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{ drabble } Do outro lado da porta

※ 28 de agosto de 2022 (7:24 AM) + comentários (0)
Quando nova eu tinha o sonho de ser bailarina, não sei se esse é um sonho compartilhado por todas as garotinhas ao redor do globo mas era o meu e nunca cheguei perto de realizá-lo verdadeiramente, a única vez que cheguei perto de dançar sendo em uma festa de debutante de uma amiga minha, onde fazia parte do grupo de garotas ao redor da aniversariante que obrigatoriamente tinha de dançar ao lado de alguém bem mais alto e minha nossa, quantas vezes eu não errei aqueles passos! Se não me engano só repeti a caixa algumas vezes e sempre pisava no pé daquele que me guiava, argh!

E o motivo de trazer essa lembrança a tona foi que continuar a leitura que havia empacado com Ballroom e Youkoso no meio das minhas revisões - isso graças a uma mensagem que recebi no Nyah! que me deu aquele puxão de orelha do qual vinha precisando pra tomar vergonha na cara - acabou me lembrando desse momento e de que como compartilhar o ato da dança com um completo estranho não deixa de ser desafiador.

  • do outro lado da porta
  • fujita tatara
  • ballroom e youkoso
  • 627 palavras

Quando criança ele tinha o costume de ficar sentado em frente á porta de entrada da casa onde morava, esperando, bagunçando seus cabelos em um gesto ansioso diante da espera e arrumando as roupas que vestia pensando estar o mais apresentável possível mas ainda assim, continuava esperando. Sentado em frente á porta com um sorriso no rosto. Esperando pelo momento em que ela voltasse. O momento em que sua mãe giraria a maçaneta e o encontraria ali, esperando ansiosamente por ela por mais que ela e isso por um longo período, não viesse ao seu encontro. Sempre seria seu pai a sair e entrar por aquela porta, com o mesmo sorriso e o mesmo olhar gentil cumprimentando o filho como sempre o fizera.

Foram-se alguns anos até que ele finalmente entendesse que ela não voltaria.

Seu pai sempre mantivera o bom humor diante disso, dizendo que o que lhe valia era ter a presença dele - seu único filho - ao seu lado e que não importava realmente para onde ela fora ou se encontrara o que vinha buscando e que lhe faltava estando ali, ao lado deles, o que era importante para ele era poder ver o garotinho mirrado tomar forma e crescer sem deixar de ter o coração doce que sempre tivera desde pequeno, sentado em frente à porta, esperando animadamente que seus pais voltassem do trabalho no fim do dia para que pudesse contar de suas aventuras.

Tatara sentia certo saudosismo por aqueles dias de sua infância. Eles poderiam não terem sido os mais felizes mas eram a viga mais espessa e concreta na construção do que fazia dele ser quem era, eram o lamento de um garotinho gentil diante daquele adolescente rumo a vida adulta que buscava pelo seu lugar, por algo que pudesse dizer que amava e por isso o seguiria para onde quer que fosse, eram seus sonhos mais puros e cristalinos, sem malícia alguma pela falta que a figura materna lhe fazia eram seu desejo de buscar e conquistar, mesmo que não tivesse nada além de si mesmo.

Tatara também não tinha muitos amigos então era difícil deixar que abrissem a sua porta, sendo que ele mesmo tinha receio em fazê-lo, olhando cuidadosamente por entre a pequena fresta que tinha a coragem de abrir e encarando a si mesmo diante dela, esperando e esperando...

Ele era alguém muito paciente, compreensivo, mas até mesmo ele estava cansado de esperar.

Ver a si mesmo nos olhos de Chinatsu enquanto dançavam era assustador, era como olhar por aquela frestinha novamente e ver a si mesmo nos olhos dela, ver seus medos e inseguranças bem ali, diante dele. Apenas o observando em retorno.

Tatara não escondia o que sentia, essa era a sua política.

Ele só se cansara de ser um espectador, esperando que algo maior acontecesse.

Um condutor não pode esperar que sua parceira o guie, afinal.

É preciso equilíbrio, confiança, uma certeza natural que de um entende o outro para que a dança seja bela.

"Ei Tatara, você acabou de fazer com que aquela completa estranha realizasse a sua existência."

Ter outra pessoa que o entendia tão bem era assustador mas nem por isso era uma sensação da qual ele gostaria de continuar fugindo, fora assim, graças a dança que ele notara uma relação quase simbiótica entre as pessoas que dançavam. Havia a necessidade por atenção, claro, tal como cachorrinhos amam correr atrás de seus donos por afeto, quem seriam os dançarinos sem uma plateia ou um jurado para observar e admirar a coreografia que dedicaram semanas, meses até, refinando para o ato final? Ele entendia como era observar mas ser visto de fato era uma experiência excitante demais para ser descartada tão facilmente por mero medo do que viria a seguir.

  • Claro que esperava fazer uma oneshot bem da pomposa agora que havia finalmente chegado aos capítulos mais recentes do mangá mas acabou que não cheguei nem perto disso, mesmo que esta não seja de todo descartável.
  • Até então fica subentendido que Tatara apenas vive com o pai e a avó, não é nada certo de que a mãe o tenha deixado então só me aproveitei disso para explorar um pouquinho mais do personagem dele!
  • Adorei como no mangá a arte explorando esse ato do condutor "abrir a porta" para a sua parceira é tão grandiosa que a minha imaginação correu solta! Por mais que sinta que estou me repetindo sempre que escrevo sobre a relação entre Tatara e Chinatsu.
  • A animação do segundo encerramento do anime ("Swing Heart Direction") acaba fazendo uma alusão a isso e por falar nele, há uma divergência adorável entre anime e mangá que minha nossa, apenas continuo aqui, só na motivação para que mais pessoas assistam e leiam Ballroom e Youkoso!!!

Obrigada por ler!

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