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{ oneshot } Lidando com gatos

※ 10 de setembro de 2022 (8:36 AM) + comentários (0)
Enquanto reviso e digito esse início de postagem devem se fazer umas três semanas facilmente, desde que fiquei empolgada em sair buscando músicas de umas solistas japonesas da década de oitenta para download e por serem datadas, já podem imaginar que as minhas primeiras tentativas foram um fracasso total... até que lá pela quinta aba de busca encontrasse um blogue com um acervo enorme de grande com todos os álbuns que buscava e eu ficasse escutando as mesmas músicas desde então. Foi motivada com esse sucesso que finalmente encontrei o último álbum de Soul Eater que me faltava (o Soul Eater Original Soundtrack 1) e agora posso escutar "So Escandalous" e "Never Lose Myself" sempre que der na telha e huh, não foi exatamente esse o motivo que me levou a escrever a oneshot que estou publicando hoje - foi uma ideia que tive lendo um comentário que recebi - mas acabou que todas essas músicas velhas me deram uma opção ainda mais bonitinha para terminar a bendita então, vitóóória.

Quem diria que uma aposta poderia ir tão longe, hm?

  • lidando com gatos
  • maka albarn, blair
  • soul eater
  • 3.966 palavras

Blair se encontrava acomodada demais sobre a cama desarrumada que Soul havia deixado naquela manhã antes de sair para se preocupar com qualquer coisa que fosse, se ocupando de pintar suas unhas tranquilamente enquanto cantarolava uma de suas músicas favoritas sobre abóboras quando o som dos passos apressados de Maka, andando de um lado a outro no curto corredor do apartamento que dividiam chamasse a atenção de seus instintos felinos. O interesse da bruxa sendo fisgado definitivamente quando a vira através da porta aberta do quarto, imersa demais em seu vai e vem para se preocupar com quem a via ou deixava de ver, sempre carregando algo diferente em mãos.

Um escova de cabelos.

Uma sandália sem o outro par.

Uma bolsinha onde ela costumava guardar moedas.

Prendedores de cabelo.

Secador de cabelo.

Toalha.

Ela enrolada na toalha procurando por algo na cozinha.

Até minutos depois, quando a cor roxa metálica parecia seca o suficiente em suas unhas para uma segunda camada de tintura, ela voltara em cena parecendo caminhar mais calmamente e dessa vez usando de um vestido, do par completo das sandálias que vira pouco antes com ondas em seu cabelo normalmente escorrido e uma aura completamente jovial sobre sua fisionomia. Maka estava arrumada. Arrumada demais para o que era de costume, conseguindo até mesmo que um breve elogio corresse livre pelos pensamentos de Blair, quando esta se levantou da cama, com o vidrinho de esmalte e pincel flutuando em seu encalço enquanto seguia a artífice em direção a sala, onde ela acabava de se sentar no sofá e ligava o televisor com o controle remoto em mãos.

Os sentidos felinos de Blair mais uma vez se mostravam aguçados dada a novidade que via diante de seus olhos.

Maka não estava apenas arrumada, ela parecia diferente, intrigante até.

— Vai a algum lugar especial hoje?

A artífice dera um sobressalto com a fala da bruxa, que acabava de se sentar ao seu lado, olhando pelo canto dos olhos as imagens que eram mostradas naquela caixa mágica movida a energia.

— Um jantar. Meu pai e Soul decidiram me levar pra jantar, acho que deve ser pelo meu aniversário já que esse ano não deu pra comemorar no dia.

— Que chique!

— Não é chique Blair, é só um jantar.

— Pra você estar bem vestida desse jeito? É chique.

A loira rira, se dando por vencida e concordando com a bruxa.

— Na verdade você está muito bonita hoje, Maka-chan.

Uau, receber um elogio seu é realmente um feito. Obrigada Blair.

E enquanto Maka parecia se contentar com suas palavras, voltando a atenção para o que quer que estivesse sendo transmitido pelo televisor algo diferente corria pelos pensamentos de Blair, que agora observava o pincel terminar de passar uma segunda mão de tinta sobre todas as suas unhas da mão e conforme notava o brilho metálico na ponta de seus dedos, tinha um brilho desafiador cintilando sobre seus olhos. Aquele algo finalmente ganhando forma e tomando palavras para ser nomeado.

Ela detestava que naquela noite Maka estivesse mais bonita do que ela. Simples assim.

E em breve dois de seus melhores pretendentes passariam pela porta de entrada logo, uma chance dela de se provar e reafirmar sua vaidade mais uma vez pois para além de uma gata viçosa, Blair era uma bruxa acostumada demais em ser o centro das atenções para ter outra com quem dividir esse título. Logo a solução mais simples e ordinária para resolver seu dilema atual parecia ser a mais razoável.

Uma aposta.

Quem venceria naquela noite, a luxúria ou o amor?

A artífice só precisaria concordar com as normas e ela teria sua resposta.

— Ei Maka, o que acha de fazermos uma aposta?

— Aposta? Apostar o quê, Blair?

As unhas cor de roxo metálico agora coloriam o rosto da bruxa que olhava a artífice como de fosse sua próxima presa.

— Quem ganha a atenção dos dois, oras! A Maka, ou a Blair.

Um suspiro.

— Não, obrigada, eu passo.

E a loira estava contente o suficiente por não ter deixado nada além do descontentamento transparecer por suas palavras pois sua cabeça parecia querer dizer o contrário. De alguma forma seus nervos se agitaram diante do prospecto ofertado pela bruxa, mas longe dela ter sua autoestima tão elevada a ponto de querer apostar a atenção de duas de suas pessoas mais queridas por mero capricho, por isso Maka apenas levantou do sofá e seguiu rapidamente em direção ao quarto, não se preocupando em entreter o ego da gata que sempre ganhava a atenção dos homens ao seu redor como se fosse mágica.

Seu pai e arma inclusos.

— Vamos Maka, vai ser divertido, e se você ganhar eu te dou todo o meu cachê da noite passada que ainda não gastei!

— Eu não vou apostar nada Blair, se quiser se provar faça isso sozinha.

A bruxa bufou não se dando por vencida e parando seus passos apressados somente quando alcançou o batente da porta do quarto de Maka.

— Então fazemos assim, você fica aqui e eu na sala, quando eles chegarem se chamarem por você e me ignorarem completamente você ganha, o que acha?

Maka a encarou entediada enquanto segurava seus nervos e aquela voz suave que a incitava a apenas ceder com mais força.

— Só isso?

— Não é só isso Maka, é aquilo pelo o que eu vivo!

— Sim, claro, ser um símbolo sexual que existe para trazer tentação e perdição aos homens ou algo assim, certo?

— Exato!

A artífice de foice encarou a bruxa de olhos cintilantes e sorriso travesso com certo resguardo, se acomodando sobre a cama feita com as mãos segurando um caderno de notas que pegara rapidamente para manter alguma aparência diante do nervoso que sentia, divergindo o olhar de suas notas para o sorriso de Blair, que parecera não ceder o mínimo dada as suas palavras.

Se bem que não seria de todo ruim testá-las e ver aonde aquela aposta boba poderia ir.

— Certo Blair, vamos fazer do seu jeito mas já digo que dispenso o cachê.

A bruxa saltitou dando um giro e cantarolando mais uma vez sua música favorita sobre abóboras, indo em direção a sala enquanto Maka sorria vencida, diante da situação em que se metera graças as teias tão bem tecidas de sua velha amiga. Não que ser amiga de uma bruxa que adorava abóboras e no meio tempo se transformava em gata não fosse pedir por situações que as vezes passavam do limite do ridículo logo, tudo ao que ela se limitara naquele momento fora o de simplesmente esperar pelo grande ato, torcendo para que nada espalhafatoso acontecesse a ela, seu pai ou sua arma. Não com Blair, com ela nada de ruim realmente acontecia, talvez tivesse algo a ver com as sete vidas que os gatos possuem.

E tudo ao redor do apartamento parecera tranquilo como havia sido até então se não fosse pelo distinto som de chaves correr pelos cômodos momentos depois da aposta entre as duas ter sido feita, anunciando a chegada daqueles que viriam buscá-la para um jantar de aniversário atrasado e murmúrios começassem a surgir, sugerindo que Blair acabava de colocar seu plano em prática.

Ela só não contava com o que escutaria seguido de um miado muito do provocativo.

— Não Blair, sem essa, cadê a Maka?

— A Maka-chan saiu.

— Como assim saiu, quando combinamos de vir buscá-la?

Um sorriso sem graça viera ao rosto de Maka com aquelas palavras, até mesmo seu pai estava procurando por ela? Pensando um pouco, parecia ser uma piada de péssimo gosto escutar aquele mulherengo, galinha e maior desculpa paterna existente na face do planeta Terra soando tão agitado por causa dela, isso se ela não fosse capaz de discernir as nuances e camadas que cobriam aquele a quem ela costumava chamar por "papa". Spirit certamente tinha suas falhas e vícios mas até mesmo ela conseguia ver o pai que ele sempre se esforçou em ser naquele corpo que observava do batente da porta do quarto, segurando a barra do vestido que usava. E poder ver a expressão da bruxa bufando mais uma vez só que dessa vez, completamente desgostosa e nem um pouco contente em ver que suas táticas não surtiram o efeito desejado era de certa forma, um bálsamo que ela nunca esperou sentir. Em verdade ela rira ao escutar o som antes suave e agora pesado dos saltos de Blair indo em direção a cozinha, tal como vê-la se sentando sobre o balcão em sua forma felina, lambendo uma de suas patas enquanto a encarava de soslaio.

Você ganhou, Maka-chan.

Assim que sua vitória fora anunciada Maka saíra do quarto sorrindo largamente a medida que ia em direção aqueles que a acompanharia naquela noite, que a olhavam tão confusos quanto surpresos diante do ocorrido, enquanto que ela se voltava para gata com um brilho no olhar que ela não se lembrava de sentir com tamanha facilidade estando na presença dela. Confiança talvez.

Pela primeira vez em muito tempo Maka conseguia se sentir completamente feminina e era algo tão palpável que parecera sempre estar ali, em seu íntimo, mas que ela negligenciou em nome de outras prioridades. Longe dela não ambicionar ser desejada ou admirada pelos outros, ela só não se via agindo como tal com tamanha naturalidade quanto a bruxa afinal, quem é que conseguia ser um martírio para o sexo oposto sem sentir certo incômodo lá no fundo?

Bom, provavelmente apenas Blair e suas amigas bruxas.

Mas novamente, longe dela querer se importar com esses pormenores naquele momento.

— Comprei dois peixes para você hoje cedo Blair, estão na geladeira, já que gosta deles frescos.

Os pelos da gata se aprumaram.

— Obrigada Maka!

A artífice sorrira, maneando com a cabeça e uma piscadela de olhos, para em seguida empurrar suas companhias porta afora se aproveitando da brisa refrescante da noite para resfriar seu rosto quente e contente, que parecia não querer ceder em sua euforia e por algum motivo, em meio a isso ela decidira que seria uma ótima ideia se colocar em meio aos dois, segurando suas mãos e as balançando enquanto caminhavam rumo a algum lugar que desconhecia o caminho.

— Certo, e para onde vocês vão me levar?

Spirit coçou a nuca de um lado e Soul franziu o cenho de outro, algo não parecia certo entre os dois.

— Eu queria te levar para aquele restaurante - disse seu pai apontado para a direita — mas o seu namorado não gostou da ideia.

Soul estalara a língua, desgostoso.

— Quem vai a restaurante 'pra comemorar aniversário atrasado?

— E uma pizzaria seria ótimo não é mesmo?

— Foi só uma sugestão velho!

A artífice negou com a cabeça.

— Então vocês não se decidiram.

E mais uma vez Soul estalara a língua mas o sorrisinho convencido que dera parecia dizer algo muito diferente do descontentamento da parte dele, e quando se pôs a observar sua outra companhia por mera curiosidade, ela não pode deixar de notar um certo rubor colorindo o rosto do pai.

Ah não, a gente decidiu sim, o seu pai que não gostou que fui eu quem teve a ideia.

Um suspiro. Incrível como ambos conseguiam ser competitivos mesmo tendo idades diferentes.

— E para onde seria?

Os dois a guiaram em direção a uma lanchonete que curiosamente, ficava em uma esquina onde de um lado estava o restaurante que seu pai havia indicado e do outro uma pizzaria com um letreiro reluzente que piscava de segundo a minuto e um aroma de molho apetitoso demais para o paladar dela ignorar saindo por alguma fresta e que olhando pelo letreiro, parecia perder diante das concorrentes mesmo que aquele nome não deixasse de lhe parecer familiar.

"Cyber Roller".

Uma lanchonete com lanches, milkshake, café e vários sabores de sorvete, tudo isso servido por atendentes sorridentes deslizando sobre um par de patins.

— Quando viemos aqui pela primeira vez ele ainda se chamava Death Roller e tinha um ringue de patinação nos fundos.

Os olhos de Maka piscaram rapidamente buscando se lembrar daquele momento, para logo depois encararem a figura do pai em clara frustração, por não ter conseguido nada palpável em sua vasta livraria de lembranças que parecia sempre ter a disposição aquilo que precisava no momento certo.

— Você era nova demais para se lembrar.

Soul emitira um som em claro divertimento.

— Não sabia dessa.

— E você nem tinha chegado na cidade ainda Evans - Spirit mais uma vez olhara para a fachada a frente deles — O dono passou por problemas, quase fechou o ponto mas conseguiu manter ele aberto no fim, pelo visto manter um ringue de patinação e vender lanches custa muito caro.

E talvez dada a menção de mudança ao longo dos anos fez com que algo nas lembranças de Maka sugerisse um letreiro brilhante e maior, um espaço mais abrangente. Sem a pizzaria tão pouco o restaurante e de repente, olhar para aquela esquina agora lhe trouxera uma sensação estranha de como o tempo havia passado - tanto para ela quanto para o comércio de Death City - assim como olhar para seu vestido refletido no amplo vidro da fachada do estabelecimento a lembrara de outro detalhe importante.

— Então eu me arrumei á toa?

Spirit sorriu.

— Não foi á toa filha, você está linda!

E sua arma compartilhara do gesto.

— É bom te ver de vestido de vez em quando, Maka.

Os três riram mas ela não contara com gesto que viria seguido disso.

Tanto seu pai quanto sua arma levantaram suas mãos que ainda estavam interligadas e beijaram-lhe a face, trazendo um rubor quente e colorido ao seu rosto, a levando para dentro da lanchonete. Havia música preenchendo o ambiente quando passaram pelas portas de vidro, algo eletrônico mas ao mesmo tempo rudimentar, não soando em nada com as músicas eletrônicas que ela se acostumara a escutar no presente e em verdade, colocar seus pés naquela lanchonete era como estar em uma capsula do tempo, indo para décadas passadas fossem observando as luzes vibrantes, as roupas marcadas dos funcionários, a mobília colorida ou outro aspecto qualquer que ela falhava em processar. Seu corpo vibrava tal como seu peito em uma alegria hilariante demais para ser ignorada, ela sorria sem ao menos saber do motivo.

Os três dividiram uma mesa ao lado de uma das janelas amplas e altas que refletiam as luzes em neon, com lanches parcialmente comidos espalhados pela mesa e latas de refrigerante acompanhando uma taça de milkshake, enquanto que garçonetes corriam com pedidos em suas mãos e eles conversavam sobre o grande tópico daquela noite.

— Espera, então aquilo foi uma aposta?

— É, se vocês ignorassem ela e perguntassem por mim, eu ganhava.

— Isso é bem a cara da Blair.

— Curioso foi você ter dado trela praquela gata.

— Não foi questão de dar trela Soul, eu só fiquei curiosa mesmo.

— E você pensou que nós fossemos te ignorar só por causa dela?

— Vocês dois já fizeram isso inúmeras vezes.

— Filha, assim você me ofende!

— É, nisso eu tenho que concordar com o seu velho.

E Maka se limitara a sorrir, se divertindo observando os dois parecendo se sentirem completamente ofendidos diante do que havia sido dito e por mais que ela adorasse a ideia de investir em sua censura, tendo as palavras na ponta de sua língua, prontas para lembrá-los de todas as vezes em que Blair conseguia não apenas roubar a cena como a atenção deles - dela em especial - a loira acabou optando por terminar de beber seu alto copo de milkshake, resoluta. O som dentro da lanchonete mudara novamente, dessa vez uma melodia dançante e suave tocava, levando seus sentidos em uma viagem solitária pelo tempo enquanto olhava a noite do lado de fora. Luzes coloridas brilhavam no chão polido e ela se lembrava de alguém segurar uma de suas mãos enquanto seu pai deslizava a sua frente em um par de patins preto com detalhes em vermelho, só então ela percebera que também tinha um par sob seus pés só que estes eram cor de rosa, e que ele tentava ensiná-la a como patinar conforme outras pessoas também deslizavam pelo amplo ringue ao som daquela mesma música. Era enervante a atmosfera que sentira graças aquela lembrança que agora a forçava a analisar as diferenças de como aquele lugar costumava ser para o seu estado no presente. As mesas e cadeiras estavam diferentes, o estofado era diferente e as luzes neon que costumavam levar ao ringue de patinação que ficava atrás da lanchonete estavam nos lugares errados.

Em verdade a única coisa ali que parecia correta era aquela jukebox enorme e brilhante ao lado do balcão.

O som da falta de líquido em seu copo a trouxera novamente a realidade, o suor do vidro deixando seus dedos grudentos e enquanto ela alcançava os guardanapos no centro da mesa notou que seus dois acompanhantes pareciam discutir sobre um assunto aleatório que lhe fugia aos ouvidos conforme comiam de seus lanches. A música mudara novamente embora a melodia parecesse sustentar a anterior, como se fossem a mesma música só que interpretada por duas pessoas diferentes. De repente Maka se vira resumindo os eventos que a trouxeram até aquele momento. Desde a aposta com Blair até o lanche que dividia com seu pai e namorado em comemoração ao aniversário, mesmo que de maneira atrasada, seguindo o fluxo da corrente de emoções que sentira ao longo do período.

Ela não se lembrava de conseguir analisar seu dia tão facilmente como o vinha fazendo recentemente.

Talvez fosse a idade, e eles estavam reunidos ali em comemoração a isso.

— Me sinto incrivelmente velha agora.

Spirit a observava com o cenho franzido enquanto comia de seu lanche, os olhos longe demais para estarem apenas focados na filha, como se vissem algo que somente ele pudesse ver para em seguida, sem demonstrar claramente o que fazia deixar o segundo lanche que pedira naquela noite parcialmente comido sobre o prato onde fora servido, se inclinando sobre a mesa e levantando o rosto de Maka com uma das mãos, depositando um beijo em sua testa e voltando a se sentar logo depois.

O gesto fora seguido de uma expressão completamente fraternal.

— Você nunca será velha o suficiente para mim filha.

Isto é, se Maka fosse uma filha comum, acostumada com gestos fraternais.

— Eca pai, você acabou de comer! Agora a minha testa tá lambuzada de ketchup!

Entretanto Spirit simplesmente sorrira voltando a saborear de seu lanche e como se quisesse testar a paciência de sua artífice naquela noite, Soul, que também se deleitava em uma porção de batatas fritas cobertas por um molho de cor amarelo-alaranjado, a surpreendera com um beijo na bochecha.

— Você só tem vinte e cinco Maka, deixa de ser dramática.

Ah não! Você também não, Soul!

Os dois riram, claramente se divertindo as custas dela que tentava a todo custo tirar a meleca de molho e condimentos que seu rosto acabara de se tornar com vários amontoados de guardanapo feitos de um tipo de papel extra fino, o que tornava seu esforço ainda mais penoso. E enquanto Maka tentava ignorar boa parte do nojo que sentia para gravar as palavras que seu pai e namorado haviam dito sobre ela, procurou no lugar da aversão imediata colocar aquele carinho que sentira tão facilmente vindo deles.

Uma das garçonetes mudara a música novamente e seu pai fizera uma careta, sorrindo torto em seguida.

— Marie gostava dessa.

— A professora Marie?

Ele assentiu, encarando a jukebox.

— Ela dizia que a cantora era a única capaz de entender as dores dela, ou algo assim.

E prestando atenção a letra, Maka notara que apesar da melodia alegre a música falava de uma suposta separação, como se alguém houvesse ou estivesse para roubar o namorado da vocalista. Na verdade até mesmo a voz dela conseguia transmitir certo sentimento além da melodia que crescia conforme ela contava sua triste história. Só lhe era difícil figurar sua antiga professora em tal situação.

— Mas ela era assim tão... dramática?

Spirit sorriu observando a filha.

— Você precisava ver o quão arrasada ela ficou depois de ter terminado com o BJ - ele maneou com a cabeça — Azusa era quem acabava cuidando das dores dela sempre que a gente saía pra beber, mas era engraçado vê-la daquele jeito. Sempre que Marie começava a se emocionar demais ela conseguia encontrar algo ou alguém onde descontar o que sentia.

Os dedos de Soul batiam sobre a mesa, acompanhando o ritmo.

— Agora isso eu até consigo imaginar.

A mesa onde estavam já não tinha mais nenhum resquício de comida ou bebida, e conforme reuniam aquilo que seria descartado do que voltaria para a cozinha, Spirit se sentira inspirado o suficiente para compartilhar mais momentos de sua adolescência com o jovem casal, contando das várias vezes em que estivera naquela lanchonete com seus colegas e de histórias curiosas como a da vez em que Stein o tirara para dançar no meio do ringue de patinação só para chamar a atenção da mãe de Maka mas acabara fazendo com que todos na pista tropeçassem graças aos inúmeros deslizes que ele dava conforme puxava e girava Spirit em todas as direções. Os dois riam imaginando a cena mas seu pai parecia distraído com a súbita mudança das músicas.

Uma das garçonetes parecia enfezada diante da jukebox pulando várias faixas seguidas, ignorando quase que completamente os puxões que levava de alguém na cozinha, até finalmente encontrar uma que a agradasse o suficiente para cessar o movimento copioso de seus dedos agitados e a voz marcante da mesma vocalista da música de Marie iniciasse uma contagem suave de um a quatro, dando espaço para a melodia completamente agitada e estrondosa que veio em seguida, preenchendo a lanchonete rapidamente.

E talvez fossem os comentários de outrora que seu pai fizera ou pelas histórias que ele contara, mas Maka se sentia facilmente cativada por aquela voz o observando se levantar e ir em direção ao caixa com os pratos e o copo que usaram em mãos, até se atentar a repetição do refrão e começar a rir se lembrando imediatamente de Blair e sua brilhante aposta.

Soul fizera uma careta.

— Tá, qual é a graça agora?

E ela sorrira, semicerrando os olhos enquanto o encarava, esperando pelas palavras certas e quando estas vieram, seu riso se sobressaíra a letra que cantava fazendo um movimento com os dedos diante dos olhos.

"Staring like a Cat's Eye"
"Magic play is dancing"

A voz dela perdera parte do fôlego quando deu sequência ao "Shining green", "Bewitching like a Cat's Eye" mas ali Soul parecera entender a mensagem, rindo junto dela.

— Essa é bem a cara dela.

Fora a vez de Maka fazer uma careta.

— Mas nem pense em dizer isso 'pra ela!

Os dois ainda riam, se divertindo diante da coincidência enquanto Spirit se colocava em frente a máquina selecionando outra música, essa mais lenta do que as anteriores, "uma balada", fora o que Soul comentara surpreso quando seu pai voltara a mesa dando a noite como encerrada.

Eles já estavam longe o suficiente da lanchonete e de qualquer resquício daquela sensação atemporal que o lugar e suas melodias e luzes brilhantes e garçonetes deslizando em pares de patins a trouxeram naquela noite de celebração quando Soul fizera uma pergunta que a deixara curiosa sobre a resposta.

— Qual era a da música que escolheu velho?

E Maka jurava que vira seu pai corar pela segunda vez naquela noite, coçando a nuca dessa vez.

— Era música que tocava quando consegui dizer o que sentia para Amélia.

Amélia.

A mãe dela.

— Sério pai?

— Pode não parecer, mas seu velho aqui tem uma ótima memória.

Ela sorriu, observando o céu enquanto caminhavam de volta para o apartamento.

Maka sentia seu peito cheio, mas não era devido ao ar que inspirava.

No fim daquela noite ela poderia se dizer como sendo alguém incrivelmente sortuda.

  • Escrever essa oneshot acabou me lembrando de um doujin da Miya Katsura chamado "My Master!", só que sem a parte onde Maka ganha orelhas e cauda de uma gata no cio e Soul tem que lidar com esse detalhe infame para que ela volte a ser humana.
  • Gastei as melhores músicas das solistas mas caso queiram saber, a partir do momento em que menciono as passagens de faixa, deixei tocando "Good Bye Boogie Dance", "Fantasy", "Fly-Day Chinatow", "Blue Night Blue", dedicando brevemente "I Can't Stop The Loneliness" a Marie, até chegar ao ápice com "CAT'S EYE" que mencionei por motivos óbvios e não satisfeita, ainda inventei de adicionar "Stay With Me" ao final só de graça mesmo e vamos apenas dizer que Anri acaba de se tornar a minha mais nova musa do verão!
  • Acabei colocando o nome que dei a mãe da Maka mas é bem provável que em um futuro próximo, Atsushi Ohkubo finalmente dê um nome a ela, já que ele conseguiu dar uma cara para a bonita ao final de Fire Force renovando assim a minha vontade morta em ler o mangá dos bombeiros que pegam fogo.
  • Agora pulamos para terça (04/10), onde vendo o último episódio de "Todo Mundo Odeia o Chris" descobri a existência das jukebox de mesa e pensei que poderia ter usado delas na hora de escrever também :'(

Obrigada por ler!

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doukyuusei (bijutsubu)

※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★



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Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★



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que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
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