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{ oneshot } A encantadora Amy Rose

※ 23 de janeiro de 2025 (3:45 PM) + comentários (0)

  • a encantadora amy rose
  • amy rose, sonic, cream, shadow, chease
  • sonic the hedgehog
  • 7.095 palavras
  • "Amy estava frustrada por não conseguir treinar com Shadow nos últimos meses, era agridoce o gosto de querer colocar uma vontade em prática mas não conseguir executá-la com sucesso mas imprevistos acontecem todos os dias e foram estes que trouxeram Sonic a sua porta, oferecendo algo que ela não esperava... ou esperava, suas cartas sempre a deixavam na frente por mais que ela não conseguisse acreditar as vezes. Foram-se muitas as decepções que suas leituras lhe trouxeram no passado afinal."

A forma já não estava tão quente quando desgrudou o bolo que havia acabado de assar dela e pegando alguns pratos do armário ela se permitiu contemplar o que a levara até aquele momento presente, onde tinha seu seleto grupo de amigos reunido na sala de estar conversando mutuamente em tons elevados trazendo um sorriso ao seu focinho levemente rosado mas bem, o que seria deles sem o caos para reuni-los, não é mesmo? Se não fosse por Eggman todos eles estariam facilmente vivenciando experiências aquém aquela que dividiam no presente e talvez, essas pequenas reuniões pós embate aconteceriam com bem menos frequência... se é que elas realmente aconteceriam... será que ela seria a mesma daquele momento se nunca houvesse conhecido Sonic e todos os outros? Juntos eles funcionavam tão bem, como uma máquina bem lubrificada e precisa, e se não fosse assim eles não teriam conseguido acabar com o plano possivelmente maligno que Eggman tivera planejado especialmente para aquela tarde. E por mais prática que sua estratégia tenha se saído ela sabia que fora apressada em analisar o todo, se surpreendendo com o resultado final e se não fosse pela presença de Shadow e seus companheiros, era certeza de que o plano poderia ter dado um resultado bem mais aquém do esperado.

Se ele não houvesse ido visitá-la naquele dia era ainda mais provável que ela não o veria tão cedo também.

Sua mente acabara tão imersa em pensamentos que ela mal notara quando os pratos que segurava, que estavam numa quantidade maior do que ela poderia suportar em uma mão, penderam para um lado e quase causariam um estrago no chão se não fosse pela rapidez de Sonic em livrá-la do dano e de ter que comprar uma louça nova.

O ouriço sorria galante como de costume, colocando os pratos na mesa e sendo ágil o suficiente para pegar o restante que ainda estava na outra mão dela.

— Essa foi quase Ames.

Sendo retirada a força do estado atônito ela sorrira ao amigo.

— É, foi quase. Obrigada Sonic.

— Tranquilo mas, se essa era uma desculpa pra não me servir o bolo foi uma péssima ideia. E eu estou morrendo de fome!

— E quando que você não está morrendo por alguma coisa?

Ele a encarou, claramente ofendido.

— Eu vou fingir que não escutei isso.

— Certo, mas o bolo não é só para você espertinho, é para dividir com os outros também! Hoje todos merecem um agrado.

O ouriço mais veloz de Mobius a encarou incisivamente mesmo de soslaio, tentando tirar dela o máximo de informações que conseguia apenas no olhar.

— Inclusive o Shads?

A faca que ela usava para cortar o bolo, que estava muito fofo aliás, escorregara sobre o prato causando um som desagradável.

— Oi?

— Ele ficou em cima de você o tempo todo Ames e você nem percebeu. Se não fosse por ele, você teria tomado um dano bem considerável hoje. Sem contar que se não fosse por ele eu também não teria notado os pratos caindo então, o que tem entre vocês dois?

A mente de Amy entrara em alerta sem que ela pudesse ter o controle sobre isso.

— Nada de especial.

— Sei, se não existe nada de especial entre vocês dois então por que mesmo agora ele ainda fica encarando você?

E como se o ouriço azulado lhe sugerisse o gesto, Amy se viu procurando pela figura de Shadow na sala que, pelo portal que dava entrada para a cozinha a observava atentamente do sofá que dividia com Rouge e Knucles e que tivera sua troca de olhares quebrada quando a morcega o distraíra com uma cotovelada no braço, dizendo algo em sua orelha que o fizera ter uma reação minimamente cômica quando seus olhos aumentaram de tamanho.

Amy sentira um pouco de inveja daquela troca.

Rouge parecia conhecer Shadow tão bem, ao menos bem ao ponto de deixá-lo constrangido.

— Não sei, por que não pergunta pra ele já que está estão tão curioso?

— Porque ele é rabugento e cheio de si mas você não me engana Ames, tem algo aí que você não quer falar.

E ela encarou Sonic com certo descrédito, como se lentamente sua cabeça sempre tão rápida analisasse as palavras que lhe foram dirigidas sem pensar nem por único segundo que elas eram distorções de sua imaginação. Chegava a ser engraçada a situação na qual ela acabara de se colocar. Ali estava ela em sua cozinha, no conforto de seu chalé em meio a uma reunião de amigos, cortando um bolo que acabara de assar e ali estava Sonic, seu objeto de afeição quase obsessiva por uma boa parte de sua vida, do outro lado da mesa, interessado por algo que ela julgava passar muito longe do radar dele. Que por um longo tempo passara longe do radar dele, ela no caso.

O que Amy fazia ou deixava de fazer em seu tempo livre, no caso.

Chegava a ser engraçado mas ela não via muita graça naquilo.

— Então eu finalmente consegui te deixar enciumado é?

Mas ver o amigo perdendo o pé e quase batendo o focinho na mesa fora minimamente divertido.

Amy! Seja sincera comigo, vai?

— Ele tem me dado aulas de patinação.

Ao menos era essa a ideia inicial, isso se Shadow não tivesse se envolvido em uma missão atrás da outra no último mês e por períodos longos de tempo, tão longos que dificilmente ele conseguia manter contato tendo sido uma tacada de sorte ter recebido uma mensagem dele explicando o sumiço... e fora por esse motivo que ele aparecera naquela tarde, para se desculpar pelo imprevisto e quem sabe programar mais aulas mas Eggman aparecera com outro imprevisto em mente.

Ela jurava ter visto Shadow fumegando quando atendera a ligação de Rouge.

— Patinação? Por que patinação? E por que ele?

Ah sim, Sonic ainda parecia estar incrivelmente interessado nas aulas de patinação que Shadow vinha dando a ela.

— Curiosidade. Só isso.

— Isso não parece ser só curiosidade Amy. Tem mais coisa aí.

— Ah, mas não tem não. Eu só queria saber como é ter a mesma velocidade que vocês dois tem.

O ouriço azul cruzou os braços pouco convencido.

— Como se o Shads fosse mais veloz do que eu...

Amy sentiu um sorriso se espalhando por seu focinho diante das palavras do amigo. Parecia mais que Sonic estava enciumado pela posição que ganhara com relação a Shadow para ela e não tanto da súbita relação que os dois adquiriram recentemente e isso só porque ela recorrera a Shadow e não a ele em primeiro caso. O que não deixava aquela conversa menos divertida tendo em vista a personalidade de Sonic.

Mas ela havia procurado por ele de inicio.

— Acontece que eu procurei por você primeiro, se é que consegue se lembrar disso e você não conseguiu me ajudar Sonic. Por isso pedi ajuda ao Shadow.

Aquele comentário o pegara de surpresa quando a encarou com os olhos arregalados, o descaso faceiro sumindo de sua expressão quase que instantaneamente trazendo um gritinho de vitória que Amy se segurou para manter dentro de si. Não seria ela a cantar vitória numa desconfiança que ele trouxera a tona.

— Eu não pensei que você estivesse falando sério.

— E pensou que eu só queria monopolizar você, certo?

Sonic cruzou os braços sobre o peito e riu como se ela lhe tivesse contado uma ótima piada.

— Como nos velhos tempos.

O curioso acabou sendo ela se ver rindo também, diante daquelas palavras.

— É, como nos velhos tempos.

Onde o mundo dela girava em torno da estrela maior, rápida e azulada, que sempre escapava de seus dedos e Amy sentia falta dos velhos tempos. De quando sua mente conseguia se preencher sozinha com maneiras de impressionar Sonic, assim como de sua ingenuidade, de seus sentimentos intensos que marcavam aquela idade. Os velhos tempos eram fáceis, simples e em verdade, ver Sonic rindo de forma tão faceira quando acabara de mencionar aquele tempo passado que ambos dividiram a fazia pensar se ele já não havia feito as pazes com o seu próprio passado.

Ao menos era o que ela vinha tentando fazer de tempos em tempos.

Aprender a patinar viera de um desses impulsos se ela fosse ser completamente honesta consigo mas de nada adiantaria ir tão longe naquele momento presente. Sonic estava bem, ela estava bem e consequentemente, seus amigos estavam bem também.

Então ela se pôs a fatiar o bolo e assim, espaçar seus pensamentos.

— Mas não tem nada entre vocês dois mesmo?

A faca emitira outro som, esse mais comedido, ao entrar em contato com a louça onde desenformara o bolo.

— Você está preocupado comigo?

— Um pouco, Shads não é alguém fácil de se relacionar.

— Eu sei, mas ele só tem sido uma boa companhia, não se preocupe tanto. É bom ter alguém como ele por perto.

As mãos dele encontraram as dela no meio da mesa, o gesto a surpreendendo um pouco.

Sonic era cheio de surpresas afinal.

— E você tem a mim também Amy.

Ai Sonic, como você consegue sentir ciúmes e ser tão bobo ao mesmo tempo?, o pensamento lhe ocorreu tão rápido quanto a atitude de circundar a pequena mesa e beijá-lo na bochecha pegando o amigo desprevenido que agora a encarava num misto de surpresa com o focinho levemente corado.

Uma visão rara na expertise de Amy sobre seu amor de longa data.

— Eu sei. Agora por que não me ajuda levando o bolo e os pratos pra sala, hm?

Sonic piscara algumas vezes antes que seu sorriso faceiro voltasse a colorir o rosto, dividindo a pilha de pratos em duas e sumindo num vulto azul que voltara e levara o bolo em seguida. Ao fundo ela pode escutar um instante de silêncio até a comoção surgir com a chegada do bolo e poder observar esse momento de relance de onde estava fazia seu coração se apertar um pouco - ela adorava momentos como aquele mas não dos embates que Eggman os forçava a ter por esporte, e sim dos momentos que partilhavam depois destes - pois não era sempre que ela conseguia ter seus amigos reunidos em seu chalé, saboreando de suas receitas. Momentos como aquele deveriam ser queimados em suas retinas para sempre serem lembrados.

E um suspiro pesado depois desse pensamento ela se pusera a separar os copos que serviriam as bebidas, sendo surpreendida por outra presença, uma mais densa que a anterior.

— Quer ajuda?

Shadow.

Shadow e sua voz grave que ainda conseguia lhe causar arrepios quando pega de surpresa.

— Hoje vocês estão prestativos demais, não acha?

— Sonic que veio na minha frente.

Ela o encarou.

— Então deveria ter sido você o tempo todo?

E ele desviou o olhar preferindo não dizer nada.

— Certo, então me ajude com as bebidas! O suco está na geladeira e eu vou deixar o café na cafeteira, enquanto levo os copos.

— Rose.

Ela se virou, parando no meio do caminho com alguns copos em mãos, as xícaras ela levaria depois.

— Me desculpe por hoje.

— Por que? Não tem nada pra ser desculpado Shadow, imprevistos acontecem e você com certeza tem mais demanda do que eu no trabalho, não é nada demais.

— Mas você-

— Ei Amy! Você disse que ia trazer o suco, tem gente com sede aqui!

— Depois Shadow, depois. Por hora aproveite a reunião, quem sabe quando vamos estar todos reunidos assim?

E ela realmente queria poder aproveitar aquele momento, seu coração não deixara de se sentir enclausurado desde que aquele pensamento lhe ocorrera. Amy realmente amava ter seus amigos por perto. Todos eles.

Inclusive Shadow.

E ela adoraria que ele pudesse enxergar isso como seus olhos, que ele visse o quão querido ele era por todos ali reunidos independente do passado, todos que estavam ali já se consideravam muito mais do que meros atrasos na vida um do outro.

E se houve algo que ela decidira desde que Sonic aparecera em sua vida era de ela também era alguém importante, alguém valida e digna de fazer parte daquele grupo de amigos ou guerreiros por assim dizer afinal, nem todos em Mobius aguentavam o tranco que Ivo Robotnick era capaz de causar e como se fossem uma máquina ordenada, mal ela trouxera os copos, Shadow já a complementara com o suco, a ajudando a servir os amigos para depois se dividirem com o café e depois se acomodarem na modesta sala de seu chalé, que agora estava abarrotada de animais!

Amy sorrira bastante naquela tarde.

Fosse com algum comentário esperto de Sonic, fosse com as piadas que Rouge fazia de Knuckles, todos os rostos ali pareciam contentes. Seu bolo acabara tão rápido quanto o suco e o café e alguém provavelmente teria surrupiado mais alguma coisa de sua cozinha caso Shadow e Tails não houvessem notado.

Seu coração estava feliz e cheio de contentamento.

Mesmo quando aos poucos seus amigos se despediam e iam embora.

Ao fim da tarde somente Shadow ficara ao seu lado na soleira da entrada para se despedir de Rouge que comentara o quão triste Omega ficaria sabendo que o amigo demoraria mais para chegar ao que ele apenas estalara a língua. A velha chantagem emocional. E somente quando não havia mais ninguém, como no começo daquela tarde que ele se pusera a dizer algo.

— Certo, e o que você queria me dizer mais cedo?

— Que eu vou ficar ocupado por mais tempo do que imaginava, não vou ter mais do que dois dias livres ao longo do próximo mês e não vou conseguir te dar aulas como antes.

Uma pontinha de desapontamento pingara em seu íntimo.

— Que pena, eu estava gostando de patinar.

— Isso porque ainda nem ficou boa.

— Ei! Quem te deu liberdade pra ficar caçoando da minha cara?

E Shadow, que ainda encarava a amiga desaparecendo no horizonte do fim do caminho esverdeado se virou para encará-la arqueando uma das sobrancelhas e braços cruzados, sua marca registrada.

— Você oras.

— Quando que você ficou tão engraçadinho, Shadow?

Amy cruzara os braços o imitando, causando uma pequena crise de risos no outro e a desmontando por completo.

— E rindo? O que aconteceu nessa última missão?

— Algo bom, eu acho.

— Que bom então! Agora você estando de bom humor eu não sei dizer se é um bom ou mau sinal.

E Shadow apenas a observara com um sorriso pequeno que a baixa luminosidade se tornava uma visão que ela não estava preparada para ver e se Amy fosse honesta consigo mesma naquele momento ou até aquele momento, ela não esperava ver tantas facetas dele em um período tão curto de tempo, tanto dele quanto de Sonic, e pensar nisso lhe trouxera um rubor quente ao focinho, sua mente queria correr na frente e lhe pregar peças, traçando uma linha imaginária no horizonte de seu coração que ela sabia não existir mas pudera! Eram situações demais para serem assimiladas simultaneamente que ela acabara quebrando a troca de olhares que estava mantendo com o ouriço de pelos negros até o momento.

Mas este tinha outros pensamentos em mente quando pegou uma de suas mãos para beijá-la.

— Obrigada por me receber hoje, Amy.

Amy piscara copiosamente diante do gesto.

Só que... outro detalhe lhe chamara a atenção... Shadow a chamara pelo primeiro nome... e Shadow não era conhecido por dar esse tipo de reconhecimento a qualquer um... pudera nem mesmo Sonic conseguira esse gostinho da vitória e ali estava ela, numa cena facilmente tirada de um filme de sessão da tarde, onde o personagem misterioso lentamente se livre de seus resguardos para a protagonista. Era tão genial que parecia uma piada, se não fosse a realidade.

Algo em seu peito a impulsionara para frente, querendo forçar a linha e ver até onde essa cena a levaria.

— Quando você volta?

Ele pareceu pego de surpresa pela pergunta.

— Dentro de quinze dias, talvez antes, por que?

— Quer aprender a fazer pães comigo? Rouge me contou que você gosta de cozinhar e eu queria te agradecer pelas aulas, de alguma maneira.

— Você não precisa-

— Mas eu quero. O que me diz? Assim você terá algo a mais para se gabar com Sonic.

Shadow a encarou por um breve instante, ainda processando o que acabara de escutar para então rir de suas palavras.

E ele riu. De verdade.

E Amy estava adorando conseguir fazê-lo rir.

— Tudo bem então.

— Quando voltar me avise.

E assim, com um último olhar Shadow desapareceu nas sombras da noite enquanto que o peito de Amy parecia pular tamanha a euforia que sentia. Seu corpo se sentia flutuar conforme ela voltava para dentro do chalé recolhendo os copos e talheres restantes na mesa de centro da sala, a mente longe demais para se importar com as atividades mecânicas de lavar a louça.

Mais calma quando se preparava para dormir, ela recorrera ao seu velho deck de cartas refletindo sobre os eventos do dia e do que eles causaram a ela para no meio da tiragem duas cartas caírem juntas sobre a cama. Uma sendo aquela que ela passou a associar a figura de Shadow e a outra... um Rei de Anéis... e essa ela se lembrava muito bem a quem se referia, tanto que seu coração dera uma batida a mais pelas memórias que a carta evocava... o Rei de Anéis era a carta que trouxera Sonic a sua vida mas ela já não aparecia a tempos! Algo não estava certo. Isso era estranho demais e embaralhando as cartas novamente outras duas caíram para que então a mente ágil de Amy entendesse melhor a figura principal.

O Coração Virtuoso... era ela e... Futuro Ilimitado... seus dedos correram por entre os espinhos em nervosismo não gostando muito do que via... era um chute uma possibilidade... uma faca de dois gumes... ela sabia disso mas aquele jogo parecia cruel demais até mesmo para ela e embaralhando mais um pouco apenas uma carta caíra depois de algumas tentativas.

Oito de Fogo.

Dois de Água (Shadow) e o Rei de Anéis (Sonic) com o Coração Virtuoso (Amy) e um Futuro Ilimitado, diante do que acontecera naquela tarde e o Oito de Fogo, mesmo que ela não quisesse enxergar estava mais claro do que a luz do seu abajur! Um triângulo amoroso, hah! Tanto Sonic quanto Shadow estavam interessados por ela e Futuro Ilimitado ao lado do Oito de Fogo lhe dizia que a decisão estava nas mãos dela!

Que droga!

Que droga!!

Que drogaaaa!!!

Bendito o dia em que ela pedira por aulas de patinação!!!

Se a Amy do passado tivesse um jogo desses em mãos ela não pensaria duas vezes sobre sua escolha mas agora... a Amy do presente titubeava um pouco.

Sua mente se sentia incrivelmente cansada e pensar nas possibilidades e probabilidades daquilo fazia tudo começar girar a medida que seu coração apenas martelava no peito.

Chaos!!!

Por fim, ela decidira dormir.


Não demorou muito para Sonic procurá-la.

Amy cuidava de seu jardim, retirando ervas daninhas enquanto colhia os legumes e tubérculos que já estavam prontos para deixarem seu provedor de nutrientes, assim como aproveitava para pegar alguns temperos que estavam vingando melhor do que ela esperava uma ótima aposta a de Vanilla quando lhe dera mudas dizendo que ela deveria testar os temperos e se Amy fosse ser completamente honesta consigo mesma, o cheio do alecrim em suas luvas era divino, trazia frescor e leveza como um vento fresco num dia quente de verão.

Assim como o vulto azul que passara pela entrada do seu jardim, balançando todas as folhagens, inclusive aquelas que ela acabara de colher.

— Sonic!

O vulto parara abruptamente no meio do caminho refazendo seus passos velozes e passando ao redor dela, recolhendo o que havia tirado do lugar.

— Desculpa Amy.

Sonic parecia sem graça parado ao lado dela.

— O que houve?

— Nada.

— Nada. Nada nunca te trouxe até mim Sonic, a que te devo a visita?

Ele se sentou ao seu lado agarrando algumas ervas daninhas que ela não se atentou em tirar.

Por fim, ele apenas deu de ombros a olhando sem jeito.

— Queria passar o dia com você, posso?

Ela o encarou incrédula.

Depois piscou algumas vezes para ter certeza de que Sonic o ouriço, estava realmente ao seu lado.

No seu jardim.

Perguntando se eles poderiam passar o dia juntos. Juntos.

Sonic, que sempre fugia quando ela o perseguia (certo, perseguir é uma palavra muito forte, mas Amy sentia muito fortemente seus sentimentos por ele, carregava seu coração na mão praticamente).

Então era de se esperar sua surpresa.

— É claro que pode Sonic. Só que isso é muito estranho vindo de você.

— É, você tá certa. Então o que vamos fazer hoje?

Amy sorriu, balançando a cabeça para os lados se levantando em seguida, pegando um dos seus cestos e indicando para que ele fizesse o mesmo com os outros dois.

— Então hoje vamos ter uma aventura a la Rose!

Depois que terminaram de cuidar do jardim, com Sonic retirando as ervas daninhas e folhagens secas enquanto que Amy se ocupava de realocar uma muda de romã que não estava vingando na parte mais ensolarada do jardim, a dupla seguiu para a cozinha onde munidos de legumes se colocaram a cozinhar em conjunto. O que acabara sendo uma disputa a parte com a agilidade de Sonic para cortar e fatiar o que Amy lhe indicava a medida que ela tentava entretê-lo ao longo do preparo, visto que o tump-tump-tump de um dos pés dele começara a irritá-la em certo momento.

— E o que você vai fazer Amy?

— Um prato que aprendi quando estive em Empire City.

— Você esteve em Empire City? Quando que foi isso?

— Uns dois anos, mais ou menos. Honey me convidou, foi bem divertido!

O tump-tump-tump cesara.

Ao menos um pouco.

— Vocês ainda tem contato?

Ela o observou surpresa.

— Claro que sim, ela é a minha melhor amiga oras!

— É que dificilmente vejo vocês juntas.

Ela deu de ombros, voltando a cozinhar.

— Você pode estar em todos os lugares, mas não está realmente em todos os lugares Sonic.

— E você não precisa ficar tão ressentida com isso.

— Eu não ficaria se não fosse você.

— Ai.

Amy riu.

— Desculpa.

— Tudo bem, eu precisava escutar essa.

Ela começou a misturar os legumes picados em uma vasilha enorme, colocando algo marrom e úmido por cima junto de alguns temperos com cheiro familiar as narinas de Sonic que, por breves segundos se imaginou comendo um chilly dog até vê-la misturando tudo e o aroma mudar um pouco. A riqueza desaparecendo quase de instantaneamente.

Que diabos era aquilo?

Até que uma tigela com algo marrom e colorido e úmido fora colocado a sua frente na mesa.

— O que é isso Amy?

— Tabule.

— Tábua?

— Você me entendeu. Tabule. É uma salada ou quase isso, o dia está quente e esse prato é ótimo para dias quentes.

Sonic a encarou, encarou a tigela e com um pouco de receio pegou a colher para provar a iguaria.

Que era molhada, sem textura alguma mas que sempre que encontrava um legume o sabor explodia em sua língua.

Estranho.

Mas não era um estranho ruim.

— E então?

Ele a encarou e continuou comendo, tentando encontrar algo para dizer enquanto a observava aproveitando da sua porção.

— Honey me levou para um restaurante árabe, algo novo na cidade, esse foi um dos pratos que ela insistiu para que provasse. Acabei implorando pela receita depois.

Sonic prolongou um "hmmmmm" pensativo.

Não era um prato ruim, mas poderia ter mais sabor talvez.

— Você acha que ficaria ruim se ele fosse mais picante?

— Não, mas a ideia de ser refrescante deixaria de valer.

Dito isso Amy se levantou e pegou algumas especiarias do balcão, as passando ao amigo.

Sonic observou as cores de cada vidrinho, abrindo e sentindo o aroma de cada um assim dosando os escolhidos no que havia sobrado em sua tigela, misturando e colocando uma colherada generosa em sua boca.

Para ter aquela explosão de antes dobrada em sabor!

Um sorriso largo estampou seu focinho quando terminou o que faltava em duas colheradas.

— Agora sim! Se desse pra colocar isso em um chilly dog seria perfeito!

— Mas aí a salsicha ficaria fria.

— Amy! Você não pode parar uma mente brilhante!

— Claro, quem sou eu não é?

E os dois riram.

Apesar da estranheza em tê-lo por perto Amy finalmente conseguia sentir certa leveza na presença de Sonic ali, fazendo coisas corriqueiras com ela em um dia comum. Sem grandes batalhas.

Sem problemas.

Sem metade do mundo estar a beira do abismo.

Ainda assim era estranho vê-lo ali.

Quando normalmente ele salvava o dia e seguia rumo a sua próxima aventura.

— Você gostou mesmo ou só quer me agradar?

— Nah, eu gostei, mas ficou melhor com o tempero.

— Que bom Sonic, fico feliz com isso.

Ele se levantou pegando a tigela dela, as levando para a pia e lavando em seguida enquanto que ela guardava o restante na geladeira.

— E o que vamos fazer agora?

— Não sei, não planejei muito o dia também pensei que fosse levar mais tempo no jardim. O que você quer fazer?

Ele deu de ombros secando as mãos.

— Por que você não me leva pra patinar então?

— O ouriço mais rápido de Mobius quer usar rodas nos pés? Eu não acredito que estou ouvindo isso!

— Ai Amy, eu só quero entender que graça você viu nisso.

Ela cruzou os braços, pouco convencida.

— Você quer entender ou está com ciúmes?

Sonic fez um bico, virando o rosto.

— Não é ciúmes.

— Certo, então você quer que eu te ensine quando eu mal consigo andar sozinha. Brilhante!

— Você não sabe?

— Claro que não Sonic, quando eu estava começando a pegar jeito apareceram algumas missões na G.U.N. e Shadow ficou indisponível.

— E por que não treinou sozinha?

— Porque o meu acordo com ele não foi esse, e é bom ter alguém experiente por perto no começo.

Então a mente de Amy resgatou a tiragem que havia feito dias atrás antes de dormir, fisgando do fundo de seu consciente imagens que agora faziam um pouco mais de sentido...

O Oito de Fogo!

O destino realmente estava em suas mãos, que irônico!

Sonic ter aparecido ali mais lhe parecia uma oferta numa bandeja de prata!

E ele a observava astuto, mas sem dizer muito.

— Bom, se você realmente quiser eu sei de alguém que pode ser muito útil...

— Shads não está em missão ainda?

Como ele sabia disso?

— Mas eu não falei dele, tenho outra pessoa em mente, vamos que hoje vai ser um dia muito divertido!


Os olhos de Cream brilharam quando viram Amy e Sonic do outro lado da porta, Chease indo de encontro a Amy num instante emitindo todos os tipos de sons tamanha a alegria em ver a amiga.

Quando soube do convite a coelha correra de encontro com a mãe que vinha da cozinha, limpando as mãos no avental, perguntando se poderia passar a tarde com eles ao que Vanilla sorriu pedindo para que ela se comportasse e assim os três se acomodaram no carro de Amy e seguiram viagem.

Por mais que Sonic não entendesse a presença de Cream ali.

Ele adorava a coelhinha mas por qual motivo a presença dela era tão importante quando era ele quem queria passar o dia com Amy?

Por sorte, Cream elucidara suas dúvidas.

— O que vamos fazer hoje senhorita Amy?

Se aproveitando do sinal vermelho Amy encontrou o rostinho da amiga pelo espelho retrovisor e deu um largo sorriso.

— Patinar!

Chease cantarolou com a resposta e Cream vibrou junto do chao.

— Eba!

Sonic a encarou arqueando a sobrancelha ao que Amy riu como resposta.

— Hoje é um dia de aventuras a la Rose, então você está a minha mercê Sonic!

O ouriço apenas maneou com a cabeça, preferindo se perder no vento que corria seus espinhos agraciando sua pelagem como quando corria, por mais que estar numa velocidade moderada em um carro lhe parecesse estranho.

Curioso ele nunca ter se questionado sobre isso, ao menos não levando a pergunta a sério.

Como os outros conseguiam ser tão lentos a ponto de usarem trambolhos como o carro cor de rosa de Amy para se sentirem rápidos?

Ele realmente sabia o que lhe servia e observar Amy conversando com Cream animadamente o fez perceber algo escorrendo por entre seus dedos... algo que Shadow pareceu pegar mais rápido do que ele e admitir derrota era algo que não lhe cabia.

Se é que Amy o fosse deixar admiti-la.

Sonic só percebeu que havia se perdido em pensamentos quando notou a falta de velocidade motora, sua cabeça parecia estar léguas a frente o suficiente para ignorar o quão entediante era andar de carro.

— Chegamos!

Os olhos do ouriço se encheram de cores, a quanto tempo ele não colocava seus pés ali?

— Bégon?

Amy sorriu, abrindo a porta do carro indicando que ele fizesse o mesmo.

— Aqui tem um centro de patinação, não é Cream?

— Sim! Me lembra da vez que viemos aqui com o senhor Shadow, foi muito divertido!

Sonic fez uma careta encarando a amiga que deu de ombros.

— Acho que a sua mente apressada pode gostar daqui.

E por mais que algo lhe cutucasse a nuca em claro descontentamento ele seguiu as duas rumo ao shopping center da cidade das flores, se controlando para não ir frente a elas que conversavam sobre... a ausência de Shadow... agora ele conseguia entender como ele se sentia sendo comparado a ele.

Tudo bem, ele merecia um pouco disso.

Os heróis nem sempre salvam o dia e levam a glória com eles.

Mas ele ao menos poderia dizer a si mesmo que detestava ver duas de suas amigas dando mais importância a Shadow quando ele estava bem ali.

Ugh, ele detestava se sentir assim!

Ao menos o aroma primaveril de Bégon trazia um pouco de tranquilidade aquelas emoções que não pertenciam a ele. É, não pertenciam a Sonic o ouriço. Longe dele admitir que se sentia enciumado.

E logo por causa de Shadow! Ughh!

Amy se virou o encarando atrás delas indicando para que as seguisse rumo a escada rolante.

No segundo piso havia uma variedade maior de lojas, sem contar a área de alimentação que ocupava todo o centro do andar mas Amy e Cream seguiam mais a frente, ignorando as vitrines coloridas e vibrantes rumo a uma entrada ampla a agitada. Aquilo mais parecia uma corrida tamanho o som que suas orelhas sensíveis captavam.

Os pelos de Sonic se arrepiaram.

Por dentro luzes neon coloriam e refletiam um ambiente completamente da vida diurna do lado de fora, a música vibrante o lembrava de uma discoteca, algo tão não natural que ele não pode controlar seus espinhos de se eriçarem em alerta então ele divergira sua atenção para a dupla que o trouxera ali. Amy e Cream voltavam do balcão com pares de patins em mãos e quando perguntara a Amy sobre ela fizera uma careta dizendo que era a primeira vez que realmente patinava ali e, que se ele quisesse era só alugar um par no balcão e tentar a sorte.

Mas ele preferira observar as duas por hora.

— Vamos senhorita Amy! Vamos!

— Certo, mas Cream eu não sei como andar com esses patins!

A coelha riu pedindo para que ela a imitasse andando um pé de cada vez, lado a lado, uma passada depois da outra e quando deu por si ambas estavam no ringue por mais que Amy se atese ao alambrado como um náufrago anseia por água.

Observá-la insegura daquele jeito trouxe a tona memórias da velha Amy e junto delas um sorriso ao rosto de Sonic.

Quando ele se tornara tão nostálgico?

Chease chamara sua atenção quando saíra de seus braços voando para o topo de sua cabeça, o lembrando de que Cream pedira para que ele cuidasse do chao.

— Desculpa amiguinho.

O corpo de Amy ganhava velocidade e ela sorria cada vez mais conforme completava uma volta, rindo livremente junto de Cream que dançava ao ritmo da música no centro junto de outros animais. Vê-las se divertindo fez com que ele também quisesse estar ali, seu corpo praticamente ansiando por movimento... até notar algo sutil no corpo de Amy... em um momento ela mantinha um equilíbrio quase perfeito se não fosse pela tensão em suas pernas e em outro, os braços se abriam de maneira frenética...

Ela ia cair, era certeza.

Seu corpo estava para agir no automático quando Amy clamara pelo apoio de Cream, que correu para o lado da amiga dizendo algo que fez a tensão no corpo de Amy mudar mesmo que a queda ainda fosse iminente.

— Os freios estão na frente senhorita Amy - disse a coelha demonstrando ao que ela tentou replicar mas acabou por cair de frente.

Por sorte ela usou as mãos como apoio.

E depois de se levantar, continuou a deslizar pelo ringue de mãos dadas a Cream que passara a guia-la pelo centro, tentando fazer com que ela perdesse o medo e fazendo com que ele sorrisse sem notar.

Aquela era uma das piores qualidades de Amy.

Sua teimosia.

A assim, Sonic se viu indo em direção ao balcão e pedindo por um par de patins.

— Acho melhor você se segurar Chease.

O chao se agarrou a uma das orelhas e ele tentou não cair ao se levantar mas fora difícil, se equilibrar sobre rodas trazia uma insegurança enorme na boca do estômago a qual ele não estava acostumado. Nem mesmo os badnicks de Eggman conseguiam trazer a tona tamanha insegurança, como rodinhas conseguiam ser tão cruéis?

Chease chamou sua atenção o fazendo olha para frente e observar as duas se divertindo juntas, Amy já não se desequilibrava tanto e Cream a guiava tranquilamente.

As rodas tinham vontade própria mas ele tinha décadas de experiência e depois de algumas tentativas agora era ele a usar a borda do ringue como apoio o que chegava a ser engraçado, era uma boa piada até "o ouriço mais veloz precisava de apoio para patinar", e seria realmente engraçado se ele estivesse rindo e não com um medo tremendo de cair com o focinho direto no chão.

Ele sabia do peso de seu corpo, sabia do impacto que ele causava a determinada velocidade e sabia disso principalmente por todas as cicatrizes que ele carregava de suas batalhas.

Ugh, ele estava pensando demais.

Obrigada por isso Amy, pensou quando um brilho dourado o tirou de seus pensamentos copiosos.

— Quer ajuda Sonic?

Amy estava lhe estendendo a mão.

— A gente vai acabar caindo.

Ela deu de ombros.

— Essa é parte da graça, não é?

Ele maneou com a cabeça mas acabou aceitando a oferta segurando a mão dela e sentindo seu peso se dividindo, multiplicando, quando ambas as mãos estavam juntas. Amy era forte, disso ele nunca duvidara mas ali, ela apenas deixara as mãos espalmadas para ele como se o assegurasse de apoio, que ela seria o seu ponto de equilíbrio quando começou a andar de costas o observando com um sorriso.

— Vem Sonic!

— Você não disse que não tinha usado esse patins ainda? Como consegue andar de costas?

— Cream me ajudou, é mais fácil do que eu pensei. Vem Sonic!

Então ele deu o primeiro passo.

E quase caiu, se não fosse a atenção da amiga.

— Segura a minha mão e tenta me imitar - disse ficando ao seu lado e demonstrando, indo de um lado a outro.

Um pé de cada vez.

E assim, mesmo com as pernas bambas, Sonic começara a patinar.

O som de Chease alegre bem ao lado de sua orelha o fizera perder o pouco de equilíbrio que conseguira, puxando Amy junto consigo para o chão.

E os dois se encararam surpresos, caindo em risos depois.

Amy colocara o chao no topo de sua cabeça, onde ele poderia se segurar em sua faixa e assim incentivou Sonic a continuar.

E continuar e continuar e continuar...

Em algum momento Sonic conseguiu se sentir seguro com rodas em seus pés e se permitiu aproveitar aquele momento.

— Shadow não me ensinou assim, sabia?

Ele a encarou brevemente, continuando a focar sua atenção no ringue dando liberdade para ela continuar.

— Ele é um péssimo professor mas se importa muito com o que os outros pensam dele, por isso continuei insistindo para que ele me ensinasse e quando dei por mim, estava patinando. Bem mal, mas patinando.

— Você queria que ele te desse atenção então?

— Não exatamente. Vê isso que estou fazendo com você? - ela indicou as mãos dadas — Se ele soubesse agir assim com os outros, tenho certeza de que ele seria tão carismático quanto você.

— Ninguém é mais carismático que eu Amy.

— Ninguém é mais arrogante do que você Sonic, isso sim.

Ele parou abruptamente, parecia que seu corpo estava se acostumando a velocidade que ganhava com o par de patins quando inclinou as pontas dos pés o suficiente para parar, Amy ganhando tempo e parando bem a frente dele.

— Você machuca as pessoas falando assim.

Sonic era muito expressivo com o olhar, a maneira como deixava clara as suas intenções com um mero arquear de sobrancelhas fazia dele um péssimo mentiroso, por isso Amy soube que ele não estava apenas brincando quando o seu bravato murchou num olhar de tristeza.

— E você magoa os outros com palavras também, não há nada de errado nisso Sonic.

Um bico adornou a faceta triste do ouriço.

— Vamos, continue, não é isso que você sempre fez?

Ela pegou uma de suas mãos o puxando para frente e não muito depois, Cream se juntou a dupla pegando a mão livre dele, ambos os três patinando juntos.

A música modulava o patinar das duas, algo que ele tentou imitar mas acabou não conseguindo com tamanha facilidade. Amy e Cream conversavam tranquilamente (como elas conseguiam isso?) e a coelha dizia com um largo sorriso o quão divertido aquele dia estava sendo, agradecendo aos dois inúmeras vezes pelo passeio.

— E eu ainda pude ver o Senhor Sonic patinando! Isso não é incrível?

Amy sorriu.

— É mesmo incrível, não é Sonic?

Sonic fez uma careta.

— Com certeza. Incrível. Demais.

As duas riram.

O peito de Sonic pulsava, pulava, de maneira eufórica. Não somente pelo esforço novo como também pelo momento. Suas aventuras certamente o preenchiam por completo, não era para tanto que ele prezava pela liberdade, mas aquele momento simples onde ele se obrigara a fazer parte de algo que não era dele o fez sentir-se incrivelmente preenchido. Ver Cream sorrindo e ter tido Amy o guiando o fez sentir-se parte de algo maior quando sempre fora ele a guiar seus amigos rumo as suas aventuras.

Ceder-se ao novo o fizera se sentir incrivelmente completo.

Mesmo que suas pernas ainda estivessem bambas no caminho de volta.

O céu ganhava tons de laranja quando chegaram a casa de Cream, onde a mãe da coelha acabara os convencendo de ficarem para o café para assim, escutar do passeio que tiveram com uma boa xícara de café e cookies de chocolate. Quando saíram do aconchegante lar o céu laranja se transformara em azul turquesa e a brisa se tornara refrescante conforme se aproximavam do ponto de partida. O chalé de Amy.

— O que achou da aventura de hoje?

Sonic sorriu, o olhar se voltando a ela.

— Melhor de que eu poderia imaginar.

— Você esperava algo entediante então.

— Esperava fazer somente uma coisa o dia todo. Nós fizemos três coisas então sim, melhor do que eu poderia imaginar.

O carro parou em frente ao chalé.

— Eu gostei de passar o dia com você Sonic. Obrigada por hoje.

E ele a observou, sem ter muito o que dizer, seu coração apenas lhe dizia para demonstrar afeto demonstrar que realmente se importava com a unidade que era Amy Rose.

Teimosa.

Forte.

Inteligente.

Caridosa.

Admirável.

Alguém única que chegara no caminho dele por conta própria. Nada a levara até Sonic fora ela e bem, suas cartas, que a levaram até ele.

— Você é incrível Amy.

Ela o encarou inclinando a cabeça.

— Obrigada Sonic.

E então, sem que Sonic entendesse realmente o impulso que o levara ao ato (o que era algo ridículo vindo dele que sempre pensava a frente) ele se viu beijando Amy.

Na bochecha, pois ela acabou virando o rosto devido a surpresa.

E entrou em uma crise de riso em seguida, o deixando desconcertado.

— Desculpa Sonic, é que isso é muito estranho vindo de você - ela tomou fôlego — sério, nossa, eu tô muito quente! Desculpa!

— Você não precisa se desculpar Ames.

E assim, ele desaparecera num vulto azul noite a dentro.

Com o rosto ainda quente, Amy se forçou a sair de carro, o coração estava acelerado, mas ela o forçou a calmaria no caminho até a porta e depois de um banho longo onde ela procurou não ler muito nas ações do amigo azulado ao longo do dia que passaram juntos, ela se viu novamente embaralhando seu deck de cartas.

Uma respiração profunda para acalmar o coração. Uma carta caíra. Deixando o ar sair caíram outras duas e assim ela seguiu até se dar por satisfeita.

Chegou um ponto onde as cartas simplesmente se recusavam a cair, pedindo para serem lidas de uma vez.

Logo ela o fez.

Um Rei de Anéis de ponta cabeça, acompanhado de um Sete de Água e um Ás de Relâmpago... Sonic... um pequeno pesar se instaurou em seu coração lembrando do beijo... depois um Rei de Água, um Seis de Relâmpago, uma Fruta e o Tempo... estranho para se dizer o mínimo, não era uma leitura ruim mas dizia mais sobre- e sua mente a agraciara novamente com filetes do beijo que Shadow lhe dera intercalando com o de Sonic...

É. Era uma leitura sobre os dois.

E pensando dessa forma, Shadow era o Rei de Água, mas ao lado da Fruta e o Tempo? Por que exatamente?

Shadow realmente teria algum interesse por ela?

Não, claro que não!

E como se o ouriço de pelos negros houvesse sito invocado, o celular de Amy vibrara em sua estante.

Uma mensagem com uma foto anexada de ninguém menos que ele, Shadow o ouriço.

Era um print de uma matéria de revista onde havia uma foto enorme e colorida dela, Sonic e Cream naquela tarde, patinando no ringue de patinação de Bégon onde o título de letras pretas e grandes dizia algo como "o novo passatempo do herói de Mobius" ou algo nessa linha, ela não conseguiu se impressionar muito com os dizeres sensacionalistas com aquela mensagem de texto que acabara de ser enviada logo em seguida.

"Acho que você encontrou alguém para te ajudar afinal."

Amy tinha certeza de que algo explodira dentro dela.

— Droga Sonic!

Atendendo a pedidos de alguns leitores, me pus a pensar numa sequencia para "A Orgulhosa Amy Rose" mas, como o meu motivo principal meio que quebrou (o meu patins no caso) e eu não consegui comprar um novo ainda, só tinha algumas lembranças das últimas vezes que patinei mas não eram boas o suficiente para sustentar um plot (na verdade eu caí horrores) foi quando os primeiros parágrafos surgiram... e eu fiquei sem ideias, hah. Aí comecei a fazer pão nessas férias e uma outra brotou na minha cabeça para requentar a patinação! Sem contar que dessa vez me dediquei bastante ao deck de tarô da Ames dando mais espaço para a leitura assim como suas cartas (corri atrás de pesquisar o conjunto completo também) e me sinto muito orgulhosa com isso, queria ter as cartas dela também, são todas tão lindinhaaaaasss aaaaaaahhh!!!

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Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
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