Wenomechainsama (♫) tumajarbisaun (♫)
※ 21 de dezembro de 2022 (6:47 PM) + comentários (0)
É verão, meus caros! Verão! O solstício chegou mais uma vez e dando sequência a minha série desconjuntada a respeito das estações do ano, escrever sobre a passagem da primavera para o verão foi mais cansativo do que eu imaginava. Para alguém que já tinha em mente a personalidade que daria para o verão e como ele se relacionaria com sua outra metade florida, colocar isso em prática foi cansativo - apenas cansativo - mas nada que ir a praia em um dia de sol não pudesse resolver! Em uma noite de quinta-feira todas as ideias se encaixaram enfim e usar como título duas músicas sobre a estação do Calvin Harris são o mínimo que vocês poderiam esperar de mim (a do título da postagem é mais por um vídeo do Sonic que eu adoro ficar revendo). Falando sério. Qualquer música sobre a estação mais quente acaba caindo no meu gosto favorito.E o que dizer desse layout colorido e lindérrimo dos meus dois bebês favoritos para celebrar o solstício, hm? Posso dizer com segurança que essa arte que montei deles é uma das minhas favoritas
- heatstroke
- primo vere x veris
- solstício de verão
- 1.870 palavras
Os sinais do verão as vezes chegavam antes do solstício, vinham em noites frias depois de um dia ensolarado, quando se ia para a cama e os pés gelados pelo suor corriqueiro não demoravam muito a esquentar. Havia sempre uma sensação estranha e fora do normal ao redor do corpo, um calor sobrenatural e acolhedor dizendo que estava tudo bem, que o pior já havia passado e que bons tempos viriam a frente e levariam consigo qualquer
resquício de desordem antes ali presentes. Ao menos era assim que gostava de enxergá-lo, como uma força sobrenatural capaz de fazer do nada, tudo e apenas tudo.Na presença dele era como se qualquer inquietação deixasse de existir em meus pensamentos, e que apenas com seu riso alto ele seria capaz de apaziguar qualquer ânimo desigual decorrente do crescimento de Lotte - o que vinha sendo difícil de amenizar ao final desta primavera.
Ah, garotos.
Nunca imaginei que ela viria a ser esse tipo de garota apaixonada, com mil cenários na cabeça só por causa de um colega de classe que elogiou um dos seus trabalhos de artes! Em outro momento certamente me divertiria com isso mas tendo um dever a cumprir, me manter presente em seu corpo estava ficando cada vez mais difícil com o passar das estações.
Associar e dissociar era um exercício quase diário e, por que não, simples? Era tão natural quanto respirar ceder um espaço que não me pertencia naquele corpo mas era exatamente por entender de sua necessidade por afeto que ficava difícil não ceder a ela e suas emoções carinhosas, que agiam como um impulso de energia incrível demais para ser dispensado. Em pensar que fora isso que me atraíra a essa menina no início! Todas as emoções e sorrisos e ah, a risada de Charlotte com certeza fazia com que cem fadas nascessem de uma vez só porém, nós precisávamos de um momento para respirar fora dessa mescla e esse momento era aquele pelo qual eu tanto ansiava desde a passagem do inverno.
Não que ele houvesse feito dessa uma primavera tranquila. Logo no início ter de lidar com aqueles ventos frígidos como boas vindas praticamente gelava o corpo de Charlotte dado a lembrança, e pela primeira vez a vi tão desgostosa diante da primavera. Da estação favorita dela.
E de todos os outros dias, que foram mais úmidos e nublados do que ensolarados. As semanas frias ainda agora me deixam desgostosa mas essa era a passagem das estações que, embora marcantes, sempre mudavam com o passar dos anos e este ano ser a primavera fora mais desafiador do que eu esperava. Se não bastassem as semanas de chuva, ter de lidar com as emoções de Charlotte foram a tempestade iminente com a qual não contava.
Ela já não era mais uma criança afinal.
Mas agora o solstício se aproximava e poder revê-lo era o melhor alívio que uma consciência tão cansada quanto a minha poderia receber no momento.
Os dedos e as unhas coloridas dos pés de Lotte afundavam na areia conforme andava pela orla e ao menos por hora, ela parecia gostar de estar ali e observar o mar, mesmo não entendendo completamente o motivo de se estar na praia naquele horário.
Enquanto eu já não entendia o motivo de ainda estar com ela, talvez fosse hora de mudar.
Mas mudar para onde, exatamente?
— Lotte! Lotte! Lotte! Lotte!
A voz era diferente da última vez que a escutara mas meu cerne parecia reconhecê-la facilmente, assim como eu simplesmente sabia das linhas da palma das mãos de Charlotte como se fossem as minhas. Metaforicamente, claro. Mas isso pouco importava. Era ele. O verão havia enfim chegado.
Veris estava de volta!
E junto dele viera o seu senso humor incorrigível que adorava pregar peças em quem quer que fosse. Eu e o corpo de Charlotte inclusos. As cócegas e o riso borbulhante vindo delas eram praticamente impossíveis de serem contidos.
— Veris!
— Bom trabalho esse ano, Vere!
Pude sentir os pelos no corpo de Charlotte se eriçarem a mera lembrança da passagem desse ano. Ela não fora ruim, tão pouco desagradável se comparada as anteriores mas, o serviço que ele me deixara em sua estadia com toda a certeza foi.
— Um péssimo trabalho, você quis dizer, certo?
— Não fique magoada por causa dele.
— Eu não estou magoada!
O garoto sorriu tão largo que seus olhos chegaram a desaparecer em pequenas fendas conforme uma de suas mãos bagunçava as madeixas curtas de Lotte.
— Você sempre fica de mau humor nos finais de ano.
— E você de ótimo humor sempre, não é mesmo? Francamente, que ideia maluca foi essa a de Ocaso? Desse jeito o clima no planeta vai virar de cabeça para baixo!
O garoto ainda com seu sorriso no rosto caminhou até onde a areia era mais firme e se sentou, cruzando as pernas e batendo em um dos muitos espaços ao seu lado. Ao mero vislumbre de seu rosto pude notar algo incomum. Parecera que algo nele havia mudado enquanto conforme caminhara até aquele lugar onde estava sentado. O que me lembrara do quanto detesto areia.
— O planeta já existia antes de nós, Vere, e o que Autumnus tem feito por ele é algo que nunca pude fazer.
Essa era nova... o tom bem humorado se perdera tão subitamente... mas não parecia ser brincadeira da parte dele, dado a expressão sofrida que tinha.
— E o que você poderia ter feito por aquele rabugento?
— Antes de vocês duas serem nomeadas Hibernus já era inacessível para mim. Acho que ser desprezado no início o fez ser desse jeito e nada do que eu dissesse poderia mudar isso, por isso mesmo gosto do que Autumnus tem feito por ele. Ao menos ela consegue algo além do silêncio vindo dele.
Curioso... para alguém sempre tão contente em sua essência, vê-lo preocupado com sua contraparte era realmente curioso. Principalmente quando seu nome era dificilmente mencionado entre nós durante as passagens.
— Eu também consegui algo além de silêncio.
Um sorriso. Mas com o olhar triste, contemplativo até.
— Vocês conseguem entendê-lo melhor do que eu. Entendem como é não serem queridas, ignoradas, pouco aguardadas. Desde os tempos antigos as estações mais quentes são associadas a fartura, a uma boa colheita, quando as mais frias trazem estiagem e continuaria a ser assim se não fossem vocês duas. Você, Primo Vere, principalmente. Você é o equilíbrio quase que perfeito entre nós. Você é a prova da mudança para o inverno, da prosperidade mesmo na incerteza... tal como Autumnus faz isso por mim.
A areia de repente parecera mais quente, grudando nas pernas, do jeito que sempre acontecia e se não fosse por estar ali ao lado dele esse detalhe seria mais incômodo, mas não era. Felizmente. Sempre me perguntei do motivo dele preferir a passagem perto do mar e agora isso começava a fazer um pouco de sentido... diante da cidade, da natureza... o mar permanecia o mesmo a cada estação, mesmo revolto, mesmo cheio, mesmo qualquer que fosse o adjetivo a água e a areia não mudavam.
Eram sempre constantes, independentes da ação do homem.
Mas o mar no inverno deveria ser frio demais.
— Eu posso trazê-lo para cá na próxima passagem.
E o riso de Veris voltava enfim, a soar, como o sol raiando.
— Isso seria ótimo!
Mas o abraço do verão era certamente melhor do que qualquer outro, ah, isso era! E talvez este pudesse ser o memento que buscava mesmo sem querer para Charlotte quando eu me for. Era hora de deixá-la. Uma pena que a infância não era para sempre.
— Já é hora, não?
Ele se levantou me estendendo a mão.
— Vamos para o mar então!
— Detesto praia - ele fez uma careta — mas você acaba de me fazer mudar de ideia Veris, obrigada.
— Que bom que ainda consigo te fazer mudar de ideia, Vere!
Perto da água a areia voltava a ser fofa, afundando os dedos dos pés a cada passo dado, mas até a temperatura se tornar agradável parecia ser uma tortura tão grande quanto fora a primavera desse ano.
A primeira onda a me atingir pela altura dos joelhos trouxe tontura, fazendo com que apertasse mais os dedos dele entre os meus mas assim que a sensação passou uma extrema leveza se apossou de meus sentidos e quando me dei por mim uma forte onda batia de frente contra o quadril, dali para ficar submersa seria um pulo mas não parecia ser uma ideia ruim. A maresia nunca fora tão refrescante como agora. A passagem estava feita, era verão! Era verão novamente!
— Gosto mais da sua estação do que da minha.
Ele pareceu ofendido.
— Não diga isso, Vere! Você é o primeiro verão, você é tão importante quanto eu!
E eu me sentia constrangida.
— Obrigada.
Quando chegamos ao gramado que separava a areia do concreto ele parou observando o céu e algo me ocorreu; Veris costumava trocar seus receptáculos com passar das estações e dificilmente se estendia com um, sempre dizendo que assim ele conseguia vivenciar mais culturas e conhecer mais pessoas e o quão impressionante isso poderia ser mas nunca entendi seus motivos verdadeiramente.
— Qual o nome dele?
— Luca.
— Luca?
Ele assentiu, voltando sua atenção a mim
— Sim, e você vai deixar Charlotte.
— Mas não tenho para onde ir ainda.
E Luca riu acenando para uma menina que se aproximava do outro lado da rua, balançando ambos os braços. Ela parecia feliz em vê-lo.
— Então fiz bem em encontrar alguém com uma irmã gêmea.
De braços abertos ele abraçou a menina, girando o corpo magrelo num vestido florido junto ao dele enquanto que ela sorria e seus olhos desapareciam facilmente, tal como os dele.
Uma irmã gêmea? Mas olhando bem, a menina realmente tinha certa semelhança com ele. Para além dos cabelos escuros e sorriso fácil, a altura dos dois parecia ser exatamente a mesma. Eu daria ao menos treze anos.
— Como assim?
— Por algum tempo tentei encontrar irmãos gêmeos, a princípio quádruplos seria o ideal para nós ficarmos juntos mas como isso se mostrou impossível. Gêmeos. E a Francis aqui sempre gostou da primavera!
Como se ter seu nome fosse o suficiente para ela, Francis sorriu mais uma vez, balançando a cabeça.
— Francis?
— Françoise Bay!
— Isso parece nome de praia.
— Papai gosta de praias, ele já viajou o mundo por causa delas, né Luca?
— É, ele já competiu muito como surfista. Nossos nomes acabaram sofrendo influência disso.
— Quanta criatividade...
— Você gostou dela?
Francis estava agarrada a um dos braços do irmão, seus olhos brilhantes em expectativa.
— É, ela parece ser uma boa companhia.
A menina sorriu, dando um pulinho ao lado do irmão. E por mais incrível que parecesse, ela parecia ser um corpo repleto de energia, tal como Lotte fora tempos atrás.
Ah, os bons tempos.
Os irmãos sorriram ao se despedirem de mim e, enquanto caminhavam balançando as mãos dadas a distância notei a vista marejada de Charlotte. Ela estava triste. Triste em perder a mim, sua amiga imaginária de longa data mas eu já não estava confusa, tão pouco apegada a então garota. Era hora de mudar e seguir em frente e não seria de todo ruim poder passar mais tempo ao lado de Veris.
- Incrível como eu escrevo essa série baseada nas estações no meu hemisfério e procuro pincelar suas variações sem nunca ter visto a neve ou presenciado o frio do Paraná, por exemplo, mas ao menos coloco minhas vontades a prova então acho que isso vale de alguma coisa.
- Decidi deixar a Vere chatinha. Do tipo cabeça dura que demora a mudar de ideia.
- E Veris foi totalmente inspirado na personalidade vibrante do meu queridíssimo Rengoku, pois Rengoku clama verão e é isso aí!
Obrigado por lerem!
E agora nos vemos no equinócio de outono!
Marcadores: drama club, entre estações, ineditas, oneshot, verão

doukyuusei (bijutsubu)
※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

arquivos gerais
※ fanfictions e marcadores
Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★

(atogaki) sotsugyousei
※ blogues singulares e os créditos
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and glenthemes (google fonts, sadthemes) background made with nichi and fotor, color palette in coolors (timely!! album cover anri) icons by b-aware, annicon, animeicons, sundry, recadreuse, trilies, vuvuzela, dulcinea, hawkeye, 1000dreamers. thank u ♥ |
quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.