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Como o medo pode levar a insanidade.

※ 15 de outubro de 2020 (11:59 PM) + comentários (1)
Já são nove anos desde que passei pelo primeiro ano do colegial e acreditem, eu sei o quão batido é ter de ficar repetindo isso de postagem a postagem por aqui mas, o que posso fazer quando justo naquele ano eu conheci coisas tão incríveis - e tão doloridas também? Tive de abrir mão de muitas coisas que me eram importantes ou eu pensava que eram, em busca de crescer e mudar de alguma forma. Recebendo em troca, algo que carregaria comigo mais intensamente do que sequer poderia imaginar, nos anos seguintes da minha vida. Dá para acreditar que se não fosse por uma mera pessoa, um mero desconhecido, essa pessoa que vos escreve agora talvez nem existisse de fato? Eu provavelmente teria outras coisas em mente, talvez tivesse guardado mais dinheiro, mas é quase certeza de que eu não seria tão aficionada por mangás hoje em dia se não fosse pela influência dessa mera pessoa. Talvez eu demorasse mais tempo a desenvolver o carinho que tenho por Soul Eater hoje em dia, ou quem sabe ele nem sequer chegaria a existir.


Lembro que de primeira eu apenas assisti ao anime, depois consegui manter parte da coleção de vinte e cinco volumes do mangá e quando dei por mim, tudo o que tinha na cabeça eram cenários e ideias sobre os personagens que tanto gostava e eu só escrevia. E escrevia, e escrevia, até formar uma modesta coleção de vinte e poucas fanfics sobre as figuras de Soul Eater. Eu sempre me ative muito ao universo original mas, conforme ia evoluindo na escrita, acabei extrapolando na criação e fazendo dele o meu próprio universo. Conforme publicava meus drabbles e oneshots, fui percebendo que em algum momento eu teria que ao menos, escrever sobre a trama original, fosse para dar sentido a todos os spoilers que colocava nas minhas fictions, fosse para apresentar de fato a trama para quem já havia lido o que eu escrevia - mas algo pequeno, que me motivou a isso foi ter descoberto que muita gente nem sequer havia terminado o anime! Eu não sei dos motivos de vocês mas, eu queria ao menos expressar algo atrativo a respeito do meu título favorito, algo que os deixasse a par de tudo o que perderam - ou não perderam, não estou aqui para julgar ninguém.

Mas caramba, como foi cansativo pensar numa maneira cool o suficiente de expressar isso!


A princípio, a trama de Soul Eater parece ser bem simplista. Digo, a primeira vista há apenas um objetivo em vista dos personagens, coletar almas corrompidas e aumentar a capacidade de ataque de uma arma mas, isso em poucos capítulos se mostra sendo apenas a ponta do iceberg. Há um motivo maior por trás dessa coleta de almas corrompidas e, graças a ele tive a ideia de dar aquele título ali em cima a essa postagem. A grande batalha que é desenvolvida de forma lânguida na trama de Soul Eater é contra a insanidade, ou melhor dizendo, contra o foco da insanidade. E pode até parecer que aqui eu já estou dando toda a trama de bandeja mas, longe disso, como disse essa batalha é travada de forma lânguida enquanto nós, meros leitores, acompanhamos todas as pequenas ramificações dessa insanidade pegajosa que é capaz de fazer qualquer alma sã, se perder numa liberdade de restrições.

Eu não diria que toda a mitologia da série se baseia apenas nisso mas, a insanidade aqui é um valor a mais, ela pode se encaixar como o "grande vilão a ser detido" mas muito além disso, é algo que nos inclina a pensar. Em Soul Eater, tudo depende de como você enxerga os personagens, pois são eles que nos mostram todas as ramificações da insanidade, mescladas a suas próprias inseguranças em meio as ocorrências que surgem ao longo do caminho que trilham. Como exemplo mais claro disso eu citaria Maka Albarn. Ela é o melhor destaque que tenho disso pois, enquanto artífice de foice, lutando para atingir a contagem de cem almas para fazer de sua foice uma arma da morte, ela enfrenta uma pluralidade de emoções. Seja em relação a seu medo de não ser boa o suficiente, a ter seus credos questionados, a descobrir de fato contra o quê ela teria de lutar contra - isso somado a sua arma que, por mais em sintonia que esteja com ela, também esconde suas próprias inseguranças.


Maka é alguém que em meio ao medo, adquire coragem. Logo quando todas as suas chances são mínimas, ela encontra uma saída, uma solução no pior dos cenários. E é ela quem mais se destaca na disputa contra a insanidade, pois se recusa a dobrar seus ideais em nome de algo que prega a desordem. Só não se esqueçam de que ela não está sozinha, aqui ela só me serve como exemplo mesmo já que, perto de outros personagens, Maka é a única humana que consegue chegar em pé de igualdade perto de um shinigami, por exemplo. Aliás, algo que eu gostaria de mencionar também é a exacerbação na personalidade de alguns personagens - é provável que isso incomode de início mas acreditem que até mesmo isso tem seu charme.

Aqui a insanidade é um valor oposto a ordem, é aquilo que liberta qualquer alma da 'pressão' que a realidade impõe. Quando uma alma cede a insanidade, ela abre mão de qualquer valor de consciência, qualquer pensamento lógico, qualquer preocupação que lhe permeie a cabeça. É isso que a insanidade representa nesse universo, é uma resposta ao medo de falhar, de não ser suficiente. Como uma evolução a esse sentimento. Aqueles que cedem a insanidade acabam tendo suas almas corrompidas, e como eu já disse mais acima, almas corrompidas são usadas para aumentar a capacidade de ataque de uma arma.

Este é o coração de Soul Eater. A alma.

Caso vejam, ou tenham visto o anime, ele começa com uma frase que só é dita de verdade no sétimo volume - depois do grande ato, onde a trama encontra seu clímax. "Uma alma sã reside em um espírito são e em um corpo são" e, curiosamente essa frase acaba sendo um ótimo contra ponto ao que a insanidade prega. A alma aqui é tão importante quanto o corpo, quanto a casca que abriga essa energia que muitos não creem que de fato exista, ela é fonte de energia e força e quanto mais forte for uma alma, mais forte é a pessoa. Esse é o motivo que me faz gostar tanto de Soul Eater, o valor e atenção que é dado a alma - e os cenários colocados nelas, pois cada alma é diferente logo, como elas seriam por dentro? Refletindo todas as emoções e sentimentos mais profundos de uma pessoa? A forma como o autor transmite isso é quase genial, mas essa é só a minha opinião falando alto aqui - só não se esqueçam de que todos possuem almas nessa história, sejam eles humanos, shinigamis ou bruxas.


E quase que eu me esqueço delas! As bruxas são aquelas que dão movimento a história. Há um motivo mais hm, profundo para tal mas por hora, tenham ciência de que são elas que fazem a trama de fato acontecer. Elas são poderosas e destrutivas, suas almas são as mais poderosas e também, aquelas que fecham a contagem de cem almas que fazem uma arma ganhar força total, mas conseguir a alma de uma bruxa é a pior tarefa que alguém poderia receber. E até dado momento, apenas as górgonas figuram nos arcos mais importantes da história, e são elas o motivo das ondas desenfreadas de insanidade, já que uma delas acaba libertando o foco da insanidade.

As bruxas são o movimento, a insanidade é o combustível, a alma é o cerne e os personagens são aqueles que nos inclinam a pensar sobre esses três pontos de maneiras diferentes. Acredito que dependendo de quem lê (ou vê) Soul Eater pode ser interpretado de maneiras diferentes, como algo repetitivo, eletrizante e até mesmo filosófico - já que seus personagens questionam muitas vezes a validade de ordem e existência. O mais interessante porém, é a resolução disso tudo. A forma como a insanidade é contida - ou vocês pensam que existe a possibilidade de algo tão volátil como o foco da insanidade ser erradicado? Se vocês pensam dessa forma, então vão ser surpreendidos, e se querem um conselho meu, eu diria para começarem essa aventura pelo anime. De verdade, a animação foi muito bem feita! Os tons e cores escuras, enaltecem o cenário quase gótico onde a trama se passa, a trilha sonora é ótima (sem contar que acabei matando a saudade dela, nas muitas edições dessa postagem) e os personagens além de terem uma dublagem on check, são muito mais bonitos do que nos primeiros dez volumes do mangá - sem contar que as cenas de luta ficaram incríveis! É claro que ele toma lá suas liberdades criativas mas isso de nada influência no produto final, eu prometo.

Se gostarem do anime aí sim leiam o mangá, mas não invalidem um pelo outro. Se não me engano, a animação só tomou um rumo diferente por ter se aproximado dos capítulos recentes do mangá, e até mesmo trabalhando na possibilidade da Maka também ser uma arma e de ter derrotado o kissin sozinha, eles conseguiram acertar algo que viria a acontecer mais a frente na trama, então no regrets. Digo, tirando os fetiches mau velados do autor o negócio é bem feito, tem começo meio e fim. E fazendo um parêntese enorme aqui, queria deixar algo claro com relação ao autor de Soul Eater. Ele é um cara bacana, tem umas ideias bem fora da caixa e consegue colocar uns diálogos muito interessantes nos momentos mais absurdos mas caramba! Se esses malditos fetiches dele não tomassem o melhor dele, o spin-off que ele fez para Soul Eater e a série que ele inventou anos mais tarde, seriam melhores. Sério. Eu compro as ideias do Ohkubo mas eu mesma tenho os meus limites!


De forma breve, esse spin-off se passa antes da trama original. Ele explica mais sobre a dinâmica de aulas na Shibusen, nos mostra muita coisa que o autor provavelmente não se deu tempo de colocar na linha de tempo original e tá, ele é legal e se vira bem sozinho mas se querem a minha opinião, leiam (ou vejam, já que ele também foi animado) Soul Eater NOT! depois de acabarem com Soul Eater para valer. Sério, não tem muito sentido em você pensar que começar por ele vai te salvar de alguma coisa, porque não vai. Não vai porque a arte do Ohkubo já tá batizada no moe e quando você for ler Soul Eater de fato, vai rolar um estranhamento daqueles. Sem contar que coisas que ele coloca ali se validam mais quando você já tem um carinho especial pelos personagens - como o passado das irmãs Thompson ou a aparição da terceira górgona - mas isso fica por conta de vocês.

Enfim, para mim é isso que Soul Eater significa. É isso que me faz gostar tanto desse mangá, desse anime, dessa obra, a ponto de tê-la como a minha favorita. Relendo o mangá em busca de inspiração para redigir essa postagem eu tive plena noção disso, eu realmente sei tudo o que se pode saber sobre a trama, sobre os personagens e tentar suprir isso na hora de escrever me foi muito custoso (nem consegui encaixar a variedade étnica que o universo tem ou a ressonância da alma). A princípio eu queria fazer uma postagem bem megalomaníaca mas, conforme ia descartando rascunho após rascunho, perdendo a minha sanidade procurando pela melhor forma de descrever meus sentimentos, percebi que a melhor saída era a simplicidade. E a simplicidade são os valores que essa história trouxe para mim. Eu mal pude colocar todos aqui mas por hora, o que eu já fiz está de bom tamanho. Se esse meu dramalhão te deixou curioso quanto a Soul Eater, já é o suficiente. Pois eu tô cansada de ser uma das poucas remanescentes desse fandom! Bora aproveitar que é outubro e Soul Eater nasceu para ser apreciado nos mês das bruxas! Bora se divertir com a caralhada de referência que o Ohkubo colocou a bandas de rock e criaturas sobrenaturais e anagramas e coisa e tal nessa história pra lá de bagdá!
Como se eu fosse deixar de enaltecer o meu shipp mais que querido nesses gifs hm? Na real, eu não encontrei imagens boas o suficiente para ilustrar o meu texto, logo optei por esse set da única ending alegrinha de Soul Eater, a segunda, Style. Os icons encontrei nesse livejournal.

Listen to the beat of the soul!

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