Escrever cartazes mudou minha visão sobre mim
※ 12 de dezembro de 2023 (10:58 PM) + comentários (1)
E esse título ficou grande a beça mas não existe algo melhor do que essa frase na minha cabeça no momento.Hoje completo um ano como trabalhadora com a bendita da carteira assinada na empresa em que fui contratada em dezembro do ano passado. Ponto. Hoje também ganhei uma cesta de natal muito da bonita da Bauducco e meu CD favorito do GRANRODEO (SUPERNOVA) finalmente chegou. Ponto. E hoje, meu pseudo professor de como fazer cartazes me deu a martelada final no prego que a duas semanas estava incomodando a minha cabeça. Ponto.
Agora vamos por partes para que todos vocês compreendam o tamanho da epifania que tive nesta bela e ensolarada tarde de terça-feira (que virou noite pois levou uns minutinhos para fechar esse pensamento). Para começar, a um ano fui contratada em um dos mercados atacadistas que residem na minha cidade, depois de vários currículos um finalmente me vingou uma vaga e lá estava eu disposta a dar meu sangue por ela, e eu dei, e ao longo dos meses deste ano de 2023 consegui sozinha e com muito esforço, quitar todas as pendencias que eu e meu pai vínhamos acumulando desde que ele se viu forçado a sair de seu último emprego, claro que tive o apoio de algumas pessoas muito especiais mas a bucha ficou toda no meu colo. Logo em dezembro tive a luz cortada e com o vale que recebi, paguei todas as contas de luz e água atrasadas, meses mais tarde, o aluguel que fechou em dois mil e poucos reais, ainda sobrou a mercearia aqui da rua mas acho que isso é o de menos quando boa parte do que me deixava ansiosa finalmente cedeu. Daí em diante, pagando as contas "normais" o desafio era manter a casa, e fazer o mercado com o que sobrava para depois, sobrar bem menos. Foi um grande malabarismo equilibrar isso e ainda estar empolgada para trabalhar, talvez a parte boa foi ter meu pai cuidando da comida pois, ser do fechamento me deixava com uma grade bem pequena de horas úteis. E no trabalho, cada dia era um dia, desse jeitinho mesmo. Tinham os dias fluídos e os dias parados e ranzinzas. De sol gostoso, quente, aos meses de chuva que mais pareciam um ano inteiro de chuva, mas era algo que valia muito a pena por conta do pessoal - o meu pessoal do fechamento - trabalhar com eles era o que me deixava com algo inédito no peito e isso era adorável, depois de tantos anos por conta, fazer parte de um grupo era acolhedor. Desavenças a parte, sou muito grata a todos eles. Com o andar do ano, os ânimos iam para todos os lados, as férias de alguns funcionarios do Caixa Central realmente fizeram um número na gente mas nada que algumas risadas não pudessem solucionar e para ser honesta, não esperava poder ter conversas tão boas com os meus superiores, aquele lugar nesse ponto tem sido uma bela caixinha de surpresas. A empresa tem andado doente mas ainda consigo ver um futuro para ela, só basta seus funcionários quererem trabalhar e não fazer corpo mole por picuinhas alheias.
Mas enfim, voltemos ao foco. Eu, como boa entediada que sou, sempre que me sobrava tempo e não havia nenhum cliente a vista, pegava qualquer pedaço disponível de papel para desenhar pois, por mais vazia que minha cabeça pudesse estar, ainda conseguia fazer uns bustos bonitinhos para me entreter e nisso houveram aqueles que me disseram que eu poderia ser cartazista - e eu só me perguntava que diabos era ser um - mas eu meio que achava graça e continuava com o meu trabalho. Não levava muito a sério a ideia pois já tinha uma menina muito talentosa por lá com o cartazista da casa todavia, no final de outubro, um dos meninos da mercearia meio que me incentivou a procurar mais sobre o assunto quando olhávamos para um cartaz de Dia das Bruxas exposto no refeitório e como não tinha nada melhor para fazer, no dia seguinte fui até o RH perguntar se havia algum requisito para trabalhar com cartazes e quem diria, não precisava de nada, a não ser interesse e um pouco de talento com desenhos. Só não imaginava que meu interesse fosse se tornar verdade tão cedo quando, no final de novembro, me vi entrando numa salinha pequena, escondida no RM e descobrindo enfim, como era escrever um cartaz, ou cartazes... e se tem alguém que trabalha naquele lugar é o cartazista!
Um detalhe interessante, e que me moveu bastante, foi isso ter acontecido em um momento onde me sentia muito deslocada com o desligamento de uma grande amiga minha e com a súbita mudança de horários do meu pessoal recorrente a entrada da leva de novatos da temporada que se sucedeu a isso. Era estranho ver parte dos meus colegas saindo mais cedo quando o nosso fechamento parecia mais uma tempestade sendo anunciada. Poderíamos ser a pior leva de novatos daquela empresa mas éramos unidos, logo isso me doeu um pouquinho mais do que gostaria de admitir e então, eu me vejo solitária novamente uma semana depois disso. Não vou mentir que não gostei de entrar mais cedo (pois o cartazista trabalha até no máximo as cinco da tarde) mas me isolar da turma foi algo bom e ruim ao mesmo tempo. Vê-los seguindo sem mim ainda dói um pouco, mas é ótimo ver o quão bem eles me querem, deixa um quentinho no coração, aw!
Tudo o que me passaram é que eu entraria em um processo de aprendizagem com o cartazista da casa para, quem sabe, caso eu me desse bem, eu viesse a render as férias dele, pois só tem um cartazista na empresa. E isso, sem querer, acabou me deixando um tanto tensa. Tentei levar isso torneira abaixo mas é um sentimento que vem e vai e não tem me feito tão bem. As pessoas com quem costumava me relacionar estão distantes e as novas são de cargos superiores (
essa nova realidade, aceitar que logo mais terei de lidar com cartazes e faixas e o gerente me cobrando cartazes, ao invés de tirar o máximo que tenho do momento presente. Onde tenho alguém experiente e incrivelmente bom no que faz para me ensinar.
Peguei a manha logo na primeira semana, me acostumar aos pincéis (são canetas recarregáveis de ponta fofinha de quatro larguras diferentes) não foi difícil mas aceitar que ainda não sou uma expert também não foi e nem está sendo fácil, hah, quem diria que no auge do meus vinte e seis anos eu ainda teria aquela necessidade absurda de querer ser perfeita em tudo o que faço, quando na realidade nem sei lidar com os materiais que tenho em mãos!Sim, eu sou uma grande toupeira.
Enquanto os meus primeiros cartazes eram bem feinhos, ter elogios do meu professor e vê-los na loja tão rápido me deixou surpresa. Na segunda semana estava evoluindo mais, pegando detalhes aqui e ali, anotando quando podia, e até mesmo enfrentando as temidas e enormes faixas que ficam de frente para a pista... em três semanas posso admitir que fiquei impressionada com os avanços que tive até mesmo aquele que fez cartazes por seis anos se impressionou com a minha capacidade... até chegarmos a minha epifania... a de que eu sou obcecada com a perfeição daquilo que produzo. Tudo o que faço tem que sair livre de errinhos ou defeitos e nisso imaginem a quantidade de cartaz que não foi pro lixo! No começo eram as palavras mau medidas, pois ter noção de espaço foi outro detalhe que aprendi ali, algo que nem desenhando ousava explorar por pura preguiça; depois os erros por falta de atenção, o que veio em consequência de querer fazer tudo tão rápido quanto meu pseudo professor, mas afinal, pra quê tanta pressa coração? Nessa mania de querer chegar numa lapidação de anos em dias perco o melhor do presente, mas em meio a minha cacofonia de ver alguém ao meu lado fazendo cartazes e splashes sem descartar um enquanto estou terminando o segundo e com ao menos três sendo descartados, vai dizer que me lembro de respirar e ir com calma?! Eu sei que preciso de foco e atenção e calma no coração para não descartar um pedaço grande de papel por tão pouco mas é um lembrete difícil esse o de simplesmente respirar e ir com calma.
A grande epifania que aprender a fazer cartazes me trouxe é a de que eu ainda sou uma introvertida ansiosa e apressada, lá no fundo - francamente é só olhar para a minha letra e a incapacidade que tenho de adaptá-la quando me sinto confortável, aumentar e diminuí-la tem sido um pequeno desafio todos os dias da semana, dirá com os numerais - e quando me sinto insegura é como se esse estado corrosivo voltasse a superfície. A vida. Mas não quero continuar a me sentir tão insegura, tão inquieta e quieta, preciso de coragem para ocupar esse novo espaço e não me balançar com o prospecto de não ter mais alguém para me guiar por esse novo caminho. É chegada a hora de ter a coragem necessária para tomar aquilo que realmente é meu. E esse posto só vai ser conquistado com a prática diária, isso não tem jeito.
Este é realmente um mundo cheio de oportunidades, penso enfim, resta a mim querer ousar aproveitá-las. A sincronicidade com que os eventos que aconteceram esse ano ainda me impressionam, e muitos deles só aconteceram por eu ter me dado a liberdade de apenas aproveitar o presente.
E eu realmente preciso meditar, me deixar levar pelo fluxo tem me deixado muito nervosa.
Não me enlouqueça coração, eu tenho pressão baixa!
MEU CD CHEGOOOOOOUUUUUUUU AAAAAAAAAHHHHHH!!!
SOCORROOOOOOOOOOOO!!!
"Miracle" SIA
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Nublado e com nuvens.Marcadores: primavera, script fairy, temperança

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※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★

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quem reiste, sofre
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.
quem se rende, cresce
o que você precisa aceitar para que a leveza
chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.