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{ drabble } The duty of love.

※ 27 de setembro de 2020 (3:37 PM) + comentários (3)
Como já penei o suficiente com o meu rascunho anterior, tentei fazer deste algo mais leve. Por mais que, durante o preenchimento de lacunas acabei percebendo um detalhe que sempre deixo passar no processo de criação, nem todos vocês de fato conhecem as obras de onde empresto os personagens para escrever sobre e, por mais fiel que eu tente ser alguma coisa sempre me escapa. Com esse rascunho +30072019+ por exemplo, eu só queria escrever sobre um momento entre Haida e Retsuko. Onde ele tocava baixo e ela apreciava o som e, isso passava longe de ser real até a terceira temporada surgir e eu ficar com um monte de interrogação e exclamação no topo da cabeça, pois Rarecho roubou as minhas ideias antes mesmo de eu sequer publicá-las!

Acho que é isso, por hora eu não escrevo mais nada para Aggretsuko. Tô cansada.


[ the duty of love - haida centred - aggretsuko ]

A primeira vez que ouvira Retsuko cantar, Haida estava podre de bêbado. Fora em uma das muitas confraternizações do escritório de contabilidade. O chefe do setor, senhor Porcão, a desafiara para uma disputa no karaokê, mas quando suas pequenas mãos seguraram o microfone, numa disposição vacilante de enfim cantar algo bem, ele já nem conseguia distinguir o que ouvia com precisão.

E por mais que ele se lembrasse de algo vagamente, além de sua forte torcida por Retsuko, fora tudo completamente apagado de sua memória com um golpe certeiro da própria em sua nuca. Naquele momento, tudo o que ela queria era apagar da memória de qualquer pessoa existente a vergonha que sentira ao ceder as provocações de seu chefe, e cantar.

Se é que aquilo era cantar, no sentido mais simples da palavra.

Logo, a surpresa que Haida sentiu ao vê-la cantar pela segunda vez não poderia ser mais genuína.

Ou era isso que ele esperava sentir, caso descobrisse algo que não conhecia vindo de Retsuko mas a realidade passava longe disso. A verdade era que ele não conseguira distinguir uma emoção forte o suficiente para valer a descoberta, quando o que escutara mais parecia ser algo natural.

Algo que não a deixava tão distante dele, como imaginava.

E dado o tempo certo, mesmo depois de ser rejeitado duas vezes, ela passou a se aproximar dele.

E ao menos assim, Haida se sentia como parte de algo. Como se sua necessidade incessante de estar perto dela, zelando por ela, finalmente estivesse sendo saciada.

Seus dedos dedilhavam uma melodia incompleta que ele havia composto anos atrás, quando ainda estava aprendendo a dominar as cordas do baixo. Indo e voltando. Depois de tanto tempo, ela passou a ser um praxe a ser tocado sempre que pegava o instrumento.

Retsuko se espreguiçou sobre o sofá da pequena sala de estar, deixando sua cabeça alinhada a dele que estava sentado no chão.

— Essa é boa.

— 'Cê acha?

Ela balançou a cabeça afirmativamente, uma de suas orelhas roçando no lateral do rosto de Haida, o deixando ainda mais vermelho.

Nota de que ele ainda ficava vermelho na presença dela.

— É calma.

Seus dedos pararam, cobrindo todas as cordas para que parassem de emitir som.

— Mais o baixo não é calmo.

— E eu não entendo de música, então estamos quites!

  • Umas notas de rodapé que ninguém vai se interessar, mas vale ressaltar. Rarecho é quem fez Aggretsuko acontecer. Ele não tá só por trás da produção e roteiro como também, é ele quem faz o death growl da Retsuko! Se não me engano, a esposa dele também ajudou no andamento do anime.
  • Originalmente, a Retsuko era uma personagem única, sem anime nem nada. Ela foi criada pela Yeti para a Sanrio e depois pensaram no "algo a mais", se não me engano tem um documentário na Netflix sobre isso.
  • Na minha cabeça eu tinha muito claro o cenário dele tocando baixo para ela, mas na real o que aconteceu foi ele ajudando ela a aprender a tocar guitarra. Ao menos isso não muda a essência dos dois juntos com um instrumento no meio.
  • E se possível leitores deste clube, que leem o que publico, deem uma chance a Aggretsuko. É bem legal e eu não minto.

Obrigada por ler!

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Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
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