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O quanto a ganância pode lhe influenciar?

※ 22 de outubro de 2019 (8:30 AM) + comentários (1)
Vamos dizer que a minha cota de filmes para se assistir no dia das bruxas já foi riscada antes mesmo de eu sequer ter pensado nela, e isso antes do último dia mês! Me permitam começar dizendo que apenas com dois filmes baseados em livros de Stephen King, eu pude concluir que suas adaptações tendem a explicar não explicando nada (não terminei o Iluminado mas sei o suficiente), você se prende a mitologia do longa para no final acabar entendendo sem realmente saber o que entendeu, e considerem isso um breve resumo do que é "O Campo do Medo" que vi logo no começo do mês. Seguido disso vem o filme que meu pai disse ser um ultraje eu não ter visto e bem, ele não estava de todo errado, pois segundo o que disse, esse longa acabou marcando as gótica/emo dos anos noventa de tão chocante que é.

Sei bem que ninguém pediu por recomendações arrepiantes, mas aqui estão elas, e sim eu vou explanar um pouquinho desse filme ao qual fui intimada a assistir numa noite de segunda - aliás ambos os filmes podem ser encontrados no serviço de streaming do Netflix, é só pegar a pipoca e o ursinho de pelúcia!

E antes de começar, gostaria de adicionar que eu realmente não esperava estar fazendo algum comentário sobre a trama do filme (já estou surpresa o suficiente em ter conseguido comentar sobre o da Turma da Mônica, e caramba, um filme para o dia das crianças e outro para o dia das bruxas, qué isso produção?), mas depois de uma conversa sobre o mesmo com meu pai e algumas minhocas andando na minha cabeça, acabou saindo o que lerão a seguir.


Jovens Bruxas me pareceu ser um filme provocador, incitando em quem o assiste seus instintos mais primitivos mas também, questionando até onde a ganância por poder pode levar alguém. Ou neste seleto caso, um grupo de garotas - quatro bruxas procurando se rebelar de sua existência com magia.

Há algo, ou melhor uma personagem, que diz algo interessante ao meio do longa metragem. Que a magia não é branca nem negra. Essa divisão de opostos se encontra no coração da bruxa e, se não houver equilíbrio entre eles nela, logo a magia que ela produz reflete suas intenções. E nesse filme três das quatro garotas são bem certas de suas intenções.

Tendo como cenário a fase colegial na vida das personagens, muitas situações podem borbulhar e a partir disso, a trama começa a ser trilhada. A princípio, três garotas auto-nomeadas bruxas necessitam de alguém para completar os quatro pontos (norte, sul, leste, oeste) na esperança de que, seus feitiços possam dar certo. Então surge uma garota, a quarta, aquela que parece deter de um grande poder que a mesma, não consegue canalizar completamente.

E assim, esta feito. Quatro garotas, quatro bruxas, quatro pontos. Para a ambição de três se tornar real é um pulo - muito perigoso.

Nos é mostrada também a realidade delas, e todos os dramas pelos quais passam - o real motivo para apelarem a magia. Curioso como, em um momento como esse, onde nada nem ninguém lhes dá ouvidos, o oculto parece ser uma ótima forma de lidar com a realidade, ou combater o que incomoda nela. Pois as quatro se encontram insatisfeitas consigo mesmas, seja com a aparência, com a família ou com os colegas de classe, e nesse ponto, ter um poder oculto parece ser a melhor carta na manga.


E os feitiços dão certo, pois eles realmente dão certo quando bem feitos.

Porém, para tudo existe um preço. Uma troca equivalente. Um pagamento de igual valor.

E essas bruxas anseiam demais para pessoas que ainda nem sequer começaram a pagar. Conforme os feitiços se provam reais, elas continuam a testá-los, ampliando cada vez mais o alcance de seus desejos e assim, buscando por mais.

Por superioridade, por beleza, por poder.

E isso as cega. A ganância por poder as convence do quão superiores elas são do mundo que as rodeia, ao menos a três delas. A quarta, a novata poderosa, teme algo em seu coração, com as palavras da vendedora da loja que frequentavam calando qualquer anseio por mais. Aos poucos ela percebe o quão longe havia ido e que aquilo, não era o que ela queria realmente - ela parece ser a única a ter o mínimo de respeito pelo mundo em que se envolvera, que a natureza, por mais bela e fascinante que fosse, escondia meios assustadores de cobrar por seus débitos.

E então vem um conflito divisor de águas que separa a ambiciosa, das medrosas, da sábia - e o questionamento que fica é, até onde você iria para atingir seus objetivos? Existem diversos meios de se conseguir algo, mas a magia em questão não as tornou superiores em momento algum, muito pelo contrário, só mostrou o quão iguais elas poderiam ser aqueles que as atingiram, assim sendo nada menos diferente deles. E para que ninguém duvide do meu ponto, uma breve definição do que é ser ganancioso.

"Ganância é a atitude de conquistar o que se deseja a qualquer preço, a qualquer custo, mesmo que para isso tenha que passar por cima de tudo e de todos, seja de forma direta ou indireta, utilizando-se da dissimulação e manipulação"

Não me levem a mal, eu gostei do filme. Para ser sincera, esse é um dos poucos longas do meio que resume muito bem esse negócio de "querer ser bruxa" sem utilizar de muitos artifícios para tal (ainda não assisti "O Mundo Sombrio de Sabrina" e honestamente, nem pretendo mais) o efeito granulado de filme velho deixou a atmosfera ainda mais interessante, o que nos faz passar tranquilamente pelos efeitos especiais mal feitos que naquela época eram a melhor coisa do momento. Adiciono também os estilo das meninas que é mega sucesso, e se pararem para perceber, a Sarah sempre foi a diferentona do grupo, não só nas roupas como sendo a única a não se munir de cruzes no pescoço - afinal, porque é tão legal lotar o pescoço com correntes pesadas?

Pensando bem, toda a minha concepção sobre bruxas e magia amadureceu bastante desde quando eu era uma pirralha fascinada pelos feitiços que lia nas revistas da W.I.T.CH. Senti isso enquanto assistia a esse filme em específico e sim, eu me sinto surpresa por isso também.

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