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{ oneshot } Stand up!

※ 14 de novembro de 2020 (10:18 PM) + comentários (1)
No começo dessa semana, montei a playlist que usaria na produção desse rascunho +15092019+ estava tão empolgada que até deixei as letras das músicas em algumas abas do computador, anotei num papel para não me esquecer de como finalizaria a peça (coisa que dificilmente faço) e magicamente, invento de procurar algumas músicas para baixar. Assim, do nada mesmo. O problema é que eu tenho a mania de querê-las sempre com capa, tudo bonitinho, e nessa busca ferrenha pelas abas do Google, heis que eu mergulho numa nostalgia com as aberturas e encerramentos de Fairy Tail (glitter e ft. são tão boas!), enquanto comemoro e feito de finalmente ter conseguido encontrar Uragiri no Yuuyake e Trust Me com capa (!!!) e, se não bastasse encontrar o single completinho de Guns & Roses, ainda acho as character songs de Soul Eater e caramba! A quanto tempo eu não escutava elas! Só não encontrei a música tema do Soul (So Escandalous), mas tô de boa com isso.

Aliás, esse rascunho mais abaixo é o último que eu tinha guardado para Soul Eater, dá para acreditar? Eu finalmente encerrei com tudo o que eu tinha para a minha obra favorita!!!


[ stand up! - soulxmaka - soul eater ]

A lembrança de quando recebera aquele cartão ainda reverberava por sua memória como um eco, se prolongando em um amplo vale de montanhas. Muitas coisas ocorreram naquela noite. Ele não esperava fazer as pazes - que honestamente, não necessitavam serem feitas - com o irmão, muito menos vê-lo tocar novamente e menos ainda de poder tocar algo junto dele. Parando para pensar um pouco, a única coisa que fazia aquela noite ser real, era aquele cartão roxo com letras douradas em sua mão.

Isso e Maka dizendo o quão semelhante ele era ao irmão mais velho.

A ideia de poder tocar em um teatro de verdade parecia incrível e aterrorizante ao mesmo tempo, se ele já não houvesse tocado para um grande público antes.

— Que cartão é esse Soul?

Perdido em seus pensamentos, ele mal notara a presença de Maka sobre seu ombro.

Ela parecia ter acabado com a louça do jantar, visto que secava as mãos em um pano.

— Lembra de quando fomos assistir a apresentação do meu irmão? - ela assentiu — Ganhei esse cartão da dona do teatro, ela queria que eu tocasse lá algum dia.

Maka pareceu se iluminar com a notícia, mas antes que pudesse comemorar disse:

— Soul já fazem meses que isso aconteceu, você não quer se apresentar?

Ele balançou a cabeça.

— Não tenho repertório Maka.

— Mas você escreve bastante. O que são aquele monte de partituras no seu quarto, então?

— Não são boas.

A loira cruzou os braços, pouco convencida.

— E você não me engana, fala qual é o problema. E não me diga que ninguém vai entender o que toca, eu gosto e entendendo necas.

Soul maneou com a cabeça colocando um de seus pés sobre sua outra perna e o tão aclamado teclado em forma de foice surgindo no lugar onde a poucos minutos estivera sua canela. Os dedos alvos começaram a tocar algo que parecia sofrido, fazendo o coração de Maka se apertar aos pouquinhos, como se ela conseguisse compreender exatamente o que a melodia dizia.

E de repente parou.

— Eu nunca quis tocar em um teatro, Maka, esse nunca foi o meu sonho, não importava o que os meus pais me dissessem, eu não pensava que alguém fosse realmente gostar de ouvir ou entender o que eu tocasse - suspirou deslizando os dedos sobre as teclas — Acho que só não tenho coragem de encarar isso.

— Bom, você tocou com o seu irmão, não? E também se apresentou para uma plateia bem maior do que um teatro pode sustentar, eu acho que você é mais do que capaz de encarar um palco de terno e gravata.

A arma não pareceu convencida.

— Ou você pode se apresentar para a dona do teatro e ver o que ela pensa - ela riu quando ele não disse nada como resposta — você nem sequer pensou nisso, né?

— Droga, Maka! Ainda bem que eu tenho você!

A loira riu com gosto, comentando o quão bobo ele era por não pensar no mais simples antes de sair dificultando as coisas.

No dia seguinte ao cair da tarde, quando o céu ganhava tons exóticos pela vista da janela Soul decidira ligar para Emma Valentine em um impulso nervoso, sendo respondido por uma voz irritadiça do outro lado da linha, que assim que soube com quem falava, mudara seu humor radicalmente.

Ela aceitara a proposta do jovem pianista.

Naquele sábado, ele iria ao Syren's Hall para uma audição com todas as músicas que já compusera. Ao menos quanto a isso Emma parecia incrivelmente empolgada, dizendo que seria ótimo passar a tarde ouvindo algo que o Evans mais novo - que nunca se apresentara em público - compusera com as próprias mãos.

Quando contou a Maka sobre a conversa que tivera, ela sorrira do mesmo jeito que fazia quando se gabava de algo e se não bastasse isso, ainda o sacudiu pelos ombros, repetindo "e eu não te disse?" em comemoração ao seu assertivo conselho.

— Ela certamente é uma grande entusiasta da sua família.

Depois de se gabar, Maka sentara ao seu lado no sofá da sala.

— Wes disse que ela era apaixonada por ele, quando adolescente.

— Não duvido, ele é realmente bonito, imagina quando jovem, devia ter a sua cara! Uma pena você ter uma personalidade completamente oposta a dele.

— Isso é você tentando me animar?

Maka negou com a cabeça, se levantando e seguindo em direção ao corredor que levava aos quartos no apartamento mas não sem dizer:

— Acredite, se ela gostar do que você toca mais do que eu, aí eu começo a me preocupar.

Fazendo um sentimento engraçado crescer no peito de Soul, enquanto ria do dito.

Mas havia algo ao qual o jovem pianista pouco se atentara no calor do momento. O quão crítico ele conseguia ser com suas próprias produções, não que ele chegasse a descartar metade do que compunha era só que, veja bem, aquilo soava melhor quando ele tocava para si mesmo. Como uma piada que só faz sentido para você e que necessita de uma explicação exata para que os outros a compreendam e era por esse motivo que ele temia em se apresentar para outras pessoas - a incompreensão delas - seu som não era belo, melódico ou fugaz. Muito pelo contrário, ele era triste, angustiante e sofrido de se escutar. Ao menos era o que ele pensava até receber os elogios de seus amigos, por mais que ele duvidasse que eles pudessem entender algo, nenhum parecia desgostar por completo do que ele tocara e isso, bem, isso era algo inesperado para ele e seu senso crítico.

Barreira a barreira, as pequenas inseguranças presentes na alma de Soul foram quebradas, até que sobrasse apenas ele. Cru em sua própria natureza de pianista.

E era exatamente isso que fez ele repensar a ideia de tocar "tudo o que tinha" em sua audição com Emma.

Mesmo tocando e reescrevendo alguns acordes, nada parecia funcionar na cabeça do pianista. Nada fazia sentido. Eram apenas um grande emaranhado de peças que não se alinhavam em linha reta e mesmo que Maka lhe dissesse que estava tudo bem, que ele encontraria uma solução para isso, nada parecia ter sentido!

Faltavam apenas dois dias até que o grande sábado chegasse.

Soul se sentia esgotado de tentativas, sua mente dando voltas e mais voltas enquanto folhas e mais folhas de partituras se espalhavam pelo chão de seu quarto e ele se esparramava sobre a cama se solteiro, encarando o teto. Esperando por um sinal, algo. Alguma coisa diferente. Especial. Até que seus dedos começassem a tocar o lençol que cobria o colchão, o dedilhando como se ali fossem as teclas de um piano.

Um som diferente passara por entre a fresta da porta trazendo sua atenção novamente para o presente. Naquele dia Maka estava fazendo faxina na sala de estar e como era de costume, suas músicas estridentes demais para ouvidos apurados tocavam a todo vapor pelo som ultrapassado que haviam conseguido em uma feira de garagem. Assim como aquele som que o motivara a se levantar da cama num pulo e correr até a porta do quarto.

Maka! Que música é essa?

Com um pouco de esforço, sua voz se sobrepôs ao som alto, fazendo com que a loira deixasse de varrer um canto específico do cômodo.

Era estranho para ela ter Soul interessado por algo que escutava.

Manatsu no vacation, por quê?

Algo borbulhava na mente dele, uma ideia, pequenas notas se encaixando em uma partitura.

— Eu já sei o que vou tocar! E você tem que sair daqui agora!

— Mas Soul, eu ainda não terminei a faxina!

— E eu com isso? Com você aqui não dá 'pra compor! Sai logo Maka!

Apenas a cabeça de Soul aparecia no corredor, fazendo contato direto com o olhar confuso de Maka, na sala, rodeada dos móveis tirados de seus devidos lugares, com a vassoura na mão e uma bandana sobre as madeixas louras. Ele parecia tão convicto que ela apenas deixou o cabo da vassoura se estatelar no chão, tirando o pano da cabeça logo em seguida, batendo a roupa e se dirigindo a porta.

— Tem certeza? A sala 'tá uma zona.

— Tenho. Vai logo caramba!

Ela balançou a cabeça.

No minuto seguinte tudo que podia se escutar era o trinco da maçaneta voltando ao seu lugar e uma faixa estridente sendo trocada por outra.

Finalmente! Finalmente ele sabia o que fazer e com uma das músicas ridículas de Maka de todas coisas!

Enquanto que Maka por sua vez, encarava seus dedos dos pés nos chinelos velhos, as pontas dos dedos das mãos na porta do apartamento a mantinham equilibrada, dando a ela tempo para pensar no quê fazer agora que fora expulsa de seu próprio lar. Francamente, ela sequer pensou quando pegou aquele par de roupas para vestir e agora teria de arranjar o que fazer por Death City com uma regata tão velha quanto os shorts que a acompanhavam. Suspirou enquanto contemplava que aquele era o momento menos propício para se preocupar com o que vestia pois, no momento em que escutara o distinto som de um piano sendo tocado por debaixo de "Zenryoku Summer", ela sabia que Soul estava genuinamente inspirado e aquele não era mais um lugar para ela, ao menos por hora, já que ela não era uma boa companhia quando ele se encontrava nesse estado.

Mas o quê fazer com seu tempo livre era outra história.

Seus pés já deslizavam pela superfície do chinelo devido ao calor da estação, quando ela parou em frente a um estabelecimento que costumava frequentar quando se entediava de tanto estudar. O cheiro de café trazia frescor logo depois do batente da porta dupla e ela se perguntava o motivo de ter parado de ir aquele lugar.

O Death Bucks certamente era um de seus lugares favoritos na cidade.

— Ei Maka, o que faz por aqui?

A voz lhe era conhecida mas no momento em que seus olhos emergiram da admiração pelos pequenos detalhes do lugar, Maka quase não reconhecera Liz Thompson vestida em um uniforme de maid.

Liz? O que você faz aqui?

— Emprego de verão. O Kid é um chato de galocha e eu queria juntar dinheiro para voltar para o Brooklyn no final do ano. Por sorte, o gerente ainda gosta da minha cara.

— E cadê a Patty?

— Ajudando com o carregamento da semana, mas você ainda não respondeu a minha pergunta.

— O Soul me expulsou.

— E você saiu, simples assim?

Seria difícil explicar sem contar a história completa e, pelo o que ela se lembrava seus amigos não sabiam do encontro que ela e Soul tiveram com Wes.

— Você tem tempo?

As íris azuis de Liz se voltaram para o homem atrás do balcão, que lustrava canecas com uma expressão séria, para depois voltarem sua atenção a Maka.

— É, a gente tem tempo. Escolhe um lugar que eu pego o café.

— Mas eu não tenho dinheiro comigo agora.

Ela já tinha lhe dado as costas.

— Minha conta!

Maka acabou escolhendo uma mesa com a vista para a rua, pois além de claro, a temperatura do lado de fora em nada influenciava no lugar onde estava sentada.

Uma caneca branca com um líquido escuro fora colocada a sua frente.

— Pronto, agora me conta.

— Você não vai ter problemas, né?

— Imagina, o movimento 'tá fraco hoje e eu posso tirar uma folguinha. Agora me conta o que aconteceu.

Ela suspirou.

— Você sabe o que Soul toca piano, mas você sabia que ele vem de uma família de músicos?

A Thompson mais velha pareceu surpresa por detrás da caneca igualmente branca.

— Essa família é bem famosa por sinal e a alguns meses atrás, o irmão mais velho do Soul veio tocar aqui na cidade. Ele nunca falou muito da família, nem do irmão, então nunca toquei no assunto mas me pareceu que ele deixou todos confusos quando saiu de casa para vir para a Shibusen.

— Com aquela fachada de bonzão dá até 'pra imaginar isso.

Né? Bom, nós fomos para apresentação e depois disso, os dois conversaram e ficou tudo bem mas, o que eu não sabia era que ele havia recebido um convite da dona do teatro para tocar lá, porque ele não queria tocar em um teatro e agora ele me expulsa do apartamento pois conseguiu pensar em algo para tocar para ela. Pronto. É por isso que eu estou aqui.

Seu café já estava morno mas ao menos ela tinha um motivo para bebê-lo, sua boca estava seca depois dessa estória.

— Espera, se ele não queria tocar porque tudo isso?

— Eu sugeri que ele tocasse para a dona do teatro, para ver o que ela achava, não é certo de que ele vá se apresentar mas ele queria compor algo novo para isso.

O indicador de Liz deslizava pela borda da caneca.

— Qual teatro?

— Syren's Hall.

— Aquele só pra riquinho?

— É.

— Faz tempo que não escuto o Soul tocar, seria legal poder vê-lo tocando de novo- ei Maka! O que acha da gente ir vê-lo tocar? Sabe, todo mundo.

— Mas não é nada certo Liz.

Ela riu, fazendo seu cabelo longo balançar, uma visão curiosa quando Liz estava vestida de maid.

— Desencana! Eu sei que você consegue convencê-lo do contrário!

— Mas não é algo que depende de mim sabe?

— Ele toca bem, é claro que a dona do teatro vai gostar!

— 'Tá, e como você vai juntar esse todo mundo?

Ela sorriu de um jeito que Maka jurara nunca ter visto.

— Eu não, mas o Kid vai.

— O Kid?

— Ele é bom nessas coisas, é só me avisar que ele faz o resto - ela terminou o café e estendeu a mão sobre a mesa — estamos entendidas?

Ela apertou a mão da então maid da sua cafeteria favorita.

— Estamos.

— Ótimo! Agora eu volto ao trabalho, se quiser mais café é só avisar.

Maka apenas levantou a caneca, ganhando um sorriso largo de Liz.

— É assim que faz!

Nas horas que seguiram após da conversa que tivera com a Thompson mais velha, Maka permaneceu na cafeteria. Observando o movimento da rua e sorrindo quando Liz se enfezou com a quantidade de vezes que ela pedia por mais café, deixando sobre sua mesa um pequeno bule de vidro para que ela mesma preenchesse sua caneca vazia acompanhado de um prato de torta de maçã. Ali com certeza iria o dinheiro que Liz ganharia no dia, e lá estava ela abusando da hospitalidade da amiga.

Se bem que as duas dificilmente conversavam e pensar nisso fez com que Maka a visse com outros olhos.

Liz era alguém tão compreensiva quanto Tsubaki, só que do jeito dela.

Quando o sol fazia uma careta cansada no horizonte ela sabia que era o melhor momento para voltar. Mesmo sem se dar conta, ela já havia dado tempo o suficiente para que Soul pudesse compor fosse lá o que ele tivesse em mente e dada a quantidade de café que bebera, seria capaz de varar a noite sem grandes problemas mas seu tempo ali estava acabando, logo mais o Death Bucks fecharia pelo dia e Maka, além de ter outro lugar para ir não queria atrapalhar a rotina daqueles que ali trabalhavam pensando nisso, pegou os itens que tinha em sua mesa e levou até o balcão, onde o gerente dava o troco de um freguês apressado. Quando viu o que ela estava fazendo, se apressou em dizer que aquilo não era necessário mas ela apenas negou com o cabeça afinal, ela bebera tanto café na conta da amiga que aquilo era o mínimo para que sua consciência não ficasse pesada, ele apenas negou, colocando o prato e a caneca que acompanharam Maka pela tarde na pia.

— Só o café foi por conta dela, o resto foi por ter aturado ela. Não se preocupe com isso.

— Tem certeza?

— Tenho e eu preciso fechar a cafeteria por hoje, volte outra hora amiga da Liz.

Naquele momento ela pode notar Liz e Patty se ocupando de lustrar mesas e empilhar as cadeiras mais distantes da porta e por mais que ela quisesse dizer algo pela hospitalidade, tudo o que conseguira expressar fora um sorriso acompanhado de um singelo obrigada, quando ia de encontro a porta. Do lado de fora, o calor era acompanhado de uma brisa leve, que levantava a poeira no chão de pedra. Seus pés não deslizavam mais sobre o chinelo devido a temperatura, o céu estava laranja e as luzes nos postes começavam a se acender, iluminando seu caminho de volta.

Quando chegou a porta de seu apartamento, metade dos cenários que Maka havia imaginado para esse momento não acontecera, a sala estava arrumada, os móveis em seus devidos lugares se não fosse pelos papéis cobrindo a mesinha de centro e Soul sentado no sofá, completamente concentrado em seu piano.

Suas músicas ainda tocavam mas num volume mais baixo, o som das teclas se sobressaindo a elas.

— Você demorou.

— Você que me colocou para fora, idiota. Se queria que eu voltasse era só ter me falado antes.

— Eu não pensei nisso, queria trabalhar na ideia o quanto antes.

Ela se sentou no braço do sofá, observando ele testar mais algumas notas languidamente, sua forte inspiração aos poucos perdendo força.

— E deu certo?

Um riso seco veio de Soul, balançando a cabeça para os lados.

Quando seus olhos encontram os de Maka um sorriso enorme estampava seu rosto, um sorriso de contentamento, com seus dentes pontiagudos a mostra e seus olhos se tornando pequenas fendas conforme sorria, demonstrando pura felicidade.

Um sorriso que Maka buscou no fundo de sua mente mas não encontrou nada que pudesse colocar em comparação, nada, senão o sarcasmo de seu companheiro.

Ela não se lembrava de já ter visto Soul tão feliz como estava naquele momento.

— Deu mais do que certo! Você quer escutar?

— Você quer que eu escute algo que acabou de compor? Ficou tão bom assim?

— Se não quiser, não tem problema.

— A não! É claro que eu quero escutar!

O sorriso contente de Soul não mudou quando seus dedos ageis tocaram as primeiras notas, deslizando sobre as teclas em seguida, causando surpresa em Maka.

Por algum motivo ela conhecia o ritmo. Havia certa familiaridade ali e sem se dar conta do como, seu cérebro parecia se lembrar daquelas notas mas era estranho conhecer algo naquilo que ele tocava, ainda mais quando a melodia era tão não Soul.

Ela nunca havia ouvido nada parecido com aquilo em todos os anos que passara ao lado dele.

— Aliás, 'pra onde você foi?

As íris cor de carmim não desgrudavam das teclas mas ele parecia não ter grandes problemas em continuar a conversa enquanto tocava.

As pernas dela subiram de encontro ao peito, enquanto se equilibrava no braço do sofá. A tarde que passara no café fora tão boa que ela até mesmo se esquecera de se sentir irritada pela atitude dele.

— Death Bucks. A Liz 'tá trabalhando lá sabia?

— Bebeu café a tarde inteira?

— A tarde inteira.

— A Liz te serviu café a tarde inteira, mesmo você não tendo dinheiro?

— Como sabe que eu não tinha dinheiro?

O som mudara. Antes era leve, agora parecia mais intenso? Ainda assim, não era nada do que ele costumava fazer.

— A sua carteira ficou em cima da tv.

Quando olhou em direção ao televisor, notou que sua carteira ainda estava sobre ele e um riso subiu por sua garganta, mesmo com ela tentando reprimi-lo mas não era ela o tópico naquele momento.

O som mudara mais uma vez e dessa vez ela não conseguia defini-lo com palavras, só que aquilo em nada a lembrava de Soul- certo, talvez só um pouco.

Afinal, ele também mudara.

— Era isso o que você queria Soul?

— Não, mas é alguma coisa. O que achou?

— Estranhamente bom.

Os dedos dele pararam abruptamente.

— Estranho?

— Eu nunca te vi tocando algo assim, por isso achei estranho.

Os olhos dele a observavam, buscando por algo além do que fora dito.

— Você vai tocar isso para a dona do teatro?

— Vou.

Era isso o que ela queria ouvir!

— Então o jantar é por minha conta, já que você terminou de limpar a sala 'pra mim.

E enquanto Maka procurava por sobras na geladeira o som voltou a reinar no apartamento, indo e voltando, como se ele estivesse decidindo onde deixar o quê. A lembrando das manias que tinha quando estudava para uma prova importante, buscando a perfeição para que não se esquecesse de nada no momento mais necessário.

Em algum momento eles começaram a se assemelhar mais do que ela se dava conta.

Depois do jantar, Soul permaneceu em suas notas enquanto que Maka se acostumava com o som diferente observando a noite pela janela do quarto. A lua no céu continuava tão negra quanto se lembrava, por mais que ainda conseguisse distinguir um de seus olhos esbugalhados pela insanidade, a encarando.

Talvez Chrona fosse gostar dessa nova composição de Soul.

Os dois dias que faltavam passaram com Soul enfurnado em seu quarto, concentrado em seu som e quando não estava nele, estava na sala, perguntando a Maka o que ela achava do arranjo, recebendo como resposta variações de "eu não sei" e "estranho" em todos os seus sinônimos.

Blair aparecia pela manhã perguntando a Maka o que havia acontecido com ele.

E na noite do segundo dia, quando o pianista estava completamente satisfeito com sua composição, ela conseguira dar a ele uma resposta definitiva, uma que agradasse ambas as partes.

— É algo feliz, Soul. E reconfortante, eu gostei bastante, seria incrível ver você tocar naquele teatro!

— Eu ainda não me decidi.

— Diga isso para o que eu acabei de escutar então, você se dedicou muito em algo para que apenas três pessoas ouçam.

Ela não estava errada.

Ele realmente havia passado três noites mal dormidas só por causa daquela ideia, seria desperdício demais não deixar que outras pessoas a escutassem.

Maka estava certa mais uma vez.

— Quer que eu vá com você?

— Não precisa, eu sei me virar.

O dia finalmente chegara.

— Se você diz.

Era sábado a tarde e os nervos de Soul estavam saltando para todos os lados.

Blair, em sua forma felina pulou sobre a cabeça do pianista, que segurava suas partituras com mais força do que o necessário.

— A Blair vai com o Soul.

— Não vai não!

— A Blair vai sim!

As garras nas pequenas patas da gata se cravaram no couro cabeludo de Soul.

— Tá certo! A Blair vai com o Soul! Agora para com isso gata idiota!

E enquanto Maka ria da cena, vendo os dois passando pela porta, Soul tentava tirar a gata de sua cabeça sem muito sucesso.

A gata não desgrudara de sua cabeça, mesmo depois dele ter passado em frente a duas peixarias, tentando convencê-la a deixá-lo em paz. Blair nada esboçara, sequer dissera uma palavra ou um de seus clássicos "nya". Quando Soul tentava explicar que ela não poderia entrar no teatro tudo o que tinha como resposta era o silêncio e o peso da gata com grandes poderes de bruxa sobre sua cabeça mas inocente seria ele pensar em algo grande vindo da gata, Blair só estava curiosa.

Curiosa sobre a mudança nas atitudes dele.

E se a resposta estava naquele tal de teatro, então ela iria até lá.

Daquela vez, Soul não entraria pela porta da frente no Syren's Hall. A dona o instruíra a entrar pelos fundos que ela o esperaria no palco central, o mesmo lugar onde Wes se apresentara da primeira vez que estivera ali.

O mesmo corredor pelo qual haviam caminhado, só que agora ele estava ali sozinho. Somente ele.

Ele e uma gata intrometida.

O nervosismo que sentia naquele momento era diferente também.

O palco estava completamente iluminado agora, ele conseguia ver todo o espaço com clareza - até mesmo Blair parecia surpresa - tanta luz parecia engrandecer a presença do piano de calda no centro dele e a dona do tetro que tocava algumas tecladas, as testando.

Emma só percebeu que não estava sozinha no palco quando deixou de dar atenção ao instrumento.

— Já faz algum tempo desde que ele foi usado, então estava afinando para você. Só não tenho certeza se vai estar do seu agrado, pois faz um bom tempo que não o toco.

Aquilo o impressionou.

— Você toca?

— Toquei quando nova mas acabei perdendo a prática, só acho que ele vai ficar feliz de ser tocado por alguém com mais prática.

Havia uma cadeira, não muito longe do palco e foi onde ela se sentou.

— Ter como avó alguém que gosta de artes acabou me fazendo aprender quase todo tipo de instrumento mas hoje em dia eu não toco muita coisa. Só entendo muito bem. Comece quando se sentir mais a vontade.

A impressão que ele tivera de Emma Valentine naquela noite parecia ter ganhado uma nota diferente com essa nova descoberta, não que ele fosse duvidar dela mas ele tinha lá suas resguardas por alguém tão jovem ser dona de um teatro tão grande como aquele.

— Blair, sai da minha cabeça. Desse jeito eu não vou conseguir tocar.

A gata saltou do topo de sua cabeça, sobre um de seus ombros, indo em direção ao estofado do banquinho que ficava em frente ao piano.

— Vai ficar aí mesmo? Aqui não é a sua casa Blair.

— Mas eu quero ouvir o Soul tocar de perto.

— Oh, ela fala!

— Sério que você não percebeu essa gata quando me viu?

— Ah eu percebi, só não entendi o motivo.

— A Blair queria saber o que estava deixando o Soul estranho, então ela seguiu ele até aqui.

— Foi por isso que não me deixou em paz hoje?

O riso de Emma acabou cortando o breve clima de discussão.

— Me desculpem por isso, você pode se sentar comigo se quiser, Blair. Daqui você poderá ouvi-lo tão bem quanto!

A gata não pareceu convencida, mas saltou da banco e seguiu para onde a dona do teatro estava sentada.

Um suspiro deu a Soul o empurrão que ele precisava para se portar em frente ao piano, colocando a partitura amassada em seu devido lugar. Ele não precisava dela realmente, aquilo era só uma muleta para o caso de ele se esquecer de algo mas isso não aconteceria, ele tinha certeza disso, mesmo que aquela fosse a primeira vez em anos que ele encostava os dedos em um piano de verdade. Eram tantas sensações que corroíam sua cabeça que ele mal pode notar os comentários animados de Emma sobre aquele momento, ou os elogios de Blair, ou qualquer outra coisa que não fossem as teclas pretas e brancas e a solidez daquele instrumento naquele momento.

Outro suspiro e ele se acomodou no banquinho, o estofando aliviando parte da emoção que sentia.

O começo era suave, nada que ele não tivesse o costume de fazer, seus dedos iam pausadamente sobre as teclas do piano e isso ainda o incomodava. Estar tão acostumado a agressividade imediata era mais o seu forte mas ainda agora, era algo quase terapêutico não fazê-lo dessa forma. Seus dedos não precisavam gritar tudo o que sentia ali, naquele momento, eles contavam sobre ele. Sobre quem era Soul Eater Evans.

Quem ele se tornara.

E conforme a melodia crescia e as notas subiam, assim como a velocidade, sua memória puxou as músicas irritantes de Maka, trazendo junto um sorriso que seria difícil de desfazer quando ele estava se sentindo tão bem.

Aquele parecia ser o melhor lugar no mundo.

Tanto que, quando terminou pensou em se prolongar por mais alguns minutos, se não fosse pelas palavras daquela que ele queria impressionar.

— Não era isso que você iria tocar para mim, certo?

— Como percebeu?

— Eu sei muitas coisas sobre a sua família mas tudo o que sei sobre você são impressões. Minha avó achava que você era rebelde e que seu som deveria ser muito agressivo, já Wes me dizia o quão legal você era mas honestamente, eu tendia mais pela minha avó ela sempre gostou de ouvir os músicos da sua família então era mais crítica.

Os olhos dela não deixavam de observar o piano.

— Eu não sabia o que esperar mas não era isso, com toda a certeza.

— Quer ouvir o que eu toco normalmente?

Ela deixou de dar atenção ao piano para se voltar a ele, assentindo positivamente.

Naquele momento ele deveria se sentir leve, ao menos era o que ele imaginava que sentiria em poder tocar aquilo que sempre tocou, o que já se acostumara, mas a verdade era que ele só conseguia encarar as teclas, pensando no que fazer em seguida. Tentando se lembrar do que fazia antes, por onde começava exatamente? Tinha algo faltando ali - sua emoção era outra - como se ele houvesse virado o vinil dentro dele para ouvir o outro lado e não conseguisse desfazer a ação.

Então ele apenas tocou o que tinha ali, buscando o que sentia a semanas atrás. O começo fora incerto, a procura pela melhor nota, mas assim que a encontrou as outras vieram de mãos dadas, apenas esperando serem puxadas para fora. Aquele som era quase ele, uma sombra vacilante do que ele costumava fazer e jogar fora.

E dessa vez, quando terminou fora definitivo, ele não queria se prolongar naquele sentimento.

O aplauso de Emma fora o inesperado, como quando tocou para seus amigos e todos o elogiaram.

— Isso se parece mais com você! Mas acho que se fosse para se apresentar ficaria melhor você começar com este e terminar com o primeiro que tocou. Os dois são muito bons para alguém tão novo que compõe sozinho o que toca, você realmente é alguma coisa Evans mais novo.

Soul. Não precisa me chamar pelo sobrenome.

Ela se levantou da cadeira, arrumando o vestido.

— Então o que me diz, Soul, você gostaria de tocar no Syren's Hall?

— Você quer que eu toque?

— É claro, se não quisesse não teria nem te convidado para começo de conversa. Mas então, o que acha?

Para sua família o auge era tocar em castelos de renome, para pessoas engomadas e enjoadas com a vida. Um teatro era apenas uma ficha perto disso.

— Seria ótimo.

— É assim que se fala! Ah, mas eu preciso de um nome! Você já tem um nome para o seu espetáculo Soul?

Ele realmente não tinha pensado tão longe mas se fosse para ele dar um nome, que fosse algo cool o suficiente, não é mesmo? O seu primeiro espetáculo em um teatro de verdade merecia isso.

— O que você acha de psychedelic souljam?

— Um nome curioso, vai chamar a atenção. Parece bom, o que você acha Blair?

A gata havia tomado sua forma humana, não perdendo tempo em correr até onde Soul estava para abraçá-lo.

— A Blair está orgulhosa do Soul!

— Blair, me larga! E para de ser tão infantil, você é mais velha do que eu caramba!

Ele se apresentaria dali a três semanas, Emma queria tempo para poder organizar tudo devidamente mas como seria uma apresentação única, a pedido dele, o serviço por trás do palco não seria tão prolongado.

Era definitivo, Soul Eater Evans colocara seu nome oficialmente no mundo da música, mesmo que fosse apenas para pequena uma parcela de pessoas que moravam ou estavam nos arredores de Death City, mesmo que Emma anunciasse aos quatro ventos sobre sua apresentação, ele não estava mais preocupado. Tocar profissionalmente nunca fora sua maior ambição mas aquele momento seria épico. Ao menos fora o que Emma, uma grande admiradora de sua família e Maka, uma grande fã de suas composições, disseram.

A artífice estava contente por sua arma.

Maka estava feliz por Soul e, de alguma forma, queria que todos o vissem naquele estado.

Então não perdera muito tempo pensando quando soube que ele se apresentaria 'pra valer, a ideia de Liz voltando com força em seus pensamentos. Logo no dia seguinte a notícia, seus pés correram em direção a cafeteria, onde a Thompson mais velha estava ocupada com alguns pedidos atrasados. Assim que soube que poderia executar seu plano sem empecilhos, colocou uma xícara pequena com muita força sobre a mesa, assustando o cliente que pedira por ela porém, Liz não se dera tempo de sentir preocupação pelo ato, diferente de Maka, que se desculpou com o senhor de idade.

— Você deveria tratar melhor os clientes, Liz!

— Ah deixa! Ele vem sempre aqui, e essa não foi a primeira vez que derrubei o café dele, mas voltando ao foco, quando o dia da apresentação chegar todo mundo vai estar reunido lá no teatro, tipo uma surpresa. O que acha?

— Uma surpresa?

— É Maka, uma onde ele não sabe quem vai assisti-lo, .

— Eu preciso mantê-lo distraído por muito tempo, se bem que ele já faz isso sozinho.

— Então não vai ter problema! E se ele pensar em convidar alguém, diga que você vai fazer isso, simples assim - ela se voltou ao senhor — ei, o que acha de ir a uma apresentação de piano por todos os cafés que eu já te derrubei?

O senhor pareceu surpreso pelo convite e, vendo os dois conversando Maka foi em direção gerente, que lustrava algumas canecas por detrás do balcão, pagando pelo o que consumira dias atrás mesmo com ele se negando a aceitar o dinheiro.

Ela se sentia bem demais para deixar que o mau humor de alguém a afetasse naquele dia.

Blair também parecia alegre.

O pequeno apartamento onde viviam nunca fora tão confortável.

Maka até mesmo conseguira avisar Wes da apresentação de Soul, que ficara contente pela novidade. Fora uma tarefa difícil conseguir encontrar o Evans mais velho do outro lado da linha, mas ao menos valera a pena, principalmente quando ele dissera que daria um jeito de fazer uma surpresa para Soul no grande dia - trazer toda a família para vê-lo se apresentar - Wes pedira segredo sobre isso, mas não haviam motivos para que ela deixasse escapar essa surpresa. Ter de aguentar firme vendo os esforços de Soul, dia após dia, polindo sua apresentação e perguntando o que ela achava de certos arranjos era o suficiente para mantê-la distraída.

As semanas passaram sem que ela percebesse.

Com sua atenção pairando entre livros, o som de Soul e as tarefas diárias seria realmente dar atenção aos dias escorrendo em vermelho no calendário.

Haviam cartazes de Soul por toda Death City.

Quem quer que olhasse os papéis colados pelos muros se perguntava quem seria o pianista por trás daquela arte psicodélica.

— Como se sente Soul?

Os dedos alvos da foice sobrenatural apertavam mais uma vez o nó da gravata vermelha.

— O Soul está tão bonito hoje - comentara Blair, de cima da cabeça de Maka.

Naquela noite ele não seria uma arma, por mais que sempre misturasse seus dois mundos, naquela noite ele seria apenas aquele tocando o piano no centro do palco.

O teatro fervilhava em vozes, faltavam alguns minutos para sua apresentação.

Se ele estava nervoso, a sensação passara rapidamente por sua cabeça, eriçando os pelos dos braços.

— Ansioso. Estou ansioso e você deveria ir logo para o seu lugar na plateia.

— Você me diz isso mas nem olhou para quem veio de te ver.

Eles estavam no canto do palco, ninguém os notaria caso espiassem e Maka fora certeira em encontrar seus amigos na linha de frente da plateia. Black Star percebendo sua presença e quase chamando sua atenção, se não fosse por um tapa no topo da cabeça dado por Tsubaki. Liz acenou com um sorriso, comemorando o sucesso de seu plano.

— Ei, o que você 'tá olhando Maka?

— Nada, tem gente o bastante, quase não sobraram acentos.

— Sério?

— Veja por você mesmo, preguiçoso.

A atenção de Blair fora atiçada quando a gata notou alguém muito semelhante a Soul na plateia. Alguém que acenara quando percebera Maka escondida no canto do palco.

— Ei Maka, tem um clone do Soul na plateia.

— Clone?

— É! Olha lá no meio, ele não é igualzinho ao Soul?

— Quem é igual a mim?

Os três olharam mais um vez para a plateia. Havia uma grande parcela de rostos estranhos mas nenhum deles falhou em notar professores e amigos dentre eles, foi quando Soul percebeu olhares que ele pensou que não veria tão cedo.

— Maka, você chamou o meu irmão?

Ela apenas soltou um "aham" enquanto Blair parecia incrédula com a novidade.

— Aquele é o irmão do Soul?

— É.

— Maka, ele é lindo!

— É sim.

— E ele trouxe os meus pais?

— Legal né? Ele me disse que não tinha certeza de conseguir trazer eles, mas parece que deu tudo certo!

Incomodado ele puxou tanto Maka quanto Blair para trás.

— O que você tinha na cabeça Maka?

Maka e Blair trocaram olhares e quando voltaram sua atenção para Soul, pareciam indiferentes ao desagrado dele.

— Eu só pensei que você merecia ter o seu momento Soul.

E antes que ele pudesse retrucá-la, Maka colocou seus dedos indicadores em frente ao rosto dele, um em cada canto de sua boca, forçando um sorriso ali.

— Sorria, seu bobão. Vai dar tudo certo.

— É claro que vai - disse Emma interrompendo o momento — pois o show já vai começar!

Quando a loira já estava fora de alcance a dona do teatro desejou boa sorte a ele, dizendo que ele não precisava se preocupar com a presença de sua família ali.

— Só Wes viria, eu que os convenci de aparecerem. Agora vá e mostre do que é capaz Soul!

Ele queria perguntar qual era a necessidade em seus pais o verem tocar. Ter o irmão ali não era um problema mas sua família, o que eles poderiam pensar? Já fazia tanto tempo desde que ele os vira. O palco estava quente, como se ele conseguisse sentir a presença de todas as almas ali presentes, aguardando por algo, enquanto a expectativa aumentava em seus passos.

Aquele lugar não era como o Black Room que existiu dentro dele.

Soul se sentia leve quando encarava o piano de cauda.

O terno não incomodava, os sapatos não apertavam seus dedos.

Ele estava em seu próprio elemento e seu único papel ali era convencer quem o via daquilo.

Assim que Soul tocou a primeira nota, Maka soube que qualquer animosidade que ele pudesse ter sentindo até aquele momento não estava mais presente nele, não quando a melodia que ela já decorara era facilmente tocada por ele, não quando ela conseguia sentir cada tecla e perceber o quão imersa estava naquele som.

O quão imersas as pessoas naquele teatro estavam.

Se fechasse os olhos, Maka até mesmo conseguia ver as almas em um estado de equidade, completamente equilibradas pelo som. A melancolia, a felicidade, o enfrentamento, uma escada até o topo, como a escadaria que levava até a Shibusen. E o topo tinha uma vista maravilhosa.

Até que acabou.

E os aplausos vieram e não pararam mesmo depois que Soul agradecera.

E tudo o que Maka conseguia fazer era sorrir, o mesmo sorriso que Soul tinha do palco.

Daquela vez, os dois não se separaram ao final da apresentação. Quando as luzes cegantes se acenderam e o público maior começou a se locomover em direção a saída, Soul foi de encontro a Maka, que ao lado de Blair e seus amigos mais próximos comentavam animadamente sobre a composição do pianista, que não conseguia dizer muito além de pedir para que a bruxa capaz de se transformar em gata deixasse ele em paz. Eram muitas informações para processar naquele momento. A euforia de se apresentar mal se assentara em seu sangue e ele jurava que alguma parte de seu corpo suava sem parar, seus ouvidos zuniam vendo amigos e professores tão próximos dele - reunidos ali devido ao seu som- ele com certeza deveria estar sorrindo feito um idiota, quase não notou uma mão sobre seu ombro direito.

— Maninho, aquilo foi demais!

Wes estava bem atrás dele, com mais duas pessoas que ele conhecia tão bem quanto o tempo que não as via.

Seus pais.

— Você achou?

— Claro! Eu sabia que seria incrível! - ele se aproximou, como se fosse contar um segredo — Até a mãe gostou e você sabe o quão chata ela pode ser.

Soul riu. Ele sabia o quão exigente sua mãe conseguia ser em se tratando de música mas a mulher com um olhar de gelo sorria discretamente, enquanto seu pai o parabenizava pelo trabalho duro.

— Obrigado.

Ele sentia como se pudesse flutuar. Sua alma certamente estava naquele momento.

No fim da noite, depois da apresentação e de muitos elogios vindos de diversas pessoas, o grupo de amigos se reunira na quadra de basquete, onde todos diziam coisas ao mesmo tempo, comentando sobre o que acabara de acontecer no teatro. Sobre a família de Soul ou de como ele e o irmão mais velho eram muito semelhantes.

Maka estava sentada em um dos bancos que ladeavam a quadra ao lado de Soul, que tocava algo em seu piano portátil.

— Espera, agora eu sei de onde o que você tocou me lembrava! Soul, você escreveu o seu repertório baseado nas minhas músicas!

Patty soltou uma risadinha, que Kid censurou.

— Sério? Como você conseguiu fazer isso com o gosto estranho da Maka?

— Ei!

O pianista deu de ombros, encarando as teclados do piano.

— Foi fácil, vocês ouviram o que eu consegui hoje.

O quê?

Liz soltou um assobio, enquanto Black Star parecia não conseguir conter o riso.

— É Maka, parece que você é a musa do Soul.

  • Como esse é o meu último rascunho dedicado a Soul Eater, mais especificamente SoMa, gostaria de salientar algo que Atsushi disse sobre não tornar cannon grande parte dos pares em sua obra. Ele nunca planejou fazer deles algo real, pelo contrário, seu único desejo era mostrar relações normais de confiança entre homem/mulher. Ou seja, dediquei mais de vinte fanfics em cima disso. É!
  • O que me deu o ponta pé inicial nessa peça foi uma música chamada "I am Standing", e foi ela, acompanhada de outras notas que me motivaram a continuar. Mas o título eu tirei de "Stand Up!" do f(x).
  • Antes de continuar a produção resolvi reler algumas peças que havia escrito antes desta, já que essa que leram acima é uma sequencia de "Pulsação" mas pode ser lida sem a mesma, e vocês não tem ideia de como a minha escrita mudou! Digo isso pois sempre estou relendo o que escrevo e minha nossa, o quanto de repetições e errinhos e vícios de linguagem que eu encontro nas minhas produções mas, em anos escrevendo (com Soul Eater é desde 2015) dá para ter certo orgulho nisso né haha.
  • Eu queria um teatro para a minha ideia funcionar e como na trama original não tinha, criei um. Tanto o Syren's Hall quanto Emma Valentine são criações minhas. E ela é a segunda personagem que crio para o universo de Soul Eater.
  • O Death Bucks é real e a Liz já trabalhou nele, isso em Soul Eater NOT!, tenho quase certeza de que o gerente é menos mau humorado mas o deixei dessa forma pois queria trabalhar mais na Liz, eu adoro o personagem dela!
  • O Black Room é onde o Soul toca piano a maior parte do mangá, ele existe dentro da alma dele e só vendo a história para entender mesmo. Ah, e PSYCHEDELIC SOULJAM é uma faixa extra da character song do Soul com a Maka, sim, eu me aproveito de tudo o que eu posso.
  • "Manatsu no Vacation" e "Zenryoku Summer" são músicas que considero a cara da Maka!
  • Para o repertório do Soul pensei num ode ao verão em contraste com amadurecimento da personalidade dele. Começando com as notas de "Manatsu no Vacation", só que menos agitado, bem desacelerado, como um dia na praia, indo para o piano de "I am Standing", passando por "Summertime", chegando no auge com "Beautiful Fighter" e encerrando com "Kore, Natsumatsuri" - e isso com certeza fez mais sentido na minha cabeça, mas resolvi deixar aqui para o caso de alguém ter tido a breve curiosidade :B
  • Essas músicas juntas parecem ir para vários lugares, mas acho que o Soul daria conta do recado!
  • Depois de uma semana e duas madrugadas, eu tenho certeza de que ainda editarei esse texto (já editei, adicionei mais palavras e detalhes ao final, só isso mesmo qq), mas estou bem orgulhosa do resultado e cansada, bem cansada meta de 10k palavras ainda não foi atingida kk!!!!
  • pan, eu prometo que essa será a última vez que uso da sua arte como capa para as minha fanfics! Desculpa, mas seu talento é lindo demais!

E desculpem pelo excesso de links e palavras, eu queria arrasar hoje qq
Obrigada por ler!

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doukyuusei (bijutsubu)

※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★



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※ fanfictions e marcadores

Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★



(atogaki) sotsugyousei

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quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.