{ oneshot } Rastros na areia
※ 7 de janeiro de 2023 (9:12 PM) + comentários (0)
Em agosto pude finalmente assistir a adaptação de Sandman para as telas de televisores comuns e com isso, senti a necessidade de reler os quadrinhos depois de sete anos e quem diria que essa pequena epifania de uma noite me traria inspiração para enfim - enfim - conseguir o ponto de partida para o spin-off de "Enquanto o sol se põe" que vinha tentando escrever a meses- rastros na areia
- izumo kamiki
- ao no exorcist
- 1.576 palavras
Essas palavras nunca foram ditas a ouvidos alheios mas, antes de sua princesa o palácio envolto em areia e agraciado por um esplendoroso e eterno pôr do sol não tivera alguém para ordená-lo. Naquele espaço de tempo perdido pelas areias daquele deserto. Entre o presente e o passado. Nada além da construção e suas sombras existiam, nada além destes e da senhora serpente, que ladeava a terra de areia caramelada e ressonava com suas sombras e edificações. Enquanto o Espelho do Mundo existisse em sua forma completa, ambos coexistiam em ordem simbiótica, entrando e saindo quando bem entendiam, as sombras não ficavam por muito e sempre haviam outras a caminho quando estas iam para não mais voltar; o palácio em nada se diferenciando de um ponto de ônibus em vossa realidade. Um lugar para chegadas e partidas.
Então o grandioso espelho se partiu e trouxe desordem a realidade e suas semelhantes e a Terra do Pôr do Sol ganhara seu nome de fato.
A senhora serpente notara em suas escamas brilhantes algo velho e algo novo, assim como algo que não deveria ser nomeado quando vira as duas criaturas brotarem da areia as sombras do palácio. Criaturas essas semelhantes as raposas da realidade de outrora só que menores, suas caudas muito mais peludas e curtas em tamanho, assim como suas orelhas eram muito maiores que suas próprias cabeças e essas duas criaturinhas pediram por um lar a serpente
assim como um motivo para uma velha amiga ainda existir. E assim surgira a primeira e única princesa da Terra do Pôr do Sol, Izumo Kamiki, que inconsciente de sua origem apenas se importava em seguir seus pormenores enquanto princesa, isto é, até o príncipe de terras longínquas aparecer e lhe trazer o brilho das lembranças. Memórias de seu nome e sua antiga realidade. Trazendo um presente cheio de frutos a jovem princesa e seu reino de sombras.Ela só desconhecia o motivo real de estar ali.
Em verdade ela apenas seguira com o que sabia, fizera e lidara com as situações que lhe surgiam de acordo com o que sabia entretanto, desde que conhecera o príncipe da Terra da Noite e junto dele outras terras além das dela, seu conhecimento pareceu ínfimo assim como ter encontrado um caco do Espelho do Mundo fez com que ela se sentisse deslocada - não merecedora do que tinha - e cada vez menos entendida de seu posto. A insegurança por vezes corroeu o coração da princesa e se intensificara cada vez mais quando via o príncipe saindo de seus domínios, a deixando em sua própria companhia novamente. Em momentos como esse ela caminhava em torno do castelo, torcendo para que isso amenizasse a inquietação que sentia.
A areia quente passava por entre seus dedos e aliviava seus pensamentos, como se eles caíssem cada vez mais fundo a cada passo dado.
Ele sempre voltava, mesmo que sua sombra não fosse sempre com ele.
Fora em uma dessas caminhadas, quando seus passos ficavam pesados e arrastados sobre a areia, que ela encontrara duas criaturinhas de pelo caramelado e orelhas maiores que suas cabecinhas e olhos negros, escondidas em uma toca á sombra do palácio. Essas criaturinhas a observando com seus olhos brilhantes mas sem se aproximarem ou se esconderem novamente em sua toca.
Izumo sentira o adereço preso ao final de sua longa trança bater rente ao quadril quando parara subitamente, encantada com a pequena dupla, sua pernas e corpo tomando ação ao tê-la agachada tentando chamar a atenção deles com as mãos. A jovem nunca vira algo tão afável aos olhos e tão próximo ao toque quando um deles se aproximara de suas mãos, observando e cheirando seus dedos, a procura de algo ali que pudesse ser uma ameaça chegando até mesmo a morder um deles, o que a fizera rir em meio ao desconforto pois mesmo depois disso ele não fugira dela, pelo contrário, chamara seu amigo para perto da princesa e quando ela dera por si, os dois pequenos animais estavam aninhados a sua presença.
Eles acabaram por se tornar sua companhia para quando o príncipe não estava mesmo que não se atrevessem a ir muito adentro no palácio, se resumindo a seguirem para onde quer que ela fosse.
Somente depois de conseguir a confiança da dupla de seres adoráveis que ela conquistara a chance de entender dos motivos que a levaram até aquele lugar, a deixando naquela condição limitada de pouco fazer além de zelar por um palácio habitado por sombras em uma terra onde apenas o pôr do sol brilhava sublime estando solene em sua própria companhia, ao menos por um período. Fora assim, com essas condições não ditas por palavras que a Senhora Serpente se mostrara a jovem princesa, saindo de uma duna a leste e rastejando sobre a areia até ela, em um momento que dividia com a dupla peluda de orelhas grandes, brincando com algo que encontrara em seu quarto e parecera chamar a atenção deles mas que deixaram sua faceta brincalhona ao notarem a presença da serpente, se aprumando conforme ela chegava cada vez mais perto deles. Fora naquele momento que ela soubera que estar ali não passava de mais uma chance que ela ganhara de viver, uma que ela perdera com a quebra do espelho, e isso graças a pequena dupla que ela adorava adular que juntos garantiram a ela uma segunda chance.
Uma segunda oportunidade de viver.
E estando ali ela enfim percebera o motivo crucial de sua posição, a posição que a Senhora Serpente outrora ocupara e que passara a ela para que tivesse um motivo latente o qual seguir.
O de ela ser a detentora do talento de algumas pessoas e do esforço de outras, era ela quem guardava o brilho adormecido nas sombras das pessoas para que no momento certo, eles rugissem tal como um leão assumindo seu espaço.
E pelo jeito, ter a presença da serpente ali, diante dela, confirmava que seu regime fora muito bem recebido por sua rainha e que ela estaria livre para escolher o que fazer dali em diante. Seguir como princesa daquela terra ou apenas ser um reflexo da Izumo Kamiki de outrora. Daquela que acabara recobrando uma parte das lembranças graças a sua estadia naquele palácio entretanto, sua escolha lhe parecera estar mais clara do que ela poderia imaginar tendo em vista o que conquistara estando ali. Era um estado curioso o dela, livre mas com liberdade o suficiente para decidir simplesmente ficar e continuar a tarefa que lhe fora ofertada de bom grado.
Ela se sentia incrivelmente grata, para ser dita a verdade.
Um som distinto ecoara pela magnitude do palácio, cruzando os amplos corredores e se dispersando por entre suas largas aberturas, dando origem a formas e figuras que ficavam tão belas ao entardecer - até se repetir - causando o mesmo processo várias e várias vezes. O deserto era silencioso em sua natureza e brutal para com os seres que não estavam prontos para sua essência, mas aquele som agudo e rápido não se dobraria facilmente ao calor da Terra do Pôr do Sol, não quando seu dono era uma ave migratória que tinha por costume passar por aquela terra sempre que seu dono lhe pedia.
Aquele som, um guincho tão distinto quanto aquele só podia significar uma coisa, uma mensagem.
Uma mensagem de Renzo.
Fora um estranho arranjo convencê-lo de que poderia sair daquela terra quando bem quisesse para visitar seus familiares, assim como buscar por especiarias que não existiam ali e que segundo ele deixariam qualquer fruta trazida pelas sombras mais saborosa - o que a jovem princesa duvidava - e tantas outras miudezas que as vezes lhe fugiam os lábios enquanto conversavam. A princesa perdera a conta da quantidade de vezes que o assegurara disso, de que seu retorno sempre estaria garantido, não importando o quanto ele demorasse a regressar. Mesmo que a princípio sua palavra não mudasse em nome dela, da vontade que ele tinha em ficar ao lado dela naquela terra, por mais que o sol lhe causasse irritações na pele que sempre estivera acostumada a ausência do calor e dos raios solares.
Então não era incomum ver o antes príncipe regressar a sua terra natal.
Nas primeiras ocasiões fora por pura birra da parte de Izumo, que o fazia voltar mais cedo e fora em meio a essas viagens que o patriarca dos Shima dera a ele uma ave de bico afiado e penas negras, dizendo que seria um bom meio de comunicação entre os dois enquanto estivessem separados. Daquele momento em diante, sempre que estava a caminho ele mandava a ave com uma mensagem para a princesa que quando entendera por fim o que os unira ali enfim encontrara seu lugar de direito.
A ave de penas negras a encontrara na fonte, ao centro da entrada do palácio, aprumando suas penas e emitindo o mesmo som de outrora ao vê-la, como se a cumprimentasse enquanto que, aos pés da jovem as duas criaturinhas orelhudas pareceram observá-la em curiosidade. A mensagem estava enrolada em um pedaço de pergaminho as patas da ave e mesmo que a letra dele não fosse das mais legíveis, ela acabara desenvolvendo um olho ativo para entender o que aquele monte de rabiscos viria a significar e um sorriso que chegava aos olhos iluminou seu rosto ao lê-la.
Dois sóis. O que seria a uma tempestade de distância em sua terra e após isso eles estariam juntos novamente.
- Eu só queria escrever essa continuação pela oportunidade de descrever Uke e Mike como uma dupla de fenecos, assim como colocar Yamantaka como um gavião peregrino.
- A serpente veio depois... ou antes... não me lembro exatamente só pensei que como sempre descrevia Izumo como uma princesa deveria haver um motivo para isso e como no doujin isso não era explorado, lá fui eu inventar alguma coisa para ver se algo fazia sentido aqui. Sei lá, até que ficou legal. Ao menos é o que acho, heh.
Obrigada por ler!
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※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.