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{ oneshot } Corações de pano

※ 15 de junho de 2025 (7:31 PM) + comentários (0)

  • corações de pano
  • natsu dragneel, lucy 'hearts' heartphilia, levy mcgarden, gray fullbuster, juvia lockster
  • fairy tail
  • 4.711 palavras
  • "Naquela noite chuvosa tudo o que o jovem detetive fizera fora seguir seu coração e ora, quem diria que apenas essa ação impensada pudesse levá-lo a solução de seu derradeiro caso sem uma aparente solução?"

O letreiro luminoso piscava com pequenas alterações de minuto, era um retângulo relativamente pequeno se comparado aos outros maiores e mais chamativos que se espremiam facilmente ao longo da calçada a forma como as letras se dispunham nele fazia com que a ordem em que as palavras ganhassem aquela luz tremendamente laranja chamassem a atenção de seus olhos com facilidade, nem mesmo a chuva poderia conter a curiosidade crescendo por seus nervos cansados, as pequenas gotas que respingavam sobre seus cílios traziam um brilho diferente com um cenário se pintando sutilmente em sua mente como em um filme onde tudo acontece pelo acaso até que o casal de mocinhos finalmente se encontrem. Luck & Key eram os dizeres da placa, a portinha espremida diante das outras tinha janelas iluminadas no segundo andar e uma vitrine singular repleta de livros no térreo.

Uma livraria. Tudo o que ele precisava naquele momento pois seu corpo detestava o clima frio e molhado da estação que mesmo com seu corpo quente, não diluía em nada o desconforto diante de estar na chuva.

Um sino tocara sob sua cabeça no momento em que passou pela porta anunciando sua entrada, e assim que passou pelo batente uma voz lhe chamara a atenção fazendo com que olhasse para o lado, por detrás de um balcão circular de madeira escura estava a dona da voz, uma bela moça de olhos castanhos e sorriso fácil com cabelos loiros que devido a luminescência do letreiro da loja ao lado e a pouca luz do lugar mais pareciam ser cor de rosa - como um algodão doce - ela chamara sua atenção novamente inclinando a cabeça para o lado e mostrando um brilho dourado por entre os fios rosados artificialmente, um par de brincos em forma de coração e ele notara sua mente divagando novamente, se desculpando pela falta de atenção e colocando os dedos de uma das mãos em seu cachecol por hábito mas ela pouco notara assentindo com a cabeça.

— Caso precise de ajuda é só me chamar, vou estar aqui por agora - e continuou em seu monólogo empilhando papéis em algum compartimento embaixo do balcão, até se voltar para ele com os olhos arregalados — esqueci de me apresentar! Me desculpe! Caso precise de ajuda é só me chamar, meu nome é Hearts!

"Hearts" ela disse estendendo a mão sobre a superfície escura e lustrada, um monte de contas coloridas em diversos formatos correndo pelo pulso.

— Natsu - ele respondeu apertando a mão dela, estranhando sua gentileza.

— Bom Natsu, fique a vontade e não se esqueça de mim!

Ela soltara um risinho ao final que soara de maneira similar ao sino atado ao batente da porta voltando sua atenção a qualquer coisa que estivesse embaixo daquele balcão que ele notou estar repleto de papéis coloridos e alguns rasgados, todos com algo escrito enquanto que o smartphone da moça vibrava por de baixo de um monte delas, um descuido muito estranho quando normalmente pessoas andariam com o aparelho como se fosse uma peça de roupa... ele estava divagando novamente... não era uma boa ideia estudar os descuidos dela, por isso seus olhos se voltaram para as poucas estantes de livros espremidas, notando seções e gêneros anotados a frente de cada uma delas manualmente que para um local pequeno e modesto como aquele estavam abarrotadas de títulos, mesmo que seu interesse ali não fosse em encontrar algo para ler naquele momento, ele só queria fugir do mau tempo e de tudo que lhe incomodava a cabeça mesmo que seus pés começassem a rondar os curtos corredores a esmo até sua atenção saltar diante das lombadas de couro envelhecido com dizeres dourados nas fileiras mais altas ali havia um título marrom inclinado na ponta, a lombada fina e alta, muito interessante para ser ignorada e suas letras douradas marcavam um nome no mínimo interessante para sua mente que encontrava focos distintos por minuto.

"Suave é a Noite" era o título do livro.

Sem nenhum motivo seus dedos grossos e calejados pelo esforço de tempos passados buscaram pelo exemplar, notando este ser o único disposto ali dentre muitos outros que também pareciam estar sozinhos em seus títulos, para que então seus olhos enfim observassem a ilustração dourada da capa onde uma mulher em trajes antigos fazia uma pose floreada.

A chuva se intensificara do lado de fora o lembrando de que ele não deveria estar ali.

Seu parceiro provavelmente estaria furioso no ponto de encontro, ele que dificilmente lidava bem com seus atrasos, principalmente quando era ele quem tinha por costume chegar quando queria mas quem seria ele para julgá-lo quando aquele encontro fora ideia sua. Um ponto final, fora o que seu parceiro dissera pela manhã, "depois de hoje nós nos damos por vencidos e pedimos apoio de cima" o que era um claro sinal de que eles não estavam bem, nenhum dos dois gostava de pedir apoio, tão pouco reconhecerem que não tinham capacidade o suficiente.

Quando foi que eles se tornaram tão orgulhosos afinal?

Pensar nisso trouxe um filete de lembranças de quando começaram na academia e formaram uma terrível amizade marcada por suspensões e brigas de comprometer a todos no dormitório, um sempre desafiando ao outro num ciclo quase interminável que sempre acabava com um rastro de estrago e caos maior do que qualquer um ao lado deles poderia imaginar, e não fora estranho no fim os nomes de Natsu Dragneel e Gray Fullbuster serem o próprio sinônimo de problema. Sozinhos eles já levantavam ressalvas juntos então, qualquer um que ficasse por perto poderia acabar sendo sugado pelo tornado avassalador que a dupla era, por mais que acabassem cumprindo com os requisitos para se tornarem detetives no final do ciclo.

Seu breve reflexo na vitrine atrás do balcão o trouxe a realidade novamente. As olheiras de Gray estavam piores que as dele e isso parecia se espalhar como uma infecção quando a aparência de ambos fazia aquele pequeno detalhe desaparecer em roupas pouco trocadas, amassadas, cabelos sebosos e comida processada e isso marcava o avanço galopante da doença. Ambos estavam desgastados por conta do caso. Erza queria mandá-lo para outra divisão por conta da gravidade mas tendo em vista que vítimas voltaram a serem feitas justo em seu distrito bem, ela tinha uma imagem a zelar e por isso ele estava ali, procurando não pensar no trabalho.

Quem sabe espairecer a mente lhe trouxesse uma solução brilhante, uma do tipo que deixaria o amigo aliviado e a chefe do departamento orgulhosa? Seria perfeito!, mas a realidade pesava sobre seus ombros mesmo ali como um lembrete que ele gostaria de se lembrar de esquecer, como a chuva, como a blusa de tricô que Hearts usava que era decorada por corações coloridos, trazendo a superfície de seus pensamentos o caso em que ele gostaria de não estar metido mas a contragosto não conseguia solucionar novamente enquanto a via levantando a manga de ambos os braços ao ver o livro que ele acabara de colocar sobre o balcão piscando copiosamente ao notar de qual livro se tratava, o pegando nas mãos e olhando com um sorriso e olhar saudosos, como se estivesse se despedindo de um velho amigo.

— Até que enfim alguém se interessou por você querido, Zelda provavelmente ficaria muito feliz por isso - então ela olhara para ele, notando sua presença e corando logo em seguida — desculpe, é que eu tenho este exemplar a algum tempo, quase ninguém se interessa pelos de capa dura.

Ela sorria sem jeito, praticamente implorando para que ele ignorasse seu solilóquio e fora exatamente o que ele não fizera.

— Notei que só tinha ele na estante.

— Ah, isso é porque só trabalho com venda e troca de livros usados e já era hora desse daqui se despedir desse lugar.

— Quanto tempo?

— Anos, acho que ninguém tem um real interesse pela última obra de Fitzgerald.

E ele não deveria realmente entreter aquela conversa, mas Hearts parecia precisar de um momento ou dois para dizer algo que não fosse dirigido a si própria.

— Fitzgerald?

— E você pegou o livro só pela capa, não é? - ele puxara a gola do cachecol novamente — Se gosta de ler então já deve ter visto outros livros dele, mas esse acaba sendo um dos mais infames e um dos que mais gosto também.

— Porque?

— Por que ele estava nas últimas quando o escreveu! É quase uma junção de vários rascunhos soltos que ele escreveu em vida e um amigo veio e juntou tudo no final mas como você vai levá-lo, pode descobrir por si mesmo, não?

Um suspiro cansado escapara de seus lábios diante do olhar brilhante em entusiasmo de Hearts enquanto cobrava uma ninharia pelo livro e o colocava em uma sacola lisa e escura para entregá-lo novamente as mãos dele.

— Espero que goste do livro Natsu.

E escutar seu nome sendo dito por ela fizera com que algo estranho e desconhecido ganhasse vida em seu peito, algo que não era bem vindo naquele momento e ele definitivamente não deveria sentir aquilo quando só estava naquela livraria para fugir do mal tempo. A loira sorridente certamente não precisava desse tipo de intenção e ele estava definitivamente cansado demais para seu coração decidir sentir algo por aquela do outro lado do balcão.

— Acho que vou ficar mais um pouco, não quero sair na chuva.

Um sorriso se alargara na expressão dela fazendo seu coração acelerar, ótimo.

— Ah, então é melhor ficar no andar de cima! Diga a Levy que fica por minha conta qualquer coisa que você queira pedir!

Ele a olhou desconfiado.

— E o que tem lá em cima?

— Uma cafeteria. Assim você pode ler o livro que acabou de comprar e esperar a chuva passar - ela respondeu com um risinho ao final.

— E você vai pagar por qualquer coisa que eu peça?

Ela balançou a cabeça positivamente.

— Você me parece ser alguém que precisa deixar de se preocupar tanto então, por que não? Qualquer coisa naquela cafeteria não vai doer no meu bolso.

"Mas vai me incomodar pelo resto da semana com certeza", mas Natsu não dissera nada apenas agradecera sem jeito ao gesto e subira as escadas indicadas por ela.

Ao chegar no piso superior o clima aconchegante da livraria permanecia, como fumaça subindo pela estrutura de uma chaminé de tijolos, seus pés andando por cima de um carpete cor de vinho velho e gasto, os olhos observando as pequenas mesas e poltronas fofas dispostas no pequeno espaço ladeado pelas janelas iluminadas que ele vira do lado de fora.

O que o incomodava mesmo era a ausência de vida ali.

Mesmo com o forte aroma de café pronto ele não encontrava ninguém nas poltronas, muito menos diante das mesas e isso parecera atiçar seus sentidos de investigador, ainda mais quando pelo cantos de seus olhos encontrara uma cabeça por detrás de um alto balcão, onde pelo vidro ele podia ver doces e salgados dispostos com pequenas plaquinhas de preço a frente deles.

Ele dera um pequeno pulo ao ver a cabeça se virando, os olhos dela saltando ao vê-lo.

Ao menos ele não fora o único pego de surpresa ali.

— Olá, se quiser algo é só me pedir e você pode pagar depois do consumo, se preferir.

Ela parecia menos animada do que a Hearts no andar de baixo, mas seu sorriso parecia contente o suficiente para que o susto que sentira a pouco aos poucos, deixasse de ser tão presente.

Então ele comentara sobre o que lhe fora ofertado sem muita convicção, pedindo por uma grande taça de café preto em seguida, enquanto ela o encarava de maneira desconfiada mas preparando seu pedido sem dizer nada especifico.

E com uma taça fumegante em uma das mãos e uma sacola com um livro usado na outra, sua cabeça dando voltas e mais voltas a medida que seu coração saltava recordando detalhes da loira que o atendera, Natsu se dirigiu a uma das poltronas verdes disposta perto da janela iluminada pelo letreiro do lado de fora. Colocando o livro sobre uma mesinha estreita e redonda junto da xícara ele se sentara, soltando um suspiro pesado demais para aquele momento, seu corpo enfim cedendo ao cansaço mental.

Seu celular vibrava em um dos bolsos do sobretudo mas ele pouco se importava, estava exausto demais para dar atenção ao seu parceiro.

E muito menos em ter de lidar com o temperamento dele.

O estofado da poltrona o abraçava e ele apenas se perdia naquele conforto momentâneo, olhando para as gotas de chuva resplandecentes grudadas no vidro da janela e notando um detalhe curioso no letreiro da livraria que ele não vira estando do lado de fora - uma xícara exalando fumaça em cima de uma pequena pilha de livros. Um sorriso que não chegara aos seus olhos surgira em seu rosto e ele decidira se distrair com o livro, bebendo da xícara conforme virava as páginas com uma figura muito semelhante a de Hearts preenchendo a personagem de Rosemary.

Seria ele escolhido por ela?

Em algum momento aquela que o atendera aparecera oferecendo mais café, o que ele aceitara sem pensar muito, estando entretido demais pela leitura para pensar no que acontecia ao ser entorno.

Seu celular ainda vibrava, tal como a chuva caía lá fora, sua mente cada vez mais distante do caso daqueles corações de pano pequenos de cores e tecidos diferentes sob os corpos mirrados, esquecidos em uma floresta ou em uma casa abandonada, o perseguindo noite e dia sem nenhuma resposta clara sem uma solução óbvia, tão pouco de como olhar para Hearts o parecesse ser mais um lembrete infame de sua falha naquele momento.

Alguém subira pela escada, o rangido da madeira bem mais presente agora que não era ele subindo por ela, anunciando a chegada de outra pessoa a pequena cafeteria, mas ele pouco dera atenção a isso depois de notar que era a loira do andar de baixo surgindo na porta.

Olhar para ela não seria de grande ajuda ali.

— Você pode me dizer o que te deu na cabeça pra ficar pagando café de estranho, Lucy? - sussurrara a baixinha que o atendera.

Lucy?

— Ai Levy, olha só para ele, vai me dizer que ele não precisa de um descanso?

— Mas não com você pagando por café pra ele ficar aqui em cima, relaxando! Sério Lucy, você tem que parar de ser tão boazinha com estranhos, eles são estranhos por um motivo e não me faça te lembrar o que quase aconteceu com a Wendy semana passada se eu não estivesse na livraria!

— E eu sei o nome dele, logo ele deixa de ser um completo estranho. Sério Levy, você precisa deixar de ser tão ranzinza, como consegue ser mãe de três crianças com esse mau humor!

— É por eu ter três filhas que estou dizendo isso!

Os sussurros seguiram seu curso, aumentando de tom sempre que uma nova resposta era dada, enquanto que ele tentava entender o motivo da loira ter dois nomes diferentes, isto é, até a conversa das duas tomar um rumo diferente do que seus ouvidos imaginavam.

"O que quase aconteceu com a Wendy..."

Sua atenção já não era mantida pelo livro.

"Estranhos são estranhos por um motivo".

Ele acabara de tomar o último gole de café.

"É por eu ter três filhas..."

Seus motivos para se manter indiferente diante da conversa das duas estavam aos poucos acabando e algo lhe dizia que aquelas frases juntas poderiam ser de alguma ajuda para o seu caso.

Com o pigarro Natsu chamara a atenção de ambas, que olhavam num misto de atenção a desconfiança.

— Me perdoem a curiosidade mas, o que quase aconteceu a essa Wendy?

A baixinha, Levy, cruzou os braços diante do busto quase inexistente, o encarando irritadiça.

— Wendy quase foi sequestrada, sabe-se lá para o quê. Se eu não tivesse estranhado aquele cara e chamado ela eu não sei o que poderia ter acontecido com a garota.

A loira olhara para ela curiosa.

— Você não tinha me contado essa parte.

— Claro que não, você fica com a cabeça nas nuvens sempre que cuida da livraria Lucy! E aquele cara estranho sempre entrava quando haviam crianças na seção infantil como se escolhesse elas, só de lembrar me dá arrepios. Por isso eu tenho deixado você aqui em cima.

Aquilo atiçara a mente de Natsu.

— E como ele era?

— Como ele era? - a baixinha colocara uma das mãos no queixo enquanto pensava — Alto. Bem alto, e sempre vestindo preto, tudo nele era preto, mal dava pra distinguir o rosto com aquele cabelo seboso na cara dele, por que quer saber disso?

— Você não lembra de mais nenhum detalhe?

Ela negou.

— Tudo o que me lembro foi dito na delegacia, eles fizeram pouco caso do que eu disse naquela tarde mas queria ver se seria do mesmo jeito caso algo ruim tivesse acontecido com a garota.

O livro fora devidamente guardado na sacola, com uma das folhas dobrada para marcar a página onde havia parado a leitura, ele se levantara com a xícara em mãos e a devolvera no balcão, junto de algumas notas que ele não se atentara em contar, ignorando as palavras da loira que reclamava do gesto.

Ele se voltou mais uma vez a baixinha.

— E onde fica essa delegacia?

— No fim da rua, não tem erro se seguir pela calçada e você não me respondeu, por que quer saber disso?

O celular voltara a vibrar mas ele ignorou, tirando seu distintivo de outro bolso e mostrando para as duas.

— Sou detetive, e a descrição que você me deu bate com a do caso que estou investigando e tem me dado muitas dores de cabeça.

Os olhos da baixinha permaneciam cerrados quando ela surrupiou o documento das mãos dele tirando um riso curto de Natsu, lendo cada letra miuda impressa ali, com a loira por cima de seu ombro que dividia sua atenção entre ele e análise minuciosa da amiga.

— Um detetive, né?

— E o seu nome é Lucy, né?

E Lucy apenas sorrira como resposta.

Mas Levy também notara a interação deles, devolvendo o documento a Natsu em seguida.

— E você se apresentou usando aquele nome ridículo de novo, não?

— Não é ridículo, Levy!

— Claro que é! Use o seu nome para escrever, não há vergonha nenhuma nisso Lucy Hearthphilia!

Ela parecera extremamente ofendida.

— Amigas deveriam se ajudar, sabia?

— E eu estou te ajudando, dizendo para você não interagir com estranhos e não usar nomes ridículos para a autoria de seus livros.

As duas se encaravam numa disputa aonde nenhuma parecia realmente querer ceder enquanto que ele, observando do outro lado, não deixava de ver graça na situação.

Mas a realidade o chamara mais uma vez com a vibração de seu celular.

Gray...

E olhando agora eram mais de vinte notificações...

Ele torcia para que o mau humor de seu parceiro não fosse contagioso, logo agora que ele se sentia tão leve como não vinha se sentido a dias.

— Ei cabeça de gelo, advinha... e não, eu não quero saber o que a Juvia aprontou... não idiota, é sobre o caso... é, eu consegui uma pista, e das boas, mas preciso te contar isso pessoalmente, você ainda 'tá onde marcamos? Ótimo, te encontro aí!

Pelo jeito Lucy perdera a disputa, pois agora era ele quem ela encarava.

— De qual caso você estava falando Natsu?

Ele suspirou, não era bom sair falando de seu cargo para duas completas estranhas mas ao menos, aquelas duas não pareciam ser do tipo que falavam mais do que deviam e ainda o ajudaram sem nem mesmo terem consciência disso.

— Corações de pano. É um caso antigo de décadas atrás. Diziam que o suposto assassino sequestrava crianças em plena luz do dia e semanas mais tarde os corpos eram encontrados completamente desnudos, sem sinais de maus tratos ou uma causa mortis clara, apenas com um coração recortado de uma das peças que a criança usava no dia em que desapareceu.

— E por que a descrição de Levy te chamou a atenção?

— Houve uma sobrevivente e quando perguntaram a ela sobre quem a havia sequestrado, a descrição dada por ela fora a mesma que a sua amiga deu.

A realidade parecera enfim assolar a consciência da loira que ficara séria, perdendo seu sorriso quase que por completo.

— Então a Wendy... minha nossa...

— Eu disse para você Lucy, não confie em estranhos - a baixinha parecera notar algo olhando para ele — mas detetive você disse que esse era um caso antigo, como o mesmo cara ainda esta em atividade mesmo depois de tanto tempo?

Natsu dera de ombros.

— Honestamente? Eu não faço ideia, até semana passada acreditava ser um imitador querendo ganhar fama mas essa descrição sua não foi passada para a mídia. Ninguém sabia como ele era e recentemente corpos de crianças desaparecidas começaram a serem encontrados do mesmo jeito e eu só... estava perdendo a sanidade tentando encontrar uma solução para isso, não imaginava encontrá-la aqui, com vocês.

A baixinha bufou voltando a cruzar os braços.

— Se isso te ajudar de alguma forma peço que diga aqueles policiais para prestarem mais atenção quando alguém tentar alertar sobre um estranho perseguindo crianças.

— Se essa for a peça que faltava, pode ter certeza de que aqueles caras vão se odiar por isso.

— Isso já é o suficiente.

O sorriso dele ia de orelha a orelha.

Natsu pegou a sacola com o livro, se despedindo das duas amigas para em seguida descer correndo pelas escadas barulhentas em direção a saída.

Ainda chovia do lado de fora, o mau tempo não mudara em nenhum detalhe mas o jovem detetive se sentia completamente renovado diante deste. Seu corpo quente pouco baixara em temperatura ao ser agraciado pelos pingos frios conforme corria em direção ao bar que acabara por se tornar a sala de reuniões dele e de seu parceiro sobre o caso, Natsu sentia sua mente fervilhar em ideias, imaginando o pequeno mural que montara com pins vermelhos sendo enfim ligados rumo a uma solução inédita! Erza certamente ficaria orgulhosa do feito que ele conseguira resolvendo aquele caso! Ah, só de imaginar a glória da vitória antes do tempo certo pareceu fazer com que seu corpo o trouxesse novamente para a realidade, o fazendo quase tropeçar em uma larga poça de água, mas o riso que soltara ainda o fazia se sentir alto, tão alto que nem o mau humor de Gray poderia colocá-lo para baixo quando o encontrara no balcão do bar, o encarando de soslaio com sua namorada agarrada ao pescoço.

A expressão de Juvia se iluminara ao reconhecê-lo a medida que Gray murmurava algo que ele só conseguiu entender o final.

— ... eu te disse que era pelo caso, não pela bebida.

A mulher se constrangera mas em momento algum deixara de tê-lo em seus braços.

— Desculpe por ter pensando pouco de você.

E ele sorrira apertando-lhe uma das bochechas, o sorriso contido claro em seu rosto e por um momento, um breve momento que se passara tão rápido a ponto de deixá-lo levemente zonzo, Natsu se imaginou em um momento semelhante aquele mas com uma jovem de cabelos louros tendo os braços sobre seus ombros, o envolvendo com ternura.

Imaginar Hearts no lugar de Juvia trouxera uma careta a seu rosto e sua mente de volta a realidade.

O caso, claro!

E a euforia de antes voltara a borbulhar em seu peito, reaquecendo seu corpo agora umedecido pela chuva leve do lado de fora do bar que por coincidência estava cheio naquela noite, o ambiente movimentado com vozes e risadas altas indo e vindo o moveram adiante, em direção ao casal de amigos, e dizer que Gray estava puto com ele era de uma delicadeza sem igual. Visto que seu parceiro de longa data praticamente saltara sobre seu corpo quando chegara a uma certa distância, ignorando os puxões de Juvia e socando-lhe a cabeça varias vezes seguidas, isso até que ele lhe contasse sobre a pista que acabara de conseguir e que explicava claramente o motivo de seu atraso para aquele encontro. Bem quando já haviam entrado em um consenso de apenas reunir todas as informações recentes que haviam conseguido e dar o caso como sem solução novamente algo surgira diante das sombras para que insistissem mais um pouco na inocência de finalmente encerrar um dos casos sem solução da agência.

Naquela noite, Natsu fora do balcão para uma das mesas reservadas ao fundo, acompanhado do jovem casal onde ele procurou suprimir suas emoções e contar tudo o que havia descoberto ao entrar em uma loja de livros usados para fugir da chuva procurando ignorar completamente os meios que o fizeram chegar até aquela pista enquanto contava a seu parceiro, é claro.

Os nervos da dupla de investigadores estavam a ponto de condensarem diante da exaustão daquele caso, que fora jogado sobre eles sem nenhum respaldo superior para então finalmente, depois de meses encontrarem algo sólido para seguirem.

No dia seguinte estavam na delegacia, surpreendendo os oficiais daquele distrito com a relevância do relato de Levy McGarden que, assim como ele previra, ficaram completamente desgostosos em lhe passarem os dados na integra do que realmente acontecera naquela tarde e enquanto ele ficava a cargo da leitura dos papeis, seu parceiro questionava os oficiais, buscando extrair o máximo de informações - não somente sobre as envolvidas como os motivos para tamanho descaso da parte deles.

E poderia ser uma grande piada eles não levarem a sério uma mulher de baixa estatura que sempre aparecia ali para reclamar de alguém com a mesma descrição em todas essas vezes, que aparecia em sua livraria sempre que menores de idade estavam procurando por livros... seria uma boa piada... se não fosse verdade principalmente para Natsu, que tinha a resposta de seu caso bem embaixo de seu nariz, mas nunca se atentara em procurar por aquelas bandas, quando as fatalidades pareciam ocorrer em lugares diversos ao redor daquela área mas não ali.

Talvez Levy fosse algum tipo de guardiã suprema e Hearts - ou Lucy - fosse apenas sua mais nova aprendiz.

O que o incomodava era seu misterioso suspeito estar ali sem ter cometido nenhum crime.

A resposta viera a contragosto quando ele e Gray decidiram esperar pelo pior ficando de tocaia perto da livraria, assim como de outros lugares comuns de serem frequentados por crianças, até o encontrarem sentado em um banco de praça, com a mesma descrição que ele lera repetidas vezes. O homem que mal parecia ter a idade que imaginavam estava em um estado catatônico, murmurando a mesma palavra repetidas vezes, enquanto observava crianças brincando em um parque.

E meses mais tarde, Lucy aparecera eufórica jogando o jornal da manhã sobre o balcão da livraria, apontando para que Levy pudesse ver com seus próprios olhos que ajudara sem a mínima intenção um completo estranho a desvendar um caso que a décadas parecia ser insolúvel. O estranho caso dos Corações de Pano. A figura do homem impressa parecia mais feia do que ela se lembrava com uma enorme cicatriz no rosto, mas ao menos ele estivera preso, mesmo que por circunstâncias anormais ele aparecesse morto em sua cela dias mais tarde com o corpo completamente mutilado, a cicatriz em seu rosto sendo um detalhe mínimo.

— O que você tem a declarar sobre ajudar estranhos agora Levy?

A mulher de baixa estatura fez uma careta cruzando os braços, encarando a amiga que acabara de cumprimentar o gatinho que aparecera acompanhado de Wendy dias atrás e não saíra mais de perto da loira desde então, sempre alegre em vê-la pedindo por afagos, correndo os olhos pela manchete até ter sua atenção voltada para outra parte do jornal o levantando para que a amiga pudesse ver outra nota, uma menor que as letras grafais da primeira página.

— Que eu mereço uma menção honrosa por ter elucidado esse caso e que o nosso amigo detetive vai voltar a te ver em breve, já que você está com o gato dele.

Os olhos de Lucy aumentaram de tamanho quando leu a parte da matéria que a amiga apontava, uma onde Natsu agradecia pela comitiva mencionando a ajuda nem um pouco anônima de Levy mas dizendo estar mais preocupado com o desaparecimento de seu gatinho de estimação: Happy.

Olá e boa noite meus queridos, como estão? Espero que bem, assim como eu também quero estar bem, cada vez melhor na verdade... a surpresa de hoje se deu mais pelo meu desespero em querer publicar algum rascunho e como nada fluía com os rascunhos de Sonic e companhia resolvi encerrar um que não conseguia ver chance de melhora e que acaba sendo querido por mim por motivos diversos. Detetives, corações e uma pequena série que tenho guardada no bloco de notas que tem como início essa oneshot e queria que ela estivesse melhor, tinha a intenção de explorar mais o caso e trazer mais detalhes mas é aquilo, não rolou (um outro detalhe é que queria ler o livro que menciono no começo do texto mas isso me levou anos sim esse rascunho tem anos por pura procrastinação yayy) e aqui estamos. Uma ótima semana para nós!

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Sinta-se bem vindo ao Doukyuusei, um clube de artes cibernético que de arte só tem o entusiasmo mesmo pois se encontra abarrotado de poesia, ruminações sobre a vida e universo, análises altamente emocionadas sobre títulos de momentos passados e romance barato para a graça de sua autora que gosta de passar o tempo livre dormindo e acumulando rascunhos no bloco de notas, tal como músicas velhas de CityPop na playlist.
Seguimos de portas abertas e lugares vagos para os curiosos de plantão desde maio de 2015. ★



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que o universo te surpreenda. é hora de aceitar,
agradecer e se abrir para o novo.