{ oneshot } Chave para a morte.
※ 31 de outubro de 2020 (3:33 AM) + comentários (2)
É trinta e um de outubro e eu anuncio com muito contentamento o encerramento do primeiro e único Outubro Sobrenatural desse clube de artes! E um feliz Dia das Bruxas aqueles que gostam da data, é claro!
Estou satisfeita de ter começado e encerrado um projeto com sucesso e sem falhas. Publiquei meus rascunhos velhos, cumpri com minhas ideias e ainda por cima englobei um bom número de elementos sobrenaturais nesse mês, yayy! Pois bem, pois bem, não estava pensando em participar do tema desse mês no Together, mas calhou dele mexer com o meu senso criativo e cá estamos com um encerramento mais do que digno - basicamente a ideia é escrever um conto de terror tendo um determinado conjunto de palavras no meio, a escolha dos participantes. Mais abaixo está a peça que consegui, e espero que gostem, pois estou desacostumada a escrever algo sem relação a um título existente - com isso, concluo de que não sou boa em escrever contos de terror, não chego nem perto do roteiro de Halloween!11. abajur, barulhos, gritos, horror foi o conjunto que escolhi.

[ chave para a morte - drama club ]
É dito que se a luz emitida por um abajur, ao longo da noite piscar três vezes seguidas, algo pode acontecer. Se depois dessas três vezes, uma pequena constante de piscadas se seguirem, fique atento, a morte pode estar se comunicando com você. É um aviso. Nos tempos antigos, onde a eletricidade não existia era a chama das velas que se extinguiam, causando o pânico noturno.
Mas os tempos são outros logo, outros métodos se fazem necessários.
Nos tempos antigos o horror era maior, os gritos ecoavam pela madrugada com força, como se anunciassem algo terrível, mas era apenas um aviso. Um aviso de que o fim de sua vida estava próximo, mas que não seria a morte quem levaria sua vida para além desta terra. A morte não avisava, ela apenas vinha e levava mas, muito além de cumprir com seu serviço, ela respeitava o clico da vida. Todos os seres humanos possuem um tempo de vida necessário em terra, uma jornada a ser percorrida e a morte jamais quebraria esse ciclo logo, quando alguém o fazia ela procurava alertar a pessoa - não que isso desse muito certo.
Mas a Morte acreditava no poder que os humanos tinham em mudar seu próprio destino, então um susto valia a tentativa.
O abajur de Bianca já vinha piscando constantemente a algumas semanas, mas ela ignorava, pensava que talvez fosse mal contato da lâmpada e não fazia nada a respeito. Sua rotina era pesada o suficiente para que ela sempre esquecesse sobre detalhes como esse. Principalmente quando dormia debruçada sobre a escrivaninha, abarrotada por papéis. Ela também tinha sonhos recorrentes, sempre os mesmos cenários, sempre a mesma mulher enforcada em uma árvore velha no quintal do vizinho e no final, ela sempre acordava com um grito entalado na garganta.
Bianca não lidava com seus sonhos, ela os ignorava sempre que vinham e seguia com sua vida, na mesma rotina, nos mesmos passos. Acordando e dormindo e ignorando os pequenos detalhes ao seu redor por isso, em uma noite onde ela conseguira ir para cama mais cedo, algo mudara. Seus olhos estavam devidamente fechados, sua consciência a beira do sono, quando barulhos incomuns vieram de outro cômodo da casa. O som era diferente de qualquer outro, como se não pertencesse a sua realidade.
O abajur piscara três vezes, se apagando completamente em seguida, a fazendo se sobressaltar na cama. A porta se abriu, mas não fora sua mãe que ela vira passar pelo batente da porta.
Um peso se colocara a beira de sua cama.
A luz do abajur se acendeu, mais intensamente dessa vez.
Seus olhos nunca haviam visto algo tão nublado, e ela nem precisava de óculos para constatar que aquilo a sua frente, a menos de um metro de vista era escuro. Muito escuro. Uma aura negra a rodeava, emanando de seu próprio ser. Haviam braços e pernas, todos cobertos por uma camada de preto, assim como seu tronco mas, quando seus olhos tomaram o mínimo de coragem para encarar sua face, uma expressão neutra que beirava a raiva a encarava.
Era uma mulher.
Uma mulher que parecia estar irritada, por mais que seu rosto não fosse completamente nítido.
Um sensação estranha pesou em suas costas, quando ela mal processou o ato de se encolher na cabeceira da cama.
"Você é uma pirralha irritante, viu? Estou a mais de um mês tentando fazer você acordar e você continua dormindo!"
Ela pensou em gritar, mas nenhum som saía realmente de sua boca.
"Escute bem, pois vou dizer isso apenas uma vez. Se não tomar cuidado, você pode não acordar nesse mundo amanhã"
Seus tímpanos começaram a zunir sem parar, mas a voz dela era clara.
"Você colocou os pés no outro mundo quando fez essa tatuagem estúpida na nuca! O que pensou que isso era, uma cruz de proteção? Isso é uma chave para o mundo dos mortos, idiota, e agora os mortos estão vindo até você"
Chave? Ela não tatuara uma chave no fim do mês passado, era uma cruz, o próprio tatuador dissera que era uma cruz. A cruz dos egípcios, mas qual era mesmo o nome dela?
"Um anhk não é uma cruz, é uma chave. Somente o deus do mundo inferior a usava e ele nunca a carregava pela haste, era sempre pela alça. As pessoas que interpretaram da forma errada e agora idiotas tatuam isso no corpo, vê se pode!"
Os barulhos fora do cômodo se tornaram mais intensos, arranhando as paredes, entrando pelas frestas do quarto. Manchas negras apareciam claramente nos cantos do teto.
"Você colocou uma chave para os espíritos dos mortos bem na sua nuca e isso, isso vai te levar a morte antes da hora. É por isso que estou aqui, você ainda pode impedir isso"
O cômodo tremia e vozes sussurravam por entre as frestas mas, ao mero gesto de um dos braços dela, tudo cessou. A quietude mais clara e cristalina que a luz da lâmpada do abajur.
"Essa noite você não vai morrer, mas vai ter que dar um jeito nisso, e mesmo que cubra a tatuagem não vai adiantar. Uma vez que o outro mundo te vê, você estará marcada por toda uma vida"
Ela se levantou da cama, a escuridão dançando em sua presença. Seus passos não emitiam som algum e seu cabelo parecia se mover em câmera lenta, enquanto ela caminhava até a porta.
O zunido em seus ouvidos pareceu perder a intensidade conforme ela se afastava, assim como a trava em sua garganta deixava de existir.
"Mas quem é você?"
A feição azeda se iluminou em meio a própria escuridão.
"Aquela que vai levar a sua mãe daqui a um ano, por isso aproveite o tempo que ainda tem ao lado dela"
Quando a porta se fechou, a luz do abajur perdeu a intensidade, voltando a sua luminosidade original e a maçaneta dourada girou, dessa vez emitindo o rangido de sempre.
Foi nesse momento que Bianca percebeu que estava deitada sobre a cama, o edredom cor de laranja enrolado por entre as pernas e o grito que esganava sua garganta.
O suor empapava sua roupa de dormir.
Sua mãe aparecera no batente da porta.
— Outro pesadelo Bianca!? É o quinto nessa semana! O que diabos tem te acontecido?!
Sua respiração estava desregulada, seus olhos deveriam estar arregalados dado ao tom alto dela, enquanto entrava no quarto com o casal de gatos em seu encalço. O cabelo bagunçado e a camisola com a gola pendendo sobre um ombro, ao passo que se sentava sobre a cama.
A sensação estranha em suas costas se diluiu a mera presença dela.
— Filha?
Mas ela desaprendera a esboçar som.
— Bianca, diga alguma coisa. Se não disser nada como vou te ajudar?
Balançado a cabeça para os lados, procurando afastar qualquer sensação incomum do corpo, Bianca se sentou na cama encostando a coluna na cabeceira de metal torcido. Inspirando e expirando, observando a gata cor de caramelo subir na cama e se acomodar sob seus pés.
— Nut, não suba na cama dela.
— Tudo bem mãe. Tá tudo bem, eu só tive um sonho estranho.
— Um sonho que te fez gritar Bianca. Pela quinta vez nessa semana.
Seus olhos se fecharam, tentando relembrar tudo o que havia visto a meros minutos atrás. A sensação fora tão real que não parecia ter sido um sonho, ela sequer saíra de sua cama, francamente!
Mas palavras daquela mulher eram mais nítidas do que qualquer lapso de imagem.
Puxando o edredom sobre o corpo suado ela contou o que acontecera em seu sonho, se atentando as breves mudanças de expressão em sua mãe. Normalmente elas não tinham momentos assim, quando acordava assustada tudo o que fazia era virar para o outro lado da cama e tentar dormir mais uma vez, e na manhã seguinte tudo o que fazia era dizer que tivera uma boa noite de sono.
Por mais que sua houvesse dito certa vez, de que sonhos recorrentes não eram um bom sinal.
Eram mais como um daqueles avisos que lhe puxam pela orelha.
— Esse foi diferente dos outros, o zunido nos meus ouvidos foi horrível era como se eu estivesse paralisada.
— E foi só isso? Ela falou da sua tatuagem e foi embora?
— É, o que você queria?
Algo lhe dizia para não contar sobre a última frase dita por aquela mulher.
— Eu bem que te avisei que era uma péssima ideia ter feito essa tatuagem.
— Mãe, o ankh é uma chave para o mundo dos mortos mesmo?
O gato cinza pulara no colo dela, confortável sobre o tecido da camisola, a motivando a acariciar o animal por entre as orelhas. Geb parecia gostar desse tipo de tratamento.
— É, por isso mesmo somente Osíris o usava. Se gostasse de ouvir o que digo não teria escolhido esse símbolo como tatuagem.
Como se ela gostasse de escutar histórias de uma historiadora.
— E o que eu faço agora?
— Parece que alguém finalmente te fez acordar para realidade filha.
Geb soltou um miado.
— E Geb concorda comigo!
— Mãe!
Ela suspirou, balançou a cabeça para os lado, a olhou nos olhos e acariciou o topo de sua cabeça. Como se fosse ela um de seus gatos.
— Mãe.
— Uma vez eu li que só se detém uma maldição com outra maldição, o que acha disso?
— Eu estou amaldiçoada!?
— Não. Mas a intenção que tinha ao fazer a tatuagem pode ter influenciado nisso, e não me olhe com essa cara, você não vai morrer. Ao menos não enquanto eu estiver viva e você for minha filha.
"Eu sou aquela que vai levar a sua mãe daqui a um ano, por isso aproveite o tempo que ainda tem ao lado dela"
Nut se espreguiçou, voltando a se enrolar em seus pés.
— Eu fiz a tatuagem por causa do papai.
— Um péssima ideia, realmente.
Era por isso que ela não contava de seus pensamentos para a mãe, principalmente quando ela agia como se tivesse todas as respostas.
E ela tinha todas as respostas.
— Seu pai foi embora porque ele quis Bianca, você não teve nada a ver com isso, e fazer uma besteira dessas em revolta foi uma atitude muito imatura. Agora, veja o que conseguiu com isso.
— Desculpa.
— Não é a mim que deve desculpas filha, mas sim a você. Essa foi uma noite difícil, quer que eu durma com você?
Ela negou com a cabeça.
— Eu vou dormir com você.
Encolhida ao lado da mãe, em uma cama de casal que parecia ser maior que o normal, Bianca reviu seu sonho se atentando a todos os detalhes que conseguia se lembrar, por mais que depois de acordada qualquer veracidade fosse esquecida, as palavras ditas pela mulher de negro a deixavam atônita. Pensando nos momentos que compartilhava com sua mãe, enquanto Nut a observava com seus olhos verdes.
Ela não acordou aos gritos.
Não houve horror nem barulhos estranhos pelo resto daquela noite.
E o abajur em seu quarto não mais piscou.
A luz do abajur se acendeu, mais intensamente dessa vez.
Seus olhos nunca haviam visto algo tão nublado, e ela nem precisava de óculos para constatar que aquilo a sua frente, a menos de um metro de vista era escuro. Muito escuro. Uma aura negra a rodeava, emanando de seu próprio ser. Haviam braços e pernas, todos cobertos por uma camada de preto, assim como seu tronco mas, quando seus olhos tomaram o mínimo de coragem para encarar sua face, uma expressão neutra que beirava a raiva a encarava.
Era uma mulher.
Uma mulher que parecia estar irritada, por mais que seu rosto não fosse completamente nítido.
Um sensação estranha pesou em suas costas, quando ela mal processou o ato de se encolher na cabeceira da cama.
"Você é uma pirralha irritante, viu? Estou a mais de um mês tentando fazer você acordar e você continua dormindo!"
Ela pensou em gritar, mas nenhum som saía realmente de sua boca.
"Escute bem, pois vou dizer isso apenas uma vez. Se não tomar cuidado, você pode não acordar nesse mundo amanhã"
Seus tímpanos começaram a zunir sem parar, mas a voz dela era clara.
"Você colocou os pés no outro mundo quando fez essa tatuagem estúpida na nuca! O que pensou que isso era, uma cruz de proteção? Isso é uma chave para o mundo dos mortos, idiota, e agora os mortos estão vindo até você"
Chave? Ela não tatuara uma chave no fim do mês passado, era uma cruz, o próprio tatuador dissera que era uma cruz. A cruz dos egípcios, mas qual era mesmo o nome dela?
"Um anhk não é uma cruz, é uma chave. Somente o deus do mundo inferior a usava e ele nunca a carregava pela haste, era sempre pela alça. As pessoas que interpretaram da forma errada e agora idiotas tatuam isso no corpo, vê se pode!"
Os barulhos fora do cômodo se tornaram mais intensos, arranhando as paredes, entrando pelas frestas do quarto. Manchas negras apareciam claramente nos cantos do teto.
"Você colocou uma chave para os espíritos dos mortos bem na sua nuca e isso, isso vai te levar a morte antes da hora. É por isso que estou aqui, você ainda pode impedir isso"
O cômodo tremia e vozes sussurravam por entre as frestas mas, ao mero gesto de um dos braços dela, tudo cessou. A quietude mais clara e cristalina que a luz da lâmpada do abajur.
"Essa noite você não vai morrer, mas vai ter que dar um jeito nisso, e mesmo que cubra a tatuagem não vai adiantar. Uma vez que o outro mundo te vê, você estará marcada por toda uma vida"
Ela se levantou da cama, a escuridão dançando em sua presença. Seus passos não emitiam som algum e seu cabelo parecia se mover em câmera lenta, enquanto ela caminhava até a porta.
O zunido em seus ouvidos pareceu perder a intensidade conforme ela se afastava, assim como a trava em sua garganta deixava de existir.
"Mas quem é você?"
A feição azeda se iluminou em meio a própria escuridão.
"Aquela que vai levar a sua mãe daqui a um ano, por isso aproveite o tempo que ainda tem ao lado dela"
Quando a porta se fechou, a luz do abajur perdeu a intensidade, voltando a sua luminosidade original e a maçaneta dourada girou, dessa vez emitindo o rangido de sempre.
Foi nesse momento que Bianca percebeu que estava deitada sobre a cama, o edredom cor de laranja enrolado por entre as pernas e o grito que esganava sua garganta.
O suor empapava sua roupa de dormir.
Sua mãe aparecera no batente da porta.
— Outro pesadelo Bianca!? É o quinto nessa semana! O que diabos tem te acontecido?!
Sua respiração estava desregulada, seus olhos deveriam estar arregalados dado ao tom alto dela, enquanto entrava no quarto com o casal de gatos em seu encalço. O cabelo bagunçado e a camisola com a gola pendendo sobre um ombro, ao passo que se sentava sobre a cama.
A sensação estranha em suas costas se diluiu a mera presença dela.
— Filha?
Mas ela desaprendera a esboçar som.
— Bianca, diga alguma coisa. Se não disser nada como vou te ajudar?
Balançado a cabeça para os lados, procurando afastar qualquer sensação incomum do corpo, Bianca se sentou na cama encostando a coluna na cabeceira de metal torcido. Inspirando e expirando, observando a gata cor de caramelo subir na cama e se acomodar sob seus pés.
— Nut, não suba na cama dela.
— Tudo bem mãe. Tá tudo bem, eu só tive um sonho estranho.
— Um sonho que te fez gritar Bianca. Pela quinta vez nessa semana.
Seus olhos se fecharam, tentando relembrar tudo o que havia visto a meros minutos atrás. A sensação fora tão real que não parecia ter sido um sonho, ela sequer saíra de sua cama, francamente!
Mas palavras daquela mulher eram mais nítidas do que qualquer lapso de imagem.
Puxando o edredom sobre o corpo suado ela contou o que acontecera em seu sonho, se atentando as breves mudanças de expressão em sua mãe. Normalmente elas não tinham momentos assim, quando acordava assustada tudo o que fazia era virar para o outro lado da cama e tentar dormir mais uma vez, e na manhã seguinte tudo o que fazia era dizer que tivera uma boa noite de sono.
Por mais que sua houvesse dito certa vez, de que sonhos recorrentes não eram um bom sinal.
Eram mais como um daqueles avisos que lhe puxam pela orelha.
— Esse foi diferente dos outros, o zunido nos meus ouvidos foi horrível era como se eu estivesse paralisada.
— E foi só isso? Ela falou da sua tatuagem e foi embora?
— É, o que você queria?
Algo lhe dizia para não contar sobre a última frase dita por aquela mulher.
— Eu bem que te avisei que era uma péssima ideia ter feito essa tatuagem.
— Mãe, o ankh é uma chave para o mundo dos mortos mesmo?
O gato cinza pulara no colo dela, confortável sobre o tecido da camisola, a motivando a acariciar o animal por entre as orelhas. Geb parecia gostar desse tipo de tratamento.
— É, por isso mesmo somente Osíris o usava. Se gostasse de ouvir o que digo não teria escolhido esse símbolo como tatuagem.
Como se ela gostasse de escutar histórias de uma historiadora.
— E o que eu faço agora?
— Parece que alguém finalmente te fez acordar para realidade filha.
Geb soltou um miado.
— E Geb concorda comigo!
— Mãe!
Ela suspirou, balançou a cabeça para os lado, a olhou nos olhos e acariciou o topo de sua cabeça. Como se fosse ela um de seus gatos.
— Mãe.
— Uma vez eu li que só se detém uma maldição com outra maldição, o que acha disso?
— Eu estou amaldiçoada!?
— Não. Mas a intenção que tinha ao fazer a tatuagem pode ter influenciado nisso, e não me olhe com essa cara, você não vai morrer. Ao menos não enquanto eu estiver viva e você for minha filha.
"Eu sou aquela que vai levar a sua mãe daqui a um ano, por isso aproveite o tempo que ainda tem ao lado dela"
Nut se espreguiçou, voltando a se enrolar em seus pés.
— Eu fiz a tatuagem por causa do papai.
— Um péssima ideia, realmente.
Era por isso que ela não contava de seus pensamentos para a mãe, principalmente quando ela agia como se tivesse todas as respostas.
E ela tinha todas as respostas.
— Seu pai foi embora porque ele quis Bianca, você não teve nada a ver com isso, e fazer uma besteira dessas em revolta foi uma atitude muito imatura. Agora, veja o que conseguiu com isso.
— Desculpa.
— Não é a mim que deve desculpas filha, mas sim a você. Essa foi uma noite difícil, quer que eu durma com você?
Ela negou com a cabeça.
— Eu vou dormir com você.
Encolhida ao lado da mãe, em uma cama de casal que parecia ser maior que o normal, Bianca reviu seu sonho se atentando a todos os detalhes que conseguia se lembrar, por mais que depois de acordada qualquer veracidade fosse esquecida, as palavras ditas pela mulher de negro a deixavam atônita. Pensando nos momentos que compartilhava com sua mãe, enquanto Nut a observava com seus olhos verdes.
Ela não acordou aos gritos.
Não houve horror nem barulhos estranhos pelo resto daquela noite.
E o abajur em seu quarto não mais piscou.
- Bianca é uma das personagens que criei para o meu Clube de Drama, ela foi a única até então já que eu dificilmente escrevo peças originais.
- Descrevi a morte aqui com base na servamp da Ira, não que isso vá ajudar de alguma coisa, mas eu adorei o personagem dela e estou lendo Servamp nos últimos dias.
- Nut é a deusa do céu, e Geb, o deus da terra, ambos da mitologia egípcia.
- O nome "ankh" realmente significa chave, e tanto ele quanto o olho de Hórus são símbolos egípcios muito usados em tatuagens com o propício de proteção, mas ambos estão bem longe disso.
- A ideia de "uma maldição por uma maldição" emprestei de Jujutsu Kaisen, pois comecei a ler o mangá recentemente e adorei a mitologia dele!
- E essa foi a primeira ideia que tive sobre as palavras que escolhi, comecei a escrever no comecinho do mês.
Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva de Outubro do Together, um projeto para unir a blogosfera! Para saber mais, clique aqui.
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doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

arquivos gerais
※ fanfictions e marcadores
Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

(atogaki) sotsugyousei
※ blogues singulares e os créditos
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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.