sentia, mas isso atrapalhava ainda mais a circulação de ar por sua traqueia, então ela apenas se continha.

Essa dor aumentava quando Atsushi entrava em seu campo de visão, com aquela mesma expressão de gatinho assustado de quando se conheceram pela primeira vez. Nesses momentos, algo parecia crescer em seu peito e subir pela garganta com mais voracidade, algo que coçava e incomodava, a fazendo ter pequenas crises de tosse.

O gerente do café onde trabalhava se preocupara com isso, mais ainda quando seguido das tosses, pequenas pétalas brancas saíam da boca de Lucy.

Depois disso ela começara a ganhar um forte cheiro de laranja.

"Você está apaixonada", fora o que sua colega de trabalho dissera, e antes que ela pudesse perguntar como ela sabia disso a mesma acrescentou, "as pétalas de flor querida, elas são um claro sinal disso".

Fora assim que Lucy descobrira que tinha a doença de Hanahaki.

E consequentemente, que estava perdidamente apaixonada por Atsushi.

Ela levara mais de um dia para entender como aquilo funcionava. Que seus fortes sentimentos a fizeram ficar doente, fadada a ter uma flor crescendo dentro de seu peito e que, se ela não fizesse algo a respeito, poderia morrer por tudo aquilo que sentia - e essa parte especificamente, a assustara.

Lucy não queria morrer por estar apaixonada. Por amar alguém tão idiota quanto valoroso como Atsushi, mas só de imaginar em dizer isso a ele, a morte nunca lhe pareceu tão convidativa.

Mas as dores não cessavam e as pétalas apareciam aos montes.

E os clientes se perguntavam seriamente se havia um pé de laranja naquele café - pois mais tarde ela descobrira que a flor que crescia dentro de si, era uma flor de laranja. Ou mais de uma, pois agora não eram apenas pétalas que saiam de sua boca, mas flores inteiras.

As flores eram um mal sinal, a doença estava em seu penúltimo estágio. E tudo que ela não queria naquele momento era ter de tirar laranjas redondas de sua garganta.

Era frustrante.

Respirar era frustrante.

Sentir seu peito pesar mais a cada vez que tentava fazer o ar passar era frustante.

Ver Atsushi lhe sorrir de forma gentil sempre que entrava no café era frustrante.

Era frustrante não conseguir ser honesta consigo mesma e dizer a verdade a ele.

Tanto o gerente quanto sua colega de trabalho não lhe garantiam o sucesso completo em ter que declarar seus sentimentos mais profundos, mas pensavam que seria uma boa solução para as preocupações dela, pois nenhum deles poderia ajudá-la a bancar uma cirurgia para a retirada da flor.

E retirar a flor significava arrancar de si todos os sentimentos e lembranças que ela tinha dele.

Por mais que ele não sentisse o mesmo, ela queria ao menos tentar. Era isso ou esquecer completamente todas as coisas boas que ele a trouxera.

E ela não queria esquecer.

Desde o começo ela queria que ele tivesse um pouco de confiança nela, eles poderiam ser amigos depois de já terem sido inimigos.


Havia uma xícara de café a frente dele, ela estava sentada do outro lado da mesa. O peito se comprimia, a coceira no fim da garganta a incomodava mas com toda a sua coragem, Lucy dissera o que sentia por ele. Algo entre o "eu gosto de você", "confie em mim" e "eu posso morrer se não disser isso", que a rendera diversos olhares nervosos e expressões assustadas vindas dele.

Mas no final, mesmo com a surpresa que ela já esperava algo diferente surgira.

Atsushi mal tocara na xícara de café, estendera os braços sobre a mesa e pegara suas mãos. O olhar se tornara sério, mas tranquilo. Suas palavras foram honestas e um alívio tremendo passara por todos os nervos do corpo de Lucy, como uma corrente elétrica que, ao invés de estar levando sua vida a outro nível, a deixara completamente revigorada.

"Eu fico imensamente feliz em saber que não me odeia, Lucy!"

E ela gostaria de rir dessas palavras, adoraria poder dizer que ele era um idiota, se seguido disso não viessem as benditas flores forçando a saída por sua boca.

O cheio de laranja se intensificara na mesa.

O pequeno traço de afeto no gesto de Atsushi teve de ser quebrado para que ela conseguisse tirar as três flores inteiras que bloqueavam a passagem de ar em sua traqueia.

Dessa vez elas não estavam completamente imaculadas em branco, havia sangue pintando algumas de suas pétalas.

"É grave, não é?"

Ela só conseguia manear com a cabeça, inspirando todo o ar que podia.

"E por quê flores de laranja?"

Lucy conseguia sentir seus olhos aumentarem consideravelmente enquanto pensava na pergunta, em como ele soube apenas com o olhar quais flores eram aquelas, e tentava controlar sua respiração. Havia um motivo para serem flores de laranja, ela sabia disso, sua colega de trabalho havia dito isso, e ela até saíra em busca do que aquelas flores poderiam dizer mas- mas dizer isso a Atsushi seria tão constrangedor quanto ter se declarado a poucos minutos atrás.

As flores representavam como ela o via.

A flor de laranja representava gentileza, que a pureza dele era tão grande quanto o seu encanto.

Ela havia rasgado aquela página do livro da biblioteca e guardado no bolso para que ninguém além dela soubesse disso.

Mas se fosse para ela ser completamente honesta com ele sobre seus sentimentos, uma meia verdade não seria o suficiente. Assim ela deslizara um papel amarelado pelo tempo, e dobrado em partes bem pequenas, sobre a mesa.

O rubor no rosto dele fora o suficiente para ela.

Mas as lágrimas foram um pouco demais.

"Obrigada Lucy!"

"Atsu-", o ar falhava, faltava mas ela não sentia mais dor alguma.

"Eu não me sinto digno desses sentimentos, mas obrigada!"

Um sorriso aparecera em seu rosto, ela adoraria poder puxar a orelha dele por pensar tão pouco de si mesmo.

"Eu não sei se posso te dar algo a altura"

"Não tem problema, gatinho malhado"

"Mas você não vai morrer se continuar assim?"

Ela inspirou o ar profundamente e, como se fosse a primeira vez que aquilo acontecia, ela conseguira sentir o ar cortando sobre a solidez que parara de crescer em seu peito.

Parecia que ela não queria ter seus sentimentos retribuídos afinal.

Tudo o que Lucy queria era que ele, que aquele completo idiota, enxergasse seu próprio valor. Todo o valor que ele mostrara para ela tantas outras vezes, mas não os via em si mesmo.

"Não mais"

"Como você se curou tão rápido assim?"

"Pelo jeito não é só você que tem essa habilidade"

E antes que ele pudesse retrucá-la, duas xícaras foram colocadas sobre a mesa. Só que ao invés de café, havia chá nelas. Com um aroma que Lucy não sentia mais como sendo parte dela.

Chá de laranja.

Chá feito pelo gerente do café, que tinha uma excelente especialidade em fazer café amargo.

"Experimentem, esse será o mais novo item no nosso menu"

E naquele momento ambos estavam constrangidos, mas o calor daquele líquido amarelo passando tranquilamente pela traqueia de Lucy, a fez ter certeza de que toda a dor que sentira nas últimas semanas - no último mês - não fora sem motivo. Muito pelo contrário. O motivo estava bem ali, a frente dela.

"Está delicioso!", disseram ao mesmo tempo, o que deixou o gerente contente.

Agora ela tinha certeza.

Lucy estendeu uma de suas mãos sobre a mesa, com a intenção de que ele a segurasse. Quando suas mãos se tocaram, ela segurou com força e disse algo que retumbou em sua mente pelo resto daquele dia.

"Você tem uma amiga em mim, não se esqueça disso! Quando precisar de algo, eu estarei aqui para ajudá-lo Atsushi!"

Era isso que ela queria desde o começo. Um amigo. Alguém com quem ela pudesse contar. Alguém que ela tinha certeza de que não a deixaria sozinha.

E aquele gato malhado era esse alguém, ela tinha certeza.

  • Para começo de conversa, a doença de Hanahaki é fictícia. Ou seja, ela não é real.
  • Ela foi criada a partir de um shoujo chamado Hanahaki Otome, de Naoko Matsuda, e se popularizou como um universo alternativo nas fanfictions da vida.
  • A doença possui três estágios e três formas de tratamento. Surgindo a partir de fortes sentimentos que não são retribuídos. Esses sentimentos dão origem a uma flor, que cresce no peito da pessoa a impedindo de respirar e consequentemente, a matando pelo seu próprio amor.
  • Seus sintomas vão de dor a falta de ar, devido as flores que crescem no peito. Estas flores aparecem em três estágios. Pétalas para flores inteiras para o buquê, que seria o estágio fatal, causando morte por falta de ar.
  • As formas de tratamento são a de se declarar e ter seu amor correspondido, fazer uma cirurgia e perder todos os sentimentos e lembranças quanto a pessoa, ou morrer de amor.
  • Caso queiram alguns links, tenho esse e esse.

Acreditem ou não mas esse é o texto mais fresquinho que vocês lerão esse ano, pois comecei ele ontem e o terminei a poucas horas atrás - depois de três rascunhos seguidos, achei esse o melhor - e por mais que tivesse lá uma curiosidade em escrever sobre essa doença, ela foi muito chata de se trabalhar, por isso resolvi sair do molde original e dar a minha visão a ela. Já que as flores surgem pelo sentimento, você tomar consciência deles ao se declarar também pode ser um meio de cura. Pelo sim, pelo não, reconhecer o que se sente também alivia, mesmo a pessoa não sentindo o mesmo, e espero ter conseguido passar essa ótica através da Lucy. Que eu sei que realmente gosta do Atsushi!

  • Usei a flor de laranja por ela ter um significado muito aquém do que imagino que ela sente pelo Atsushi.
  • Flor de laranja (citrus sinensis): gentileza, sua pureza é tão grande quanto o seu encanto.
  • Algumas características dessa flor é que são aromáticas, solitárias, pequenas e brancas, com cinco pétalas.
  • [ autumn&vanessa's voice ] strumming my pain with his fingers, singing my life with his words, killing me softly with his song- killing me softly with his song, telling my whole life with his words, killing me softly with his song 𝅘𝅥𝅮

Obrigada por ler!

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Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
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