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{ oneshot } Medos são como estrelas

※ 23 de março de 2025 (1:01 PM) + comentários (0)

  • medos são como estrelas
  • alex benedetto, emílio benedetto, nicolas brown, nina, worick
  • gangsta
  • 2020 palavras
  • "Nossos medos são como estrelas, eles só brilham se a gente deixar que eles sejam notados mas nós estamos bem e se te serve de consolo, você é o meu favorito."

Seus olhos observavam a quantidade de farinha e condimentos que colocara na vasilha colorida pelo tempo e com ranhuras pela borda, observavam criticamente, mentalizando se não havia exagerado na dose de noz moscada como fizera da última vez até que sua atenção fosse brevemente fracionada com o estalar da quebra de um ovo e sua visão se ocupasse da clara e da gema, adicionando um e dois ingredientes a mais a mistura seca que fizera, então seus olhos foram da vasilha para o irmão que dera de ombros, dispensando as cascas na pia.

— Você me pediu para ajudar, lembra?

E ela sorriu, voltando a misturar os ingredientes até que estes formassem uma massa homogênea e amarelada.

— Obrigada Emílio.

Ele a encarou, pensativo.

— Você não vai exagerar de novo mana, fica tranquila.

E ela assentira, dispondo a massa sobre o balcão e tomando o cuidado para que as unhas não estragassem seu serviço até o momento polido e passasse a estica-la, para então cortá-la em pequenos discos com um copo enquanto Emílio a observava atento aos pequenos detalhes. O garoto sempre fora assim com a irmã, mesmo sendo o mais novo dentre os dois, ele sempre estaria olhando por ela, nem que fosse para motivá-la a continuar quando um plano não surtisse o devido efeito. Emílio sempre seria a âncora que Alex precisava nos momentos mais incômodos e naquele momento, seu esforço parecia estar dando resultado quando a ouvira murmurar uma de seus cantigas favoritas. Alex sempre cantava quando se sentia bem e vê-la assim depois de ser enxovalhada por um cliente novo no dia anterior era certamente um bom sinal.

A pequena doceria que mantinham era a mais popular em toda a Ergastulum, se não fosse a única, e se esforçar para mantê-la de pé em seus primeiros meses era o objetivo maior dos irmãos. Com Emílio cuidando das finanças e Alex das delícias que venderiam, a modesta vitrine com o nome de "Benedetto" procurava se manter em um dos distritos mais inóspitos daquele lugar e fora assim que a pequena porta aberta em uma viela cinzenta recebera a sua primeira crítica, em uma manhã calma onde os bolos e a torta que Alex fizera no fim da noite anterior coloriam a modesta vitrine enquanto que o forte aroma de biscoitos recém assados chamavam a freguesia, fora naquela manhã tranquila onde um homem longe de estar são passara pelo batente da porta, pouco se importando com seu irmãozinho arrumando as mesinhas e exigira por comida. Seus olhos saltados causavam uma impressão desconcertante no estômago, uma que levaria dias para ser digerida quando ela, em toda a sua benevolência, ofertara os biscoitos frescos que foram praticamente cuspidos em sua face logo após serem mastigados com tamanho fervor - aquele homem lhe parecera o demônio se ela já não o houvesse visto na faceta do pai quando nova - e antes que pudesse reagir de maneira ágil o suficiente para se colocar a frente, Emílio chamara por ajuda, seus gritos ecoando pela viela até que uma garotinha tendo em seu encalço um homem alto e rabugento viessem em socorro e eles não se demorassem muito em resolver a situação quando aquele que lhe gritava obscenidades encarara o homem que engolira em seco tentando reagir antes do tempo certo, sendo acertado por um belo soco no centro do rosto e Alex jurara que ouvira o som de algo sendo quebrado.

Apenas depois que ela soubera da fama dele, depois de ter a garotinha como cliente cativa, que ela ouvira do infame demônio que caminhava pelo distrito indo em socorro daqueles que eram os mais desfavorecidos e que era um grande amigo dela. Nina parecia ter um talento nato para reunir pessoas maiores do que ela em seu entorno, se aquele homem pudesse ser digno de nota.

Desde aquele dia ele aparecia em sua porta pela manhã, comprando uma fatia de bolo com biscoitos para a garotinha, sem dizer uma palavra, apenas apontado para aquilo que queria e pagando mais que o necessário. Era desconcertante para ela separar o troco e vê-lo em direção a saída então Alex combinara com o irmão de guardar a quantia separadamente e entregá-la a ele na próxima vez que aparecesse... para ter o troco acumulado voltando ao caixa, já que ele acabava usando o dinheiro para comprar mais doces!

Nina rira quando ela contou do que acontecia com aquele homem.

— Nico só está querendo ajudar Alex, ele se sente culpado por ter brigado com aquele homem dentro da sua loja e quebrado a mobília.

— Mas isso não é certo...

A garotinha voltou a beber da caneca de café que fora servida.

— Nada aqui é realmente certo... e acho que já percebeu isso.

Em resposta ela negou com a cabeça, preferindo observar o irmão atendendo os clientes que entravam. Do lado de fora aquela porta parecia tão pequena. Parecia um sonho.

E ela estava contente em tê-lo tornado real.

— Obrigada pelo café, seus doces são os melhores e o café também!

Os olhos claros da garota lhe traziam um claro símbolo de esperança e quando acompanhados de um sorriso pareciam iluminá-la ainda mais.

— É sempre bom ter uma cliente satisfeita.

Alex sabia pouco de Nina, ao menos o pouco que ela se dispunha em partilhar, seu caminho diário indo dificilmente além da vendinha no fim da esquina. Dona Joel sempre dizia que ela tinha de se cuidar para não se deixar levar pela lábia dos moradores daquele lugar - ela inclusa - mas Alex conseguia distinguir o bem do mau no olhar das pessoas e se tinha algo que a velha senhora, a garotinha e o homem demônio tinham em comum era um carinho por ela e seu irmão que parecia transbordar quando os viam.

Por isso, ela sabia que sua pequena família e seu sonho estavam seguros.

Ao menos por hora.

Uma de suas melodias favoritas preenchia a pequena cozinha enquanto Emílio cuidava do atendimento, quando vozes a fizeram diminuir o tom, se atentando a troca de palavras do irmão com o possível cliente...

— Você não tem outra pessoa trabalhando aqui?

— Tem a minha irmã, por que?

— Oh! É ela! Eu queria conhecê-la!

Aquilo a fizera parar por completo em sua cantoria e no que fazia, indo em direção ao balcão antes que Emílio viesse procurá-la e visse alguém novo, um homem vistoso e de sorriso bonito que pareceu se iluminar ao vê-la.

— Ally!

E parecia conhecê-la também.

— Eu te conheço?

— Não, mas eu te conheço já que meu amigo só fala de você.

Aquilo estava ficando estranho.

— Amigo?

O homem vistoso sorriu, afirmando com a cabeça.

— Nico, o cara que entra mudo e sai calado, ele adora comprar seus doces pra Nina.

O demônio do distrito?

Então aquele homem rabugento realmente tinha um nome? Da última vez que conversaram Nina realmente mencionara um nome mas ela se deteve em perguntar, não querendo causar uma impressão estranha.

— O amigo dela se chama Nico?

— Nicolas. Ele vem ver ela quase todos os dias por causa da fono, se não fosse pela Nina tenho quase certeza de que ele ficaria mudo o resto da vida. Aquele cabeça dura.

— Mas ele nunca disse uma palavra desde que o conheci.

— Isso é porque ele não escuta muito bem - disse apontando as próprias orelhas — e não fala por conta disso, quis que ele fizesse fono pra articular melhor. Não dá pra contar com leitura labial sempre.

Alex tentou processar a informação olhando o irmão de canto que parecia achar graça do que acabara de ouvir. Parecia piada alguém tão grande como aquele homem ter um problema como aquele e ele ainda falava dela por algum motivo que ela desconhecia.

Estranho, para dizer o mínimo.

— Como se chama?

Ele estendeu a mão para ela.

— Worick, e é um prazer finalmente te conhecer Ally!

E ela apertou a mão dele.

— É bom poder conhecê-lo Worick.

Assim uma amizade fora selada. Daquele dia em diante o homem vistoso sempre a visitava pelas manhãs, logo na abertura, tomava uma xícara de café preto com biscoitos de goiaba enquanto enchia os irmãos de perguntas, isso quando não se limitava a escurar Alex cantarolando da cozinha. Worick tinha a fala fácil, sabia conduzir uma conversa, bem diferente do amigo que começara a aparecer pelo fim do dia agora visto que Nina comprava seus doces sozinha e fora conversando com Worick que ela soubera que a garotinha era a fonoaudióloga de Nicolas, ela trabalhava uma rua atrás da confeitaria junto de um homem que tinha poucos dedos nas mãos - ela os vira juntos certa vez - ambos sendo os únicos médicos no distrito e tomar conhecimento disso trouxera admiração ao peito de Alex.

Ela estava cercada de boas pessoas, ao que parecia.

Mas isso, essa tranquilidade não a impedia de ter pesadelos sobre o passado quando dormia com a insegurança martelando seu peito. Ela sempre trabalhava mal quando acordava com rostos horríveis atrás de seus olhos, tamanho o medo de vê-los entrando pela porta da confeitaria, seu medo maior sendo pelo irmão que era novo demais quando decidira fugir de seu passado.

Passado esse que a havia marcado como uma coleira de ferro, pesada e quente, fazendo a respiração falhar sempre que parecia apertar.

Seus dedos doíam e tremiam conforme as horas escorriam pelo céu nublado.

Até que um par de mãos enormes seguraram as dela, lhe chamando a atenção.

"Você está bem Alex?", perguntou uma voz baixa e desmedida, as palavras se juntando e ela quase não compreendendo a frase por completo mas sua vista não estava embaçada o suficiente para que ela deixasse de reconhecer o rosto de Nicolas e naquele instante seu cérebro pareceu fervilhar em alerta, o instinto de gritar pelo irmão se sobressaiu e somente quando Emílio surgiu correndo de algum lugar ela se deu conta do que estava acontecendo ali.

Era Nicolas.

Nicolas acabara de dizer algo a ela e apenas isso, nada demais.

Nada demais... e ela não corria perigo...

Uma forte sensação de alívio se despejou por seu corpo, aliviando o estresse que acabara de sentir e de repente a vontade de rir surgira, contagiando o irmão que procurava por sinais de que ela havia se machucado.

— O que foi mana?

Emílio afagava seu rosto, a preocupação tingindo seu rosto gentil.

— Um episódio.

E como se aquela fosse uma linguagem deles apenas o garoto sorriu, desaparecendo na cozinha.

Algo apertara sua mão e ela notara a presença constante de Nicolas ainda ali, sorrindo sem jeito e explicando brevemente o que havia acontecido ali para o homem que parecia ter o dobro de seu tamanho mas francamente... o que ele fazia ali?

"Nina me pediu para encontrá-la aqui", e dessa vez ela quase não entendera a frase mas uma parte de sua cabeça parecera ligar os pontos perguntando da garotinha e recebendo um dar de ombros como resposta.

Emílio voltara com um comprimido e um copo de água em mãos fazendo com que ela finalmente saísse do incomum afago que recebera de Nicolas e que ainda existia ali por uma aparente insistência da parte dele.

E ela se descobrira incrivelmente gelada sem as mãos de Nicolas.

Assim que engoliu o comprimido seu corpo pareceu se acalmar por completo, energia correndo por seus membros a fazendo querer fazer algo para dispensá-la logo indo para o salão e preparando uma mesa para a suposta visita de Nina, sendo acompanhada por Nicolas que se dispôs a ajudá-la mesmo sem saber o que fazer com as direções que recebia e mais tarde, a garotinha realmente aparecera em sua porta, com uma cestinha nos braços dizendo que tentara uma receita e queria muito a opinião dela.

E naquele fim de tarde onde ela temera ser devorada por tudo o que a fizera ser quem era, Alex se dera conta de que não estava sozinha quando via Nicolas conversando com Nina por gestos e a garotinha a enchia de perguntas sobre o que acontecera mais cedo.

O bolo que Nina fizera estava doce demais e um pouco pesado, parecendo carregar as emoções da garotinha sobre ela.

Boa tarde! Más notícias pessoas bonitas, marquei bobeira e não consegui ir ao Hopi Hari hoje a boa notícia é que consegui acertar o macarrão pelo segundo domingo seguido e, como estou em casa consegui terminar de revisar mais um rascunho que tinha guardado! Esse foi chatinho de amarrar, comecei com a ideia da Alex tendo uma lojinha de doces mas perdi a noção de como terminá-lo, aí a Mini me contou da história dela e de como ela não nasceu surda e pensei que dava para trabalhar com isso (mas não foi fácil conseguir um final) acabei ficando de bode e aproveitando a inspiração que surgiu essa semana, amarrei ela ao som de um single recente muito bom da Alessia.

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※ o pseudo clube de artes da snow
Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★



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Pertencem a autora as ideias, poemas, universos e tramas que compõem suas fanfictions; os personagens utilizados nestas pertencendo a seus respectivos autores, assim como grande parte das imagens utilizadas para ilustrar postagens e capas. Algumas de suas produções fictícias podem ser facilmente encontradas no +Fiction, Spirit Fanfics assim como no ao3 (en inglês) também. ★



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quem se rende, cresce
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chegue a sua vida, qual ciclo encerrar para que sua alma
volte a sorrir,
quando você concorda com tudo como foi você permite
que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.